20 de abr de 2004

Como o assunto de ralo começa a esgotar (ha ha ha) o 'sem ralo' inicia agora com alguns posts que falam da perplexidade tupiniquim diante da realidade diaria que enfrentamos no "primeiro mundo"... Nada melhor que começar com um post que a Julie achou da Denise Arcoverde, que mora na Suécia e nos faz recordar que nao sao so' ELES que sabem pouco de NOS... e, fazendo este blog, queremos somente nos divertir com as situaçoes que aparecem e mostrar a quem nunca saiu da terrinha (e talvez esteja pensando em se mandar...) aquilo que os livros nao dizem.



Estereótipos daqui e de lá!

Buenos Aires é a capital do Brasil? dá pra cruzar o país de trem? o Brasil fica na Asia? a gente vive na floresta amazônica? e por ai vai... Eu acho muito engraçado perceber como o resto do mundo é desinformado sobre nosso Brasil, tão grande.

Mas, pensa bem... o que é que você sabe, realmente, sobre a Rússia ou a China. Quantos brasileiros sabem qual a capital do Canadá? ou onde fica a Albânia? ou se tem praia na Alemanha?

Tem discriminação contra o Brasil? tem. Mas também tem, simplesmente, desinformação. Pura e simples. E ai não somos as únicas vítimas. Assim como não somos as únicas vítimas dos estereótipos criados, mundo afora.

Todo mundo que vive fora no Brasil já se irritou com a nossa imagem: samba, carnaval, futebol, pelé, miséria, criminalidade...

A gente fica com raiva mesmo, mas olha... "os espanhóis são barulhentos", "os italianos são conquistadores", "os franceses não gostam de banho", "os ingleses são pervertidos" e agora, "os árabes são terroristas"!... cada um com seu estereótipo... e os suecos?

Esses também não escapam. Li um texto super interessante, em um site sueco, que vou traduzir ai abaixo:

"Quando nós, suecos, viajamos pelo mundo, frequentemente encontramos pessoas que, à primeira vista, parecem não ter nenhuma idéia sobre o que é o nosso pais. Após algum tempo, percebemos, na verdade, que eles têm algumas firmes convicções sobre o que nós somos.
De uma forma geral, são as mesmas velhas e míticas imagens da Suécia: um país comunista habitado por ursos polares, louras (burras, mas gostosas), pessoas melancólicas, suicidas e bêbados. Parece até que esses clichês têm vida própria.

Então, é importante derrubá-los, um a um:

Suecos(as) são super abertos(as) sexualmente: Esse mito se originou principalmente em filmes suecos dos anos 50, 60 e 70 com cenas de nudez. Tem pouco a ver com a realidade. É verdade que os suecos têm uma postura mais relaxada em relação à nudez e ao sexo que a maioria dos povos. Contudo, isso não significa promiscuidade e, analisando as estatísticas sobre gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis, a Suécia está sempre como um dos países lá embaixo, na comparação internacional.

Socialismo: A Suécia é um país com economia de mercado democratizada, ainda que com redistribuição de renda bem maior que a maioria dos países.

Suicídio: Um mito fortíssimo e que não tem nenhuma relação com a realidade. Tudo começou como uma estratégia dos conservadores americanos, lançada nos anos 50, nos EUA como uma arma contra os liberais de esquerda que viam a Suécia como um modelo de política de "terceira via". A verdade é que, simplesmente, a Suécia foi o primeiro país a manter registros honestos sobre suicídios (ainda tabu no mundo católico, e em outros lugares). De fato, mais uma vez, nossos dados são baixos em comparação internacional

Ursos polares nas cidades: Não.

Belas louras: Sim. Burras? näo!

Clima frio Sim e não. O inverno sueco pode ser severo, mas considerando a nossa localização geográfica, tão ao norte, a Suécia pode ter até um bom clima, com um verão muito agradável.

Alto índice de alcoolismo: França e Portugal, por exemplo, consomem muito mais alcool per capita que a Suécia."

Portanto, não somos os únicos a reclamar. As pessoas têm uma tendência a "classificar" tudo, a arte, o trabalho, os países e até as pessoas. É uma forma de tentar comprender o desconhecido.
Se os suecos têm uma visão equivocada do Brasil, eu também já ouvi todos esses estereótipos sobre os suecos, antes de vir pra cá. E mais, que são frios, depressivos, que não sabem se divertir, que a vida aqui é monótona... e não é bem assim... Enfim, acho que a gente deve tentar esquecer os rótulos e entender as pessoas e os países, da forma complexa como eles são.

Blog: Sindrome de Estocolmo