Às vezes eu penso: Que gente doida!!!!
Bem, vamos a mais curiosidades Americanas:
Compra do carro: Gente, esse povo é doido!!!! Nós demoramos quase 1 mês pra conseguir comprar um carro aqui..No Brasil nós compramos um carro no mesmo dia né? se tiver tudo certinho vc sai com o carro na hora da concessionária…aqui é uma novela…bem , acho que pra gente que é de fora, talvez pra quem é daqui não seja tão complicado assim..Mas, eis a doideira: Aqui pra vc conseguir comprar alguma coisa vc precisa ter crédito na praça…ou seja, quanto mais vc deve, mais eles te vendem…ao contrário do Brasil…que se vc tem crediários demais é dificil conseguir comprar…Eis nosso problema..pq aqui nós compramos tudo à vista e isso não é bem visto aqui…Fomos aconselhados a todo momento a fazer cartões de crédito, cartões em lojas e gastar adoidado…rsrs…
Dinheiro: O povo aqui também não gosta muito de aceitar pagamento em dinheiro não..eles preferem que vc pague no cartão ou faça uma espécie de cheque…Aqui onde moramos o pagamento do aluguel tem que ser feito assim, com esse cheque. como funciona: você vai num lugar credenciado e se vc tem que pagar 500 dólares, vc dá o dinheiro lá nesse lugar, a pessoa te dá um papel parecendo um cheque com o valor q vc pagou e vc vai feliz pagar a sua conta com esse papel.
A casa: Gente doida!!! Gente doida!!! Mil vezes gente doida!!!! Povo, aqui não tem luz nos quartos…Eu acho isso um absurdooooo…vc tem q se virar com abajur (como escreve abajur?)….Odeio isso..eu gosto de ler à noite…de claridade..de luz mesmo…odeio isso aqui…E todo lugar aqui é assim, minha casa antiga era assim, esta casa é assim e outras q eu fui ver tbm…A cozinha e o banheiro não tem ralo… No Brasil eu amava jogar água em tudo, lavar a cozinha etc e tal, mas aqui esquece…não tem como tirar a água…Outra, a casa não tem tanque!!!! Gente, tudo que eu queria era um tanque pra lavar meus sapatos ( pq eu lavo sapatos)…lavar uma roupa mais fina, pq nem tudo a gente pode pôr na máquina né? mas não tem…lavo na pia do banheiro mesmo, ou na banheira..rsrs
Garage Sale: Venda de garagem..Isso toodo mundo sabe como é…Eu via muito nos seriados antigos que passava no Brasil…As pessoas aqui pegam as coisas que não querem mais e juntam tudo no quintal de casa ou na garagem e vendem a preço bem baixo…geralmente aos sábados e domingo de manhã…e é uma festa pra eles…a familia se reune e cada um faz uma coisa…às vezes servem bolos, sucos…A maioria dos compradores são imigrantes…eu vejo muito mexicano em garage sale…eu na verdade não gosto muito não de comprar, gosto de ver…sei lá, eu fico pensando…parece que estamos guardando o lixo dos outros..mas é besteira minha…Nós compramos 1 tv por 15 dólares, 1 tv e dvd por 20 dólares e Felipe sempre compra muita coisinha pra ele…
Blog: Diário da Mell
12 de dez de 2008
Curiosidades de Londres - parte 4
- banheiro e cozinha não tem ralo no chão
- não existe rodo como no Brasil, só aqueles de esponja ou esfregão
- as grávidas não podem optar por fazer cesária, somente parto normal. São feitas as cesárias se não tiver outra opção. Tanto que soubemos de um caso em que uma mulher pariu com 10 meses de gestação
- no inverno amanhece as 10h da manhã e anoitece as 15h, já no verão, amanhece as 5h e anoitece as 22h
- o pessoal daqui gosta dos brasileiros, e sempre sabem alguma coisinha, como: São Paulo, Rio de Janeiro, futebol, samba, parque da mônica (dá p/ acreditar?), praia, sol, Ronaldinho, Gisele Bundchen, caipirinha, etc
- muitas casas (talvez a maioria) não tem garagem
- existem várias “daslu” em Londres, como a Selfridges, Harrods, e outras (algumas mais baratas, outras mais caras). Mas a diferença é que qualquer um pode entrar e comprar alguma coisinha, e ser bem tratado!
- Londres não chove toda hora, e a chuva que cai quase nunca é forte. Mas sim, o céu muitas vezes está nublado
- aqui venta muito, independente da estação do ano
- um amigo nosso disse que dá para perceber quando uma pessoa é brasileira observando o cabelo dela. E não é que é verdade! Não é tão perceptível, mas os cabelos das mulheres daqui são um pouco diferentes, mais lisos (talvez pelo poder aquisitivo da maioria, ou das origens, sei lá), os cortes às vezes são meio a la Victoria Beckham, muitas fazem luzes, etc
- contas de água e luz não vem todo mês, são de tempos em tempos
- cortar o pão com a faca (de entrada num restaurante) é falta de educação
- aliás, as facas de restaurantes são proibidas de ter ponta. Só é permitido deixar nas mesas aquelas facas de ponta arredondada e sem corte
Aos poucos lembraremos de mais coisas para colocar no blog!
Saudades! Gde abraço!
Blog: Behind the Fog
- banheiro e cozinha não tem ralo no chão
- não existe rodo como no Brasil, só aqueles de esponja ou esfregão
- as grávidas não podem optar por fazer cesária, somente parto normal. São feitas as cesárias se não tiver outra opção. Tanto que soubemos de um caso em que uma mulher pariu com 10 meses de gestação
- no inverno amanhece as 10h da manhã e anoitece as 15h, já no verão, amanhece as 5h e anoitece as 22h
- o pessoal daqui gosta dos brasileiros, e sempre sabem alguma coisinha, como: São Paulo, Rio de Janeiro, futebol, samba, parque da mônica (dá p/ acreditar?), praia, sol, Ronaldinho, Gisele Bundchen, caipirinha, etc
- muitas casas (talvez a maioria) não tem garagem
- existem várias “daslu” em Londres, como a Selfridges, Harrods, e outras (algumas mais baratas, outras mais caras). Mas a diferença é que qualquer um pode entrar e comprar alguma coisinha, e ser bem tratado!
- Londres não chove toda hora, e a chuva que cai quase nunca é forte. Mas sim, o céu muitas vezes está nublado
- aqui venta muito, independente da estação do ano
- um amigo nosso disse que dá para perceber quando uma pessoa é brasileira observando o cabelo dela. E não é que é verdade! Não é tão perceptível, mas os cabelos das mulheres daqui são um pouco diferentes, mais lisos (talvez pelo poder aquisitivo da maioria, ou das origens, sei lá), os cortes às vezes são meio a la Victoria Beckham, muitas fazem luzes, etc
- contas de água e luz não vem todo mês, são de tempos em tempos
- cortar o pão com a faca (de entrada num restaurante) é falta de educação
- aliás, as facas de restaurantes são proibidas de ter ponta. Só é permitido deixar nas mesas aquelas facas de ponta arredondada e sem corte
Aos poucos lembraremos de mais coisas para colocar no blog!
Saudades! Gde abraço!
Blog: Behind the Fog
9 de dez de 2008
É melhor aceitar o fato de ser latino
por David , Seção: Eleições presidenciais s 15:19:48.
comentário de MICHAEL MAHON, de Nova York
Quando o brasileiro vem para os Estado Unidos ele encontra dois grandes problemas. Primeiro, os banheiros (e cozinhas) não têm ralo. Como é que você pode lavar um banheiro sem ralo no chão? Passa um pano e espreme na pia? Isto já foi o principio do fim de várias relações.
O segundo grande problema é o fato de que, no momento que você pisa no chão dos EUA, você passa a ser latino, hispânico. Ou seja, outro mexicano (não querendo ofender o México). Um jardineiro melhorado, o mais baixo degrau da escada para o sucesso do Sonho Americano.
Também você passa a ser o alvo maior das fobias, dos medos e das paranóias do "WASP" White Anglo Saxon Protestant (Protestante Branco Inglês). É claro que a grande maioria dos brancos não se enquadra neste estreita classificação.
Os alemães, irlandeses, escoceses, poloneses, russos, suecos e muito mais. Eles todos foram vítimas de discriminação. Havia placas que diziam: "No Irish, no blacks, no dogs". Mas não é só o brasileiro que não tem memória, é um problema universal, e os outros "brancos" dos EUA abraçaram as fobias dos WASP e agora pisam no latino.
A candidatura do Obama está levantando duas ondas. Uma delas é a onda de ódio, medo. A vitória desta candidatura será mais um passo para a emancipação dos oprimidos. Infelizmente, o ex-oprimido passa muito rapidamente a opressor. Dizer que isto é uma falta de consciência, é pouco.
No dia a dia da campanha você vê, sente e escuta este incrivelmente estúpido comentário: o Obama e muçulmano, inimigo de Israel, árabe etc. O pior de tudo é que estas acusações são feitas por pessoas do "establishment" pelo partido Republicano e outros mais.
No Distrito Federal americano mandaram uma carta dizendo que Democrata vota no dia 5 de novembro. Aqui na Pensilvânia mandaram cartas em espanhol dizendo que você pode ser preso na hora de votar se: tiver conta pendente, dívida de impostos, dívida de pensão familiar, multa de estacionamento pendente, se sua casa tiver sido tomada pelo banco.
O brasileiro americano é inteligente, mas não deve esquecer que este tipo de ataque é também contra ele. Porque apesar de nos considerarmos "brasileiros" e não latinos, eles não vêem assim.
A última coisa que devemos fazer nos EUA é comprar essa história. Quanto mais rápidos nós aceitarmos o fato de que somos latinos, mais realista vai ser a nossa posição. Porque o polaco (peço perdão pelo uso pejorativo) que abraça a posição WASP é um idiota.
Falo de experiência própria, sendo filho de pai irlandês, casado com uma mulher WASP. Os sorrisos na festa em família eram sempre corteses, mas os pratos eram bem lavados depois.
Blog: Brasileiros na America
por David , Seção: Eleições presidenciais s 15:19:48.
comentário de MICHAEL MAHON, de Nova York
Quando o brasileiro vem para os Estado Unidos ele encontra dois grandes problemas. Primeiro, os banheiros (e cozinhas) não têm ralo. Como é que você pode lavar um banheiro sem ralo no chão? Passa um pano e espreme na pia? Isto já foi o principio do fim de várias relações.
O segundo grande problema é o fato de que, no momento que você pisa no chão dos EUA, você passa a ser latino, hispânico. Ou seja, outro mexicano (não querendo ofender o México). Um jardineiro melhorado, o mais baixo degrau da escada para o sucesso do Sonho Americano.
Também você passa a ser o alvo maior das fobias, dos medos e das paranóias do "WASP" White Anglo Saxon Protestant (Protestante Branco Inglês). É claro que a grande maioria dos brancos não se enquadra neste estreita classificação.
Os alemães, irlandeses, escoceses, poloneses, russos, suecos e muito mais. Eles todos foram vítimas de discriminação. Havia placas que diziam: "No Irish, no blacks, no dogs". Mas não é só o brasileiro que não tem memória, é um problema universal, e os outros "brancos" dos EUA abraçaram as fobias dos WASP e agora pisam no latino.
A candidatura do Obama está levantando duas ondas. Uma delas é a onda de ódio, medo. A vitória desta candidatura será mais um passo para a emancipação dos oprimidos. Infelizmente, o ex-oprimido passa muito rapidamente a opressor. Dizer que isto é uma falta de consciência, é pouco.
No dia a dia da campanha você vê, sente e escuta este incrivelmente estúpido comentário: o Obama e muçulmano, inimigo de Israel, árabe etc. O pior de tudo é que estas acusações são feitas por pessoas do "establishment" pelo partido Republicano e outros mais.
No Distrito Federal americano mandaram uma carta dizendo que Democrata vota no dia 5 de novembro. Aqui na Pensilvânia mandaram cartas em espanhol dizendo que você pode ser preso na hora de votar se: tiver conta pendente, dívida de impostos, dívida de pensão familiar, multa de estacionamento pendente, se sua casa tiver sido tomada pelo banco.
O brasileiro americano é inteligente, mas não deve esquecer que este tipo de ataque é também contra ele. Porque apesar de nos considerarmos "brasileiros" e não latinos, eles não vêem assim.
A última coisa que devemos fazer nos EUA é comprar essa história. Quanto mais rápidos nós aceitarmos o fato de que somos latinos, mais realista vai ser a nossa posição. Porque o polaco (peço perdão pelo uso pejorativo) que abraça a posição WASP é um idiota.
Falo de experiência própria, sendo filho de pai irlandês, casado com uma mulher WASP. Os sorrisos na festa em família eram sempre corteses, mas os pratos eram bem lavados depois.
Blog: Brasileiros na America
7 de dez de 2008
Oi pessoal! Depois de um longo período de sono, o blog se animou de novo. Não é prá menos: acabei de encontrar mais posts falando de RALOS!!! Já estava até desanimando, achando que o assunto estava mesmo 'esgotado' hehehehe.
Vamos deixar de lero-lero e aproveitar os novos textos.
15 de setembro de 200_
Léia,
Obrigadíssima por ligar, minha linda. Você não sabe a diferença que faz ouvir uma voz amiga do outro lado da linha. O Paulo está estudando que nem um desesperado, ainda mais agora, primeiro mês, tudo novo, língua diferente, métodos diferentes. Acredita que ele já levou esporro de orientador por ter chegado duas aulas seguidas atrasado? Repara que o atraso foi de cinco minutos, mas o Paulo teve que ouvir que era aluno profissional agora e precisava ser mais responsável! Logo ele que sempre foi tão caxias! Você tinha que ver a cara dele quando entrou em casa! Parecia o menino que apanhou da mãe! Coitadinho! Mas, enfim, como eu dizia, o homem não pára um segundo, está estressadíssimo, então, sim, eu fico muito sozinha, e tudo isso foi pra dizer que sua ligação me ganhou a semana, amiga.
Estou te escrevendo porque hoje cheguei a uma conclusão inescapável: americano não sabe limpar as coisas com água. Sério. A primeira coisa que senti falta foi de bidê, isso eu já te contei. Esse povo deve ter a maior taxa de hemorróidas do mundo se passam a vida inteira esfregando papel na bunda, só pode ser. De todos os objetos da minha casa, com certeza, sinto mais falta do meu bidêzinho, coitado, nunca dei muito valor e agora choro por ele. Na primeira semana, fiquei toda assada. Agora, estou passando por todas as marcas mais caras de papel higiênico pra ver se alguma presta.
Depois, tem o drama da falta de tanque. Anteontem, o Paulo se distraiu e pisou num cocô de cachorro. É, amiga, até no primeiro mundo tem titica de cachorro na rua. Pois bem, ele me deu o sapato pra limpar e lá fui eu toda mulherzinha pro tanque. E cadê o tanque? Não tem tanque. E não é só no meu apartamento minúsculo, não: ninguém tem tanque nessa terra. Como esse país funciona, meu Deus? Como pretendem dominar o mundo sem tanque? Onde esse povo faz limpeza pesada? Onde limpam coisas nojentas? Era pra eu limpar o cocô da sola do sapato na pia onde escovo os dentes, na pia onde lavo louça ou na banheira onde tomo banho? Sério! (Acabei limpando com um paninho umedecido e depois joguei o pano fora. E avisei ao moço que o próximo cocô ele que limpe! Melhor passar a andar olhando pro chão!)
E não tem ralo. Não tem ralo na cozinha. Não tem ralo no banheiro. Não sei nem se existe esse conceito na língua inglesa. O pior é que eu nem dei pela falta até ser tarde demais. Decidi que estava na hora de lavar o banheiro, enchi um balde, despejei a água no chão, peguei o rodo que tinha acabado de comprar, comecei a arrastar a água pro ralo… e cadê o ralo? Não tem ralo! Amiga, que ódio. Sério, me senti a completa retardada. Não tinha mais pano (aliás, essa é outra coisa que não encontro aqui, pano de chão, socorro!) e sequei tudo com toalha de papel. Lá se foi quase um rolo todo.
Menina, que país é esse? Só depois me dei conta que tinha tudo a ver com água. Não posso limpar a bunda com água, não posso limpar o chão com água, não posso limpar nada com água. Limpeza, pra esse povo, só a seco. Como, não sei. Acho que vou perguntar pra alguma colega do Paulo. Lavar chão de cozinha e chão de banheiro sem balde d’água, isso não me ensinaram. Será algum método hiper secreto ultra tecnológico que ainda não chegou no terceiro mundo? Ou será que são eles que ainda não ouviram falar desa nova e versátil invenção, a água? Existem prateleiras sem fim de produtos de limpeza (antigerme, antifungo, antimancha, antiodor, antibactericida, antimãosdepenélope, antitudo), mas água, que é bom, nada. Aquela sensação gostosa de jogar um baldão de água no piso e sentir as bolhinhas de sabão nas solas dos pés, nunca mais. Mesmo com todos os produtos de limpeza do mundo, a casa fica sempre com aquele cheiro de meia usada, aquela sensação de banho de gato. Um horror. Não tem incenso que resolva.
Pois bem, minha linda, vai agora no seu banheiro e dá um belo abraço no seu ralo (beijo, não, ele pode ficar convencido!) e agradeça por ele estar lá. Quando é que eu iria imaginar que eu, chiquerrérrima, morando em Manhattan, o umbigo do mundo etc etc, a coisa que mais sentiria falta do Brasil seria justamente… meu ralo!
Da sua amiga faxineira mal-resolvida,
Penélope em Nova Iorque
PS: Na verdade, não sei se é falta de ralo ou falta da Dona Lourdes. Se ela estivesse aqui, com certeza daria um jeito de deixar a casa um brinco sem precisar de água. Ai, ai, saudades da Dona Lourdes…
Blog: E-mails de Nova York

Diferenças
Morando em outro País, a melhor coisa é tentar aprender tudo nesse novo lar: a língua, os hábitos, a cultura, as etiquetas sociais, a mentalidade, etc .. Alguns países sao mais fáceis que outros mas nunca é a casa da gente. Mas a gente tenta.
Eu acho que lutei muito e depois de vários anos consegui me adaptar e me sentir feliz. Porque acho que esse é o objetivo principal. Se sentir feliz onde quer que voce esteja.
Mas algumas coisas sao difíceis de engolir. E nao precisa ser grande coisa nao.
Por exemplo, na Alemanha
- nao existe ralo. Ralo nos banheiros, ralo na cozinha, ralo no quintal. Nao tem. Voce nao consegue jogar água, passar uma boa vassoura com sabao em pó ou detergente, depois o rodo. Porque nao tem para onde cair a água. Se voce jogar água de balde no banheiro é bem capaz de tudo correr escada abaixo lá prá sala. Entao voce tem que, no máximo, ter umas vassouras especiais aqui com paninhos aveludados que voce umedece, passa e torce e emudece, passa e torce.
- nao existe lavanderia. Mas tem Keller - porao. Entao a grande maioria das casas tem suas máquinas de lavar-roupa e de secar, baldes, aspiradores de pó e produtos de limpeza no Keller. Só que os sobrados aqui tem tres andares!! Voce tem que ir para o Keller pegar tuda a tralha e subir tres andares para comecar a faxina do quarto lá em cima, aí descer com cesto de roupa suja para o Keller e subir para terminar a limpeza e descer para por a roupa para secar e aí sentar na escada no meio do caminho e chorar. E depois da casa limpa e roupa lavada, voce carrega a tábua de passar-roupa para a sala e faz esse servico assistindo TV e depois tem que descer a tábua e subir com as roupas. Fala a verdade: é um martírio.
- nao existe tanque. Claro, se nao tem lavanderia, nao tem ralo, para que o tanque? Eu nao sei onde esse povo que nao tem Keller onde eles colocam todas as tralhas de limpeza!!!
Como íamos mudar, tentei mudar tudo e resolver todos os problemas de uma vez só. Nao teremos Keller, teremos somente dois andares e quis um tanque. Saiu caro esse tanque por nao ser muito comum mas fiquei toda feliz e na maior ansiedade para receber o meu tanque onde teria uma torneira alta para poder enfiar um balde sem precisar ter que ir ao chuveiro. Um tanque para lavar os tenis sujos da criancas, um paninho de limpeza ou a grelha durante o verao.
Cheguei na casa toda ansiosa para ver como era um tanque alemao e achei isso: Apresento a voces um tanque alemao.

Blog: O dia-a-dia dos Pohlminhas...

choque cultural & feijão preto
Meus anos no Canadá foram um laboratório que me preparou para adotar um novo país. Lá eu não era imigrante, estava somente de passagem, mas mesmo assim inicialmente passei por todos os processos de adaptação necessários para me integrar a uma vida nova, com clima novo, língua nova, elementos culturais novos. Acontece com todo mundo, aconteceu comigo. O surto maior durantes todos os meus anos canadenses foi não poder lavar o banheiro. Onde está o maldito ralo?? Era a pergunta que eu não conseguia fazer calar, até aceitar o fato inexorável de que naquele país não se lava banheiro e pronto. Não foi fácil, mas todos os choques culturais que enfrentei lá me ajudaram numa adaptação mais tranquila aqui. Eu já cheguei nos EUA ajustada.
Um dos processos pelo qual passei foi o da aceitação dos novos ingredientes gastronômicos locais e o da autenticação da cultura gastronômica que eu trazia comigo. Você quer mostrar de onde veio, não só através da língua, música, costumes e comportamento, mas também através da comida.
A universidade que engoliu meu marido num programa de PhD promovia todo inicio de ano letivo sessões de orientação para os novos estudantes internacionais. Tendo participado do evento na condição de esposa do estudante internacional, percebi o quanto era importante tudo aquilo. Me inscrevi como voluntária para trabalhar nos anos seguintes. Havia posições em diversos pontos estratégicos, você podia ser guia de tours, dar palestras, ajudar na organizacão dos eventos acadêmicos ou culturais e também poderia ajudar na cozinha. Serviam-se lanchinhos para os participantes, que eram preparados e empacotados pelos voluntários da cozinha. Nem preciso dizer que a cozinha era o lugar menos atrativo, pois todos queriam voluntariar em posições mais bacanudas, demonstrando suas habilidades intelectuais e interagindo mais intensamente com o grupo de organizadores e os novos estudantes. Ser voluntário na cozinha não tinha concorrência, muito pelo contrário, nem sempre conseguíamos um número necessário de pessoas. Mas todo ano eu estava la, junto com os sempre presentes usual suspects. Era uma turma legal, com estrangeiros e nativos, que devido ao confinamento e as horas passadas juntos cortando cenouras em tiras ou tomates em rodelas, formou algumas boas amizades.
Mas o bacana desse voluntariado na cozinha era que no último dia da orientação rolava um banquete organizado por nós. Tínhamos que trazer pratos típicos de diferentes países, geralmente doados ou feitos pelos próprios voluntários. Essa era a parte que eu mais gostava, pois chegava a hora daquela gente bronzeada mostrar o seu valor, abafando com um belo e saboroso prato tradicional brasileiro. Desde o primeiro ano, a feijoada tinha sido eleita por mim o prato fino da bossa para representar o Brasil no banquete. Porque era bem típico, tinha uma história legal pra se contar se precisasse entreter a galera curiosa e era fácil de fazer em quantidade. Eu adaptava as linguiças, usava as polonesas e russas que abundavam por lá e adicionava beef jerk no lugar da carne seca. O resto eu fazia igual, feijão preto, bacon, alho, azeite, folhas de louro, panelão que cozinhava por longas horas até o caldo ficar grossão. Quando eu finalmente levava a panela de feijão para a festa era um extase coletivo. A minha feijoada era o prato mais esperado da noite, seguido pelas samosas preparadas por uma senhora indiana e que eram, sem dúvida nenhuma, as melhores que já comi na minha vida. No dia do banquete os voluntários da cozinha saiam do ostracismo do confinamento e viravam estrelas, protagonistas da festa. Vestidos com nossas roupetas mais bacanas e ostentando os nossos sorrisos mais amigáveis, servíamos os rangos internacionais, explicando fatos de cada país, tradição e ingredientes. No meu caso, quando eu me prostava em frente ao panelão segurando a concha que eu mergulhava sem parar na deliciosa feijoada, era só dizer—Brazilian black beans para provocar um excitamento geral na malta, que às vezes se recolocava novamente na fila para, timidamente, pedir para repetir. Nem sempre sobrava para os voluntários, então adotamos o hábito de separar porções individuais da feijoada antecipadamente. Claro que todo ano durante o banquete tinha sempre um ou outro que fazia aquela cara de fuínha quando eu pronunciava as palavras mágicas—Brazilian black beans. Se a cara entortava em sinal de nojo ou medo, eu já dizia sorrindo—acho que você vai se arrepender, e não vai poder voltar atrás, porque os feijões brasileiros NUNCA sobram pra contar a história!
BLOG: Chucrute com Salsicha

O ralo, o rodo e a insignificancia que eles tem no velho mundo
Nao existe a palavra "rodo" no meu dicionario de ingles. E olha que eh um Michaelis novinho, que comprei na Leitura antes de vir. E ai comecei a entender os motivos de terem usurpado este vocabulo tao util do dia-a-dia das donas-de-casa no Brasil.
Voce nao precisa de um rodo aqui primeiro porque se voce jogar agua no chao voce esta literalmente ferrado. Nao existe ralo no chao do banheiro, nem da cozinha, nem de lugar nenhum. Ralo eh uma outra palavra, que vem junto com pia ou box do chuveiro. Segundo, voce nao precisa de um rodo aqui porque de onde voce quer puxar agua se todo lugar que voce vai aqui eh encarpetado? Existe uma estranha predilecao inglesa por pisos cobertos com este tecido feito de acaros. E quanto mais comodos da casa encarpetados, melhor. "Vende-se casa, lindos carpetes em 7 comodos (possibilidade de revestimento da casinha do cachorro). Oportunidade unica". As salas de aulas aqui tem carpete, os bares sao todos forrados, e ontem vi meu primeiro banheiro de piso fofinho. Veja que maravilha, voce pode repousar os pes no chao quentinho, enquanto faz qualquer outra coisa. E se voce chegar aqui e pedir tabua-corrida vao achar que voce esta louco e quer morar com as arvores que andam no Senhos dos aneis.
Ja que falta ralo e rodo, eles substituiram esta demanda no mercado pelo aspirador de po. Eu tenho que confessar que eu ja estava ate tomando gosto pela coisa. Sujou, liga na tomada e ta limpinho. Pro meu banheiro, que nao tem carpete (que pobreza!) eh so pegar um paninho que ja vem molhado com algum produto de limpeza misterioso (vendem sacos disso aqui) e passar aonde voce quiser. Foi ai que hoje um estranho espirito de domestica baixou em mim e comecei a jogar agua pra todo lado. Esfreguei tudo, molhei ate o teto e levei umas duas horas pra secar o chao depois. Mas pelo menos nao fui derrotada pelos lencinhos umidecidos.
Blog: Karla com K

Cleaning
Quando eu fazia engenharia da computação, a única matéria de humanas que a gente tinha, no primeiro semestre, colocada lá por desencargo de consciência, era antropologia. Nela, nós basicamente aprendíamos que todas as culturas são legais e que é muito feio julgar uma cultura diferente baseando-se nos padrões de normalidade de sua própria cultura.
Isso, é claro, é muito lindo de se dizer, mas colocar em prática já são outros quinhentos. Se não fosse assim, não seria nosso assunto preferido na JD reclamar de uma das maiores faltas dos europeus, em nosso ponto de vista: a limpeza.
Nosso lema aqui é: "Por que começar? Pra que que você foi fazer isso?". Explica-se. Um belo dia, meses atrás, quando tinha acabado de me mudar pra casa onde estou morando, reparei que o fogão estava grosso de gordura, e achei que aquilo era uma vergonha. Então, apesar de nunca ter usado o fogão, peguei uma bucha, comprei um limpa-tudo dos mais fortes, e me pus a trabalhar naquele fogão. Deixei ele limpo que era uma beleza; ao fim do processo, achei por bem lavar o chão também; lavando o chão, vi que ninguém nunca tinha lavado debaixo dos armários da cozinha, muito menos entre o fogão e a geladeira; vendo isso, reparei que a porta da cozinha nunca tinha visto uma limpeza…
E assim vai. Todas as sujeiradas que você faz vista grossa no dia-a-dia saltam pra sua fuça se você começa a prestar atenção como se deve, então é uma besteira começar a acertar a limpeza caseira. Inda mais em se tratando de uma casa compartilhada com mais três europeus, que não sentem a minha necessidade de limpeza, e, apesar de acharem tudo muito lindo, não fazem esforço pra manterem as coisas como nós terceiro-mundistas achamos que elas devem ser.
Mas, como tudo tem limite, certas vezes é inevitável. E foi assim que eu me conformei a ser o guardião do banheiro. Não dos dois da casa, apenas do que eu uso.
Quando cheguei, não conseguia-se ver através do boxe do banheiro, apesar dele ser de vidro transparente. Anos e anos de espuma de tantos ocupantes que por ali passaram haviam se acumulado sem restrições, o que o havia tornado branco. MESMO. Achei que isso era um absurdo, então comprei um limpa-banheiros potente e comecei a esfregar o boxe. Horas depois, lá estava ele lá, transparente, provavelmente pela primeira vez desde que foi instalado. Então olhei para os azulejos, e reparei que o laranja do rejunte na verdade era mofo ou algo assim. Comecei a esfregar os azulejos e a sujeira começou a escorrer.
Nas vezes seguintes, olhando com atenção, percebi que ninguém nunca tinha passado um pano nas paredes, que tinham teias de aranha na quina com o teto. Atrás e debaixo do vaso sanitário, então, nem se fala. A água aqui é cheia de minerais, que vão se acumulando conforme a água pinga, e na pia, no boxe e em tudo mais os sedimentos já se empilhavam em três ou quatro eras geológicas. Quando você termina isso, percebe que os cantinhos do boxe e atrás das dobradiças da porta dele está tudo grosso de bolor. E assim vai.
Para ajudar, o único ralo existente no banheiro é o do boxe, que fica quinze centímetros acima do chão. Exatamente. Quase causei um dilúvio na primeira vez que fui lavar o banheiro da maneira que estava acostumado. O hemisfério norte tem um conceito de que o esfregão dá conta de limpar tudo que deixaria qualquer dona-de-casa ou diarista subdesenvolvida de cabelo em pé. Sinceramente, um banheiro que não tem um ralo no chão não foi feito pra ser limpo decentemente.
A parte diária da luta higiênica no banheiro é o combate aos cabelos. Porque minha mãe, minha irmã, e toda menina de boa educação tupiniquim sabe que, depois de se tomar banho, o mínimo que se deve fazer é retirar os cabelos do ralo. Infelizmente, a educação européia tem outra opinião. Assim, as minhas housemates tomam banho e deixam bolos de suas lindas melenas no ralo; o (a) seguinte ia lá, a água não descia, e, decidido a não limpar cabelo que não lhe pertencia, tirava a tampinha do ralo, já totalmente obstruída por detritos capilares. Obviamente, os cabelos dessa pessoa então descem ralo abaixo, entupindo o único ralo do banheiro, e assim todos ficam controlando o dilúvio do banho até alguém dar um jeito de desentupir aquilo.
Depois de um tempo, resolvi me resignar a remover os cabelos do ralo antes de tomar meu banho. E, assim, agora, deixo uma bucha no lado da privada, a qual utilizo todas as manhãs para remover os cabelos dos habitantes que se banharam no dia anterior. E, nessas, caí de novo numa armadilha involuntária. Um dia, por exemplo, depois de lavar o banheiro, fui jogar a água suja do balde no ralo da banheira do outro banheiro, e, quando a água baixou, vi que estava cheio de cabelo nesse ralo. Pensei eu, "poxa, enchi de cabelo o ralo da banheira, melhor tirar". E comecei a puxar. Obviamente, comecei a puxar dez anos de cabelos que tinham parado lá. Precisei de palitos e escovas pra terminar o serviço.
Essa luta acontece diariamente, entre vários brasileiros que habitam aqui. Portanto, leitores, tomem cuidado quando afirmam que estão dando uma educação européia a seus filhos; especifiquem bem o que é isso, para não acabarem com bolas de lodo no seu WC.
Blog: Chão

A lista
Há muito tempo penso em fazer uma lista aleatória de coisas que são diferentes do Rio de Janeiro em Nova York, mas só agora finalmente sentei para de fato escrever. Mais uma vez, são coisas que nem sequer questionamos até vermos que elas poderiam ser diferentes. Então, sem nenhuma particular ordem ou relevância, lá vai :
As paredes são de papel
Tente pregar qualquer coisa que pese mais que uma pena na parede e cairá tudo no chão abrindo um rombo. As paredes são feitas literalmente de papel com gesso ou algo similar, um negócio que eles chamam de drywall. Então para pregar prateleiras, por exemplo, você tem que achar as vigas que sustentam a parede e aparafusar nelas, atravessando o drywall. Mas como é que você vai saber onde estão as vigas, para começar? Bem, felizmente estamos em tempos suficientemente modernos que você possa comprar um detector eletrônico de vigas na loja de hardware mais próxima.
Os prédios são de aço
No Brasil a forma padrão de se construir um prédio com mais do que um ou dois andares é utilizar concreto armado e lajes. Não aqui. A estrutura interna do prédio é toda de vigas de aço, e os andares são feitos com chapas de metal sanfonado. É estranho ver um prédio em construção aqui - é completamente diferente.
Os banheiros não têm ralos no chão
Isso mesmo. O chão do banheiro não tem um ralo em lugar algum. Não existe isso de lavar o chão jogando um monte de água; você usa um paninho. Quero dizer, na maioria dos casos, você não usa coisa alguma, porque aqui empregada doméstica é coisa de rico e quem é que tem tempo de ficar lavando o chão do banheiro? Aliás, a maioria das pessoas nunca em tempo algum lava as janelas.
Bidês são desconhecidos
Ninguém aqui jamais ouviu falar em bidês. Nem sequer existem para vender.
Não existe porta no chuveiro
Exceto em lugares extremamente luxuosos e altamente atípicos, todo chuveiro americano é isolado do banheiro por uma cortina de plástico.
Os preços anunciados não são os que você paga
Aqui quando você vê na prateleira algo com o preço “dez dólares”, pega e vai até o caixa pagar, o preço que você efetivamente paga pode ser qualquer coisa. É costume aqui não incluir entre outras coisas os impostos (que variam com a localidade e com o produto, então é impossível prever) no preço anunciado, então você só sabe o preço que vai realmente pagar ao chegar no caixa. Logo que cheguei isso era uma surpresa constante. Eu sempre acabava gastando mais do que o planejado. Isso pra mim é maluquice. Exceto como forma de constante conscientização política, quero lá eu saber qual seria o preço sem impostos? Quero saber é quanto vou pagar… Mas o mais interessante é que isso é sim em parte uma atitude de hostilidade com relação aos impostos. Outro dia eu estava fazendo cópias de umas chaves e o velhinho ao terminar me disse “it’s 5 dollars plus the tip to the governor”.
É permitido avançar o sinal vermelho para dobrar à direita
Aliás, é permitido fazer um monte de coisas que no Brasil deixariam as pessoas de cabelos em pé. Tipo, espera-se constantemente que você use seu próprio julgamento para não fazer bobagens. Tem havido uma tendência cada vez maior para o estado virar babá do cidadão, mas ainda há uma herança muito forte de autonomia individual, tipo até você começar a abusar da sua liberdade, você pode fazer um montão de coisas.
Não é possível falar no celular no metrô
Pelo menos não em Nova York. Que é o maior sistema de metrô do mundo. A burocracia e guerra política para decidir quem instalaria o sistema e quanto custaria foram intransponíveis a ponto de nunca ter sido feito. Isso é em parte resultado do fato de que o metrô aqui está sob administração (blargh) da MTA, uma empresa semi-governamental absurda que todos odeiam.
É possível sacar dinheiro de qualquer banco em qualquer caixa eletrônico
Basicamente, qualquer ATM serve a qualquer banco. Não tem essa de procurar uma agência do seu banco. Ah, e existem ATMs em todos os lugares possíveis. A birosca do chinês da esquina tem um ATM no canto.
Não existem assaltos
Isso é obviamente um exagero, claro que existem, mas em três anos eu nunca passei nem perto de algo que parecesse motivo para me preocupar, e não conheci, encontrei ou conversei com nem uma única pessoas que tenha sido assaltada. Isso faz uma diferença que não dá nem pra descrever na qualidade de vida. Os prédios não têm grades em volta e as janelas dão para a rua. As pessoas usam laptops no metrô, no bar, no banco do parque sem qualquer preocupação. Anda-se pela rua bem vestido e com uma bolsa no ombro às três da manhã e nada acontece. Entra-se no banco pela porta da frente (não por uma porta giratória cheia de guardas de tocaia) e ninguém olha duas vezes pra você. Em contraste, acabo de passar um único mês no Brasil e roubaram meu celular no centro do Rio em plena luz do dia.
Paga-se para receber ligações no celular
Embora eu já tenha acostumado, a princípio isso foi um choque. Você paga basicamente pelo tempo em que está usando o sistema de telefonia, não interessa o motivo. Claro que dependendo do que estiver fazendo (tipo uma ligação internacional) há taxas adicionais, mas cada minuto em que você está conectado tem uma tarifa. Ah, e isso vale para mensagens de texto também. Então se alguém te manda uma mensagem de texto indesejada, ou se você recebe um telefonema com número errado, você paga assim mesmo. Que tal?
Eu provavelmente poderia pensar em mais coisas mas acho que já está comprido que chegue no momento…
Blog: O Indivíduo
Vamos deixar de lero-lero e aproveitar os novos textos.
15 de setembro de 200_
Léia,
Obrigadíssima por ligar, minha linda. Você não sabe a diferença que faz ouvir uma voz amiga do outro lado da linha. O Paulo está estudando que nem um desesperado, ainda mais agora, primeiro mês, tudo novo, língua diferente, métodos diferentes. Acredita que ele já levou esporro de orientador por ter chegado duas aulas seguidas atrasado? Repara que o atraso foi de cinco minutos, mas o Paulo teve que ouvir que era aluno profissional agora e precisava ser mais responsável! Logo ele que sempre foi tão caxias! Você tinha que ver a cara dele quando entrou em casa! Parecia o menino que apanhou da mãe! Coitadinho! Mas, enfim, como eu dizia, o homem não pára um segundo, está estressadíssimo, então, sim, eu fico muito sozinha, e tudo isso foi pra dizer que sua ligação me ganhou a semana, amiga.
Estou te escrevendo porque hoje cheguei a uma conclusão inescapável: americano não sabe limpar as coisas com água. Sério. A primeira coisa que senti falta foi de bidê, isso eu já te contei. Esse povo deve ter a maior taxa de hemorróidas do mundo se passam a vida inteira esfregando papel na bunda, só pode ser. De todos os objetos da minha casa, com certeza, sinto mais falta do meu bidêzinho, coitado, nunca dei muito valor e agora choro por ele. Na primeira semana, fiquei toda assada. Agora, estou passando por todas as marcas mais caras de papel higiênico pra ver se alguma presta.
Depois, tem o drama da falta de tanque. Anteontem, o Paulo se distraiu e pisou num cocô de cachorro. É, amiga, até no primeiro mundo tem titica de cachorro na rua. Pois bem, ele me deu o sapato pra limpar e lá fui eu toda mulherzinha pro tanque. E cadê o tanque? Não tem tanque. E não é só no meu apartamento minúsculo, não: ninguém tem tanque nessa terra. Como esse país funciona, meu Deus? Como pretendem dominar o mundo sem tanque? Onde esse povo faz limpeza pesada? Onde limpam coisas nojentas? Era pra eu limpar o cocô da sola do sapato na pia onde escovo os dentes, na pia onde lavo louça ou na banheira onde tomo banho? Sério! (Acabei limpando com um paninho umedecido e depois joguei o pano fora. E avisei ao moço que o próximo cocô ele que limpe! Melhor passar a andar olhando pro chão!)
E não tem ralo. Não tem ralo na cozinha. Não tem ralo no banheiro. Não sei nem se existe esse conceito na língua inglesa. O pior é que eu nem dei pela falta até ser tarde demais. Decidi que estava na hora de lavar o banheiro, enchi um balde, despejei a água no chão, peguei o rodo que tinha acabado de comprar, comecei a arrastar a água pro ralo… e cadê o ralo? Não tem ralo! Amiga, que ódio. Sério, me senti a completa retardada. Não tinha mais pano (aliás, essa é outra coisa que não encontro aqui, pano de chão, socorro!) e sequei tudo com toalha de papel. Lá se foi quase um rolo todo.
Menina, que país é esse? Só depois me dei conta que tinha tudo a ver com água. Não posso limpar a bunda com água, não posso limpar o chão com água, não posso limpar nada com água. Limpeza, pra esse povo, só a seco. Como, não sei. Acho que vou perguntar pra alguma colega do Paulo. Lavar chão de cozinha e chão de banheiro sem balde d’água, isso não me ensinaram. Será algum método hiper secreto ultra tecnológico que ainda não chegou no terceiro mundo? Ou será que são eles que ainda não ouviram falar desa nova e versátil invenção, a água? Existem prateleiras sem fim de produtos de limpeza (antigerme, antifungo, antimancha, antiodor, antibactericida, antimãosdepenélope, antitudo), mas água, que é bom, nada. Aquela sensação gostosa de jogar um baldão de água no piso e sentir as bolhinhas de sabão nas solas dos pés, nunca mais. Mesmo com todos os produtos de limpeza do mundo, a casa fica sempre com aquele cheiro de meia usada, aquela sensação de banho de gato. Um horror. Não tem incenso que resolva.
Pois bem, minha linda, vai agora no seu banheiro e dá um belo abraço no seu ralo (beijo, não, ele pode ficar convencido!) e agradeça por ele estar lá. Quando é que eu iria imaginar que eu, chiquerrérrima, morando em Manhattan, o umbigo do mundo etc etc, a coisa que mais sentiria falta do Brasil seria justamente… meu ralo!
Da sua amiga faxineira mal-resolvida,
Penélope em Nova Iorque
PS: Na verdade, não sei se é falta de ralo ou falta da Dona Lourdes. Se ela estivesse aqui, com certeza daria um jeito de deixar a casa um brinco sem precisar de água. Ai, ai, saudades da Dona Lourdes…
Blog: E-mails de Nova York

Diferenças
Morando em outro País, a melhor coisa é tentar aprender tudo nesse novo lar: a língua, os hábitos, a cultura, as etiquetas sociais, a mentalidade, etc .. Alguns países sao mais fáceis que outros mas nunca é a casa da gente. Mas a gente tenta.
Eu acho que lutei muito e depois de vários anos consegui me adaptar e me sentir feliz. Porque acho que esse é o objetivo principal. Se sentir feliz onde quer que voce esteja.
Mas algumas coisas sao difíceis de engolir. E nao precisa ser grande coisa nao.
Por exemplo, na Alemanha
- nao existe ralo. Ralo nos banheiros, ralo na cozinha, ralo no quintal. Nao tem. Voce nao consegue jogar água, passar uma boa vassoura com sabao em pó ou detergente, depois o rodo. Porque nao tem para onde cair a água. Se voce jogar água de balde no banheiro é bem capaz de tudo correr escada abaixo lá prá sala. Entao voce tem que, no máximo, ter umas vassouras especiais aqui com paninhos aveludados que voce umedece, passa e torce e emudece, passa e torce.
- nao existe lavanderia. Mas tem Keller - porao. Entao a grande maioria das casas tem suas máquinas de lavar-roupa e de secar, baldes, aspiradores de pó e produtos de limpeza no Keller. Só que os sobrados aqui tem tres andares!! Voce tem que ir para o Keller pegar tuda a tralha e subir tres andares para comecar a faxina do quarto lá em cima, aí descer com cesto de roupa suja para o Keller e subir para terminar a limpeza e descer para por a roupa para secar e aí sentar na escada no meio do caminho e chorar. E depois da casa limpa e roupa lavada, voce carrega a tábua de passar-roupa para a sala e faz esse servico assistindo TV e depois tem que descer a tábua e subir com as roupas. Fala a verdade: é um martírio.
- nao existe tanque. Claro, se nao tem lavanderia, nao tem ralo, para que o tanque? Eu nao sei onde esse povo que nao tem Keller onde eles colocam todas as tralhas de limpeza!!!
Como íamos mudar, tentei mudar tudo e resolver todos os problemas de uma vez só. Nao teremos Keller, teremos somente dois andares e quis um tanque. Saiu caro esse tanque por nao ser muito comum mas fiquei toda feliz e na maior ansiedade para receber o meu tanque onde teria uma torneira alta para poder enfiar um balde sem precisar ter que ir ao chuveiro. Um tanque para lavar os tenis sujos da criancas, um paninho de limpeza ou a grelha durante o verao.
Cheguei na casa toda ansiosa para ver como era um tanque alemao e achei isso: Apresento a voces um tanque alemao.

Blog: O dia-a-dia dos Pohlminhas...

choque cultural & feijão preto
Meus anos no Canadá foram um laboratório que me preparou para adotar um novo país. Lá eu não era imigrante, estava somente de passagem, mas mesmo assim inicialmente passei por todos os processos de adaptação necessários para me integrar a uma vida nova, com clima novo, língua nova, elementos culturais novos. Acontece com todo mundo, aconteceu comigo. O surto maior durantes todos os meus anos canadenses foi não poder lavar o banheiro. Onde está o maldito ralo?? Era a pergunta que eu não conseguia fazer calar, até aceitar o fato inexorável de que naquele país não se lava banheiro e pronto. Não foi fácil, mas todos os choques culturais que enfrentei lá me ajudaram numa adaptação mais tranquila aqui. Eu já cheguei nos EUA ajustada.
Um dos processos pelo qual passei foi o da aceitação dos novos ingredientes gastronômicos locais e o da autenticação da cultura gastronômica que eu trazia comigo. Você quer mostrar de onde veio, não só através da língua, música, costumes e comportamento, mas também através da comida.
A universidade que engoliu meu marido num programa de PhD promovia todo inicio de ano letivo sessões de orientação para os novos estudantes internacionais. Tendo participado do evento na condição de esposa do estudante internacional, percebi o quanto era importante tudo aquilo. Me inscrevi como voluntária para trabalhar nos anos seguintes. Havia posições em diversos pontos estratégicos, você podia ser guia de tours, dar palestras, ajudar na organizacão dos eventos acadêmicos ou culturais e também poderia ajudar na cozinha. Serviam-se lanchinhos para os participantes, que eram preparados e empacotados pelos voluntários da cozinha. Nem preciso dizer que a cozinha era o lugar menos atrativo, pois todos queriam voluntariar em posições mais bacanudas, demonstrando suas habilidades intelectuais e interagindo mais intensamente com o grupo de organizadores e os novos estudantes. Ser voluntário na cozinha não tinha concorrência, muito pelo contrário, nem sempre conseguíamos um número necessário de pessoas. Mas todo ano eu estava la, junto com os sempre presentes usual suspects. Era uma turma legal, com estrangeiros e nativos, que devido ao confinamento e as horas passadas juntos cortando cenouras em tiras ou tomates em rodelas, formou algumas boas amizades.
Mas o bacana desse voluntariado na cozinha era que no último dia da orientação rolava um banquete organizado por nós. Tínhamos que trazer pratos típicos de diferentes países, geralmente doados ou feitos pelos próprios voluntários. Essa era a parte que eu mais gostava, pois chegava a hora daquela gente bronzeada mostrar o seu valor, abafando com um belo e saboroso prato tradicional brasileiro. Desde o primeiro ano, a feijoada tinha sido eleita por mim o prato fino da bossa para representar o Brasil no banquete. Porque era bem típico, tinha uma história legal pra se contar se precisasse entreter a galera curiosa e era fácil de fazer em quantidade. Eu adaptava as linguiças, usava as polonesas e russas que abundavam por lá e adicionava beef jerk no lugar da carne seca. O resto eu fazia igual, feijão preto, bacon, alho, azeite, folhas de louro, panelão que cozinhava por longas horas até o caldo ficar grossão. Quando eu finalmente levava a panela de feijão para a festa era um extase coletivo. A minha feijoada era o prato mais esperado da noite, seguido pelas samosas preparadas por uma senhora indiana e que eram, sem dúvida nenhuma, as melhores que já comi na minha vida. No dia do banquete os voluntários da cozinha saiam do ostracismo do confinamento e viravam estrelas, protagonistas da festa. Vestidos com nossas roupetas mais bacanas e ostentando os nossos sorrisos mais amigáveis, servíamos os rangos internacionais, explicando fatos de cada país, tradição e ingredientes. No meu caso, quando eu me prostava em frente ao panelão segurando a concha que eu mergulhava sem parar na deliciosa feijoada, era só dizer—Brazilian black beans para provocar um excitamento geral na malta, que às vezes se recolocava novamente na fila para, timidamente, pedir para repetir. Nem sempre sobrava para os voluntários, então adotamos o hábito de separar porções individuais da feijoada antecipadamente. Claro que todo ano durante o banquete tinha sempre um ou outro que fazia aquela cara de fuínha quando eu pronunciava as palavras mágicas—Brazilian black beans. Se a cara entortava em sinal de nojo ou medo, eu já dizia sorrindo—acho que você vai se arrepender, e não vai poder voltar atrás, porque os feijões brasileiros NUNCA sobram pra contar a história!
BLOG: Chucrute com Salsicha

O ralo, o rodo e a insignificancia que eles tem no velho mundo
Nao existe a palavra "rodo" no meu dicionario de ingles. E olha que eh um Michaelis novinho, que comprei na Leitura antes de vir. E ai comecei a entender os motivos de terem usurpado este vocabulo tao util do dia-a-dia das donas-de-casa no Brasil.
Voce nao precisa de um rodo aqui primeiro porque se voce jogar agua no chao voce esta literalmente ferrado. Nao existe ralo no chao do banheiro, nem da cozinha, nem de lugar nenhum. Ralo eh uma outra palavra, que vem junto com pia ou box do chuveiro. Segundo, voce nao precisa de um rodo aqui porque de onde voce quer puxar agua se todo lugar que voce vai aqui eh encarpetado? Existe uma estranha predilecao inglesa por pisos cobertos com este tecido feito de acaros. E quanto mais comodos da casa encarpetados, melhor. "Vende-se casa, lindos carpetes em 7 comodos (possibilidade de revestimento da casinha do cachorro). Oportunidade unica". As salas de aulas aqui tem carpete, os bares sao todos forrados, e ontem vi meu primeiro banheiro de piso fofinho. Veja que maravilha, voce pode repousar os pes no chao quentinho, enquanto faz qualquer outra coisa. E se voce chegar aqui e pedir tabua-corrida vao achar que voce esta louco e quer morar com as arvores que andam no Senhos dos aneis.
Ja que falta ralo e rodo, eles substituiram esta demanda no mercado pelo aspirador de po. Eu tenho que confessar que eu ja estava ate tomando gosto pela coisa. Sujou, liga na tomada e ta limpinho. Pro meu banheiro, que nao tem carpete (que pobreza!) eh so pegar um paninho que ja vem molhado com algum produto de limpeza misterioso (vendem sacos disso aqui) e passar aonde voce quiser. Foi ai que hoje um estranho espirito de domestica baixou em mim e comecei a jogar agua pra todo lado. Esfreguei tudo, molhei ate o teto e levei umas duas horas pra secar o chao depois. Mas pelo menos nao fui derrotada pelos lencinhos umidecidos.
Blog: Karla com K

Cleaning
Quando eu fazia engenharia da computação, a única matéria de humanas que a gente tinha, no primeiro semestre, colocada lá por desencargo de consciência, era antropologia. Nela, nós basicamente aprendíamos que todas as culturas são legais e que é muito feio julgar uma cultura diferente baseando-se nos padrões de normalidade de sua própria cultura.
Isso, é claro, é muito lindo de se dizer, mas colocar em prática já são outros quinhentos. Se não fosse assim, não seria nosso assunto preferido na JD reclamar de uma das maiores faltas dos europeus, em nosso ponto de vista: a limpeza.
Nosso lema aqui é: "Por que começar? Pra que que você foi fazer isso?". Explica-se. Um belo dia, meses atrás, quando tinha acabado de me mudar pra casa onde estou morando, reparei que o fogão estava grosso de gordura, e achei que aquilo era uma vergonha. Então, apesar de nunca ter usado o fogão, peguei uma bucha, comprei um limpa-tudo dos mais fortes, e me pus a trabalhar naquele fogão. Deixei ele limpo que era uma beleza; ao fim do processo, achei por bem lavar o chão também; lavando o chão, vi que ninguém nunca tinha lavado debaixo dos armários da cozinha, muito menos entre o fogão e a geladeira; vendo isso, reparei que a porta da cozinha nunca tinha visto uma limpeza…
E assim vai. Todas as sujeiradas que você faz vista grossa no dia-a-dia saltam pra sua fuça se você começa a prestar atenção como se deve, então é uma besteira começar a acertar a limpeza caseira. Inda mais em se tratando de uma casa compartilhada com mais três europeus, que não sentem a minha necessidade de limpeza, e, apesar de acharem tudo muito lindo, não fazem esforço pra manterem as coisas como nós terceiro-mundistas achamos que elas devem ser.
Mas, como tudo tem limite, certas vezes é inevitável. E foi assim que eu me conformei a ser o guardião do banheiro. Não dos dois da casa, apenas do que eu uso.
Quando cheguei, não conseguia-se ver através do boxe do banheiro, apesar dele ser de vidro transparente. Anos e anos de espuma de tantos ocupantes que por ali passaram haviam se acumulado sem restrições, o que o havia tornado branco. MESMO. Achei que isso era um absurdo, então comprei um limpa-banheiros potente e comecei a esfregar o boxe. Horas depois, lá estava ele lá, transparente, provavelmente pela primeira vez desde que foi instalado. Então olhei para os azulejos, e reparei que o laranja do rejunte na verdade era mofo ou algo assim. Comecei a esfregar os azulejos e a sujeira começou a escorrer.
Nas vezes seguintes, olhando com atenção, percebi que ninguém nunca tinha passado um pano nas paredes, que tinham teias de aranha na quina com o teto. Atrás e debaixo do vaso sanitário, então, nem se fala. A água aqui é cheia de minerais, que vão se acumulando conforme a água pinga, e na pia, no boxe e em tudo mais os sedimentos já se empilhavam em três ou quatro eras geológicas. Quando você termina isso, percebe que os cantinhos do boxe e atrás das dobradiças da porta dele está tudo grosso de bolor. E assim vai.
Para ajudar, o único ralo existente no banheiro é o do boxe, que fica quinze centímetros acima do chão. Exatamente. Quase causei um dilúvio na primeira vez que fui lavar o banheiro da maneira que estava acostumado. O hemisfério norte tem um conceito de que o esfregão dá conta de limpar tudo que deixaria qualquer dona-de-casa ou diarista subdesenvolvida de cabelo em pé. Sinceramente, um banheiro que não tem um ralo no chão não foi feito pra ser limpo decentemente.
A parte diária da luta higiênica no banheiro é o combate aos cabelos. Porque minha mãe, minha irmã, e toda menina de boa educação tupiniquim sabe que, depois de se tomar banho, o mínimo que se deve fazer é retirar os cabelos do ralo. Infelizmente, a educação européia tem outra opinião. Assim, as minhas housemates tomam banho e deixam bolos de suas lindas melenas no ralo; o (a) seguinte ia lá, a água não descia, e, decidido a não limpar cabelo que não lhe pertencia, tirava a tampinha do ralo, já totalmente obstruída por detritos capilares. Obviamente, os cabelos dessa pessoa então descem ralo abaixo, entupindo o único ralo do banheiro, e assim todos ficam controlando o dilúvio do banho até alguém dar um jeito de desentupir aquilo.
Depois de um tempo, resolvi me resignar a remover os cabelos do ralo antes de tomar meu banho. E, assim, agora, deixo uma bucha no lado da privada, a qual utilizo todas as manhãs para remover os cabelos dos habitantes que se banharam no dia anterior. E, nessas, caí de novo numa armadilha involuntária. Um dia, por exemplo, depois de lavar o banheiro, fui jogar a água suja do balde no ralo da banheira do outro banheiro, e, quando a água baixou, vi que estava cheio de cabelo nesse ralo. Pensei eu, "poxa, enchi de cabelo o ralo da banheira, melhor tirar". E comecei a puxar. Obviamente, comecei a puxar dez anos de cabelos que tinham parado lá. Precisei de palitos e escovas pra terminar o serviço.
Essa luta acontece diariamente, entre vários brasileiros que habitam aqui. Portanto, leitores, tomem cuidado quando afirmam que estão dando uma educação européia a seus filhos; especifiquem bem o que é isso, para não acabarem com bolas de lodo no seu WC.
Blog: Chão

A lista
Há muito tempo penso em fazer uma lista aleatória de coisas que são diferentes do Rio de Janeiro em Nova York, mas só agora finalmente sentei para de fato escrever. Mais uma vez, são coisas que nem sequer questionamos até vermos que elas poderiam ser diferentes. Então, sem nenhuma particular ordem ou relevância, lá vai :
As paredes são de papel
Tente pregar qualquer coisa que pese mais que uma pena na parede e cairá tudo no chão abrindo um rombo. As paredes são feitas literalmente de papel com gesso ou algo similar, um negócio que eles chamam de drywall. Então para pregar prateleiras, por exemplo, você tem que achar as vigas que sustentam a parede e aparafusar nelas, atravessando o drywall. Mas como é que você vai saber onde estão as vigas, para começar? Bem, felizmente estamos em tempos suficientemente modernos que você possa comprar um detector eletrônico de vigas na loja de hardware mais próxima.
Os prédios são de aço
No Brasil a forma padrão de se construir um prédio com mais do que um ou dois andares é utilizar concreto armado e lajes. Não aqui. A estrutura interna do prédio é toda de vigas de aço, e os andares são feitos com chapas de metal sanfonado. É estranho ver um prédio em construção aqui - é completamente diferente.
Os banheiros não têm ralos no chão
Isso mesmo. O chão do banheiro não tem um ralo em lugar algum. Não existe isso de lavar o chão jogando um monte de água; você usa um paninho. Quero dizer, na maioria dos casos, você não usa coisa alguma, porque aqui empregada doméstica é coisa de rico e quem é que tem tempo de ficar lavando o chão do banheiro? Aliás, a maioria das pessoas nunca em tempo algum lava as janelas.
Bidês são desconhecidos
Ninguém aqui jamais ouviu falar em bidês. Nem sequer existem para vender.
Não existe porta no chuveiro
Exceto em lugares extremamente luxuosos e altamente atípicos, todo chuveiro americano é isolado do banheiro por uma cortina de plástico.
Os preços anunciados não são os que você paga
Aqui quando você vê na prateleira algo com o preço “dez dólares”, pega e vai até o caixa pagar, o preço que você efetivamente paga pode ser qualquer coisa. É costume aqui não incluir entre outras coisas os impostos (que variam com a localidade e com o produto, então é impossível prever) no preço anunciado, então você só sabe o preço que vai realmente pagar ao chegar no caixa. Logo que cheguei isso era uma surpresa constante. Eu sempre acabava gastando mais do que o planejado. Isso pra mim é maluquice. Exceto como forma de constante conscientização política, quero lá eu saber qual seria o preço sem impostos? Quero saber é quanto vou pagar… Mas o mais interessante é que isso é sim em parte uma atitude de hostilidade com relação aos impostos. Outro dia eu estava fazendo cópias de umas chaves e o velhinho ao terminar me disse “it’s 5 dollars plus the tip to the governor”.
É permitido avançar o sinal vermelho para dobrar à direita
Aliás, é permitido fazer um monte de coisas que no Brasil deixariam as pessoas de cabelos em pé. Tipo, espera-se constantemente que você use seu próprio julgamento para não fazer bobagens. Tem havido uma tendência cada vez maior para o estado virar babá do cidadão, mas ainda há uma herança muito forte de autonomia individual, tipo até você começar a abusar da sua liberdade, você pode fazer um montão de coisas.
Não é possível falar no celular no metrô
Pelo menos não em Nova York. Que é o maior sistema de metrô do mundo. A burocracia e guerra política para decidir quem instalaria o sistema e quanto custaria foram intransponíveis a ponto de nunca ter sido feito. Isso é em parte resultado do fato de que o metrô aqui está sob administração (blargh) da MTA, uma empresa semi-governamental absurda que todos odeiam.
É possível sacar dinheiro de qualquer banco em qualquer caixa eletrônico
Basicamente, qualquer ATM serve a qualquer banco. Não tem essa de procurar uma agência do seu banco. Ah, e existem ATMs em todos os lugares possíveis. A birosca do chinês da esquina tem um ATM no canto.
Não existem assaltos
Isso é obviamente um exagero, claro que existem, mas em três anos eu nunca passei nem perto de algo que parecesse motivo para me preocupar, e não conheci, encontrei ou conversei com nem uma única pessoas que tenha sido assaltada. Isso faz uma diferença que não dá nem pra descrever na qualidade de vida. Os prédios não têm grades em volta e as janelas dão para a rua. As pessoas usam laptops no metrô, no bar, no banco do parque sem qualquer preocupação. Anda-se pela rua bem vestido e com uma bolsa no ombro às três da manhã e nada acontece. Entra-se no banco pela porta da frente (não por uma porta giratória cheia de guardas de tocaia) e ninguém olha duas vezes pra você. Em contraste, acabo de passar um único mês no Brasil e roubaram meu celular no centro do Rio em plena luz do dia.
Paga-se para receber ligações no celular
Embora eu já tenha acostumado, a princípio isso foi um choque. Você paga basicamente pelo tempo em que está usando o sistema de telefonia, não interessa o motivo. Claro que dependendo do que estiver fazendo (tipo uma ligação internacional) há taxas adicionais, mas cada minuto em que você está conectado tem uma tarifa. Ah, e isso vale para mensagens de texto também. Então se alguém te manda uma mensagem de texto indesejada, ou se você recebe um telefonema com número errado, você paga assim mesmo. Que tal?
Eu provavelmente poderia pensar em mais coisas mas acho que já está comprido que chegue no momento…
Blog: O Indivíduo
2 de nov de 2007
25 de abr de 2007
acho que dá pra se habituar a quase tudo, mas tem uma coisa que tá difícil: os banheiros e cozinhas não têm ralo. assim que chegamos em casa demos uma geral, claro, e ensopamos o chão dos banheiros e da cozinha. só depois notamos a falta de um ralo e tivemos que ficar lá recolhendo a água do chão com pano, uma cena ridícula. 'facto' é que eu sempre achei que vasos sanitários precisam ser lavados em água corrente. e ainda acho e continuo fazendo assim, mas imaginem o trabalho que é fazer isso sem um ralo no chão...
Blog: Estou?
Blog: Estou?
As mais pedidas: Como lavar um banheiro no Exterior
Devido a inúmeras solicitaçoes segue abaixo email enviado em dez/2004
Liçao de como fazer uma burrada, dizem que quando uma pessoa faz uma bobagem pela primeria vez é inocente, pela segunda é burro mesmo!
Claro que quando estamos em outro país damos um monte de bola fora e outras coisas, ainda mais falando espanhol que parece tao simples mas é as vezes nos complicamos.
Segue algumas pérolas:
-Eu solicitei a dona do apto mais panelas e ela apareceu com 5 cabides!
- Outro dia na carniceria (açougue) vi que a carne moida estava barata alguma coisa como 8,99 € o quilo, comprei 300 gramas e quando fui cozinhar descobri que era carne de porco!
- Fui comprar pimenta e comprei um doce de pimentao que creio é para ser utilizado como geléia.
- Aproveitei tambem uma oferta e comprei 3 quilos de batata por 1€, como tava na promoçao levei logo 6 quilos, comi todas as versoes de batata cozida, frita, ao molho e purê por 15 dias, nao posso nem ver mais batata. (dá risada da desgraça alheia)
Mas deixem-me contar a historia pelo inicio, em 1998 quando moravam em Barcelona resolvi lavar a cozinha porque estava muito porca, e nao tinha ralo na bendita da cozinha, é claro que só descobri isto depois de jogar um monte de agua e alagar a cozinha.
Agora morando de novo na Espanha porém em Malaga, fazendo meu doutorado, dividindo um apto com 1 espanhol, 1 francês e 1 suisso, eu me deparo com o banheiro mais sujo que de rodoviária do interior depois de que ônibus carregado de gente com diarréia passou por ali, não tinha insetos porque creio que eles se grudabam pelos azulejos e morriam, para pendurar a toalha bastava joga-la na parede que ela grudava. Canto nao tinha a craca havia incrustado no azulejo de um jeito que parecia fazer parte, entre os azulejos eu pensava que tinham usado aquela massinha preta, nao era! Era craca mesmo.
Tinho um cheirinho que fazia com que as pessoas nao ficassem muito tempo no banheiro e que nao tinha desodorizador que resolva, é um outro universo aqui quando uma coisa fede em vez de lavar as pessoas jogam perfume ou um produto de limpeza.
Sempre tomei banho de chinelo, (benditos havaiana) porque tinha medo de pisar no chão da banheira. Aqui é com aqueles chuveirinho que quando alguém abre a torneira da cozinha esfria o chuveiro, é sempre um berreiro. Claro que não estou acostumado a segurar o chuverinho com uma mão e me lavar com a outra, geralmente molho todo o banheiro num banho.
Mas, 1 mes na Espanha, resolvi comemorar com um banho de banheira daqueles, é claro que antes ia lavar o banheiro. Sai e comprei uma cepilho de plancha (escova), esponja de aço e vários produtos de limpeza. Olodum no som, vinho, água fervendo do chuveiro e todos os produtos químicos imagináveis, uma faca, balde, coragem (estava um frio daqueles).
Lá vou eu para o banheiro, os meus colegas de apto nunca tinham lavado o banheiro, tiraram sarro e depois tiraram fotos. Agora chega a parte de burrrice, tinha um pedaço de lata emparafusado no chão que eu com minha vasta experiência supuz ser um ralo, água fervendo para lá, água para cá, comecei a lavar as paredes, a pia e o bidê e de repente tinha uma piscina no banheiro, a água não saia, desemparafusei a bendita da lata e ela simplesmente estava tampando um pedaco de azulejo que faltava.
Pode um banheiro sem ralo!
Resultado da aventura: um banheiro inundado, uma goteira no apto de baixo, reclamação da dona porque estava desperdiçando água, e não tomei banho de banheira, porque estava tão cansado de puxar água do chao, que simplesmente terminei de limpar e fui descansar.
Ah o banheiro ficou lindo, limpíssimo por mais 2 dias! Até o dia da diarréia do frances, mas isto é outra historia.
Blog: Eu Juro que vim para Estudar
Devido a inúmeras solicitaçoes segue abaixo email enviado em dez/2004
Liçao de como fazer uma burrada, dizem que quando uma pessoa faz uma bobagem pela primeria vez é inocente, pela segunda é burro mesmo!
Claro que quando estamos em outro país damos um monte de bola fora e outras coisas, ainda mais falando espanhol que parece tao simples mas é as vezes nos complicamos.
Segue algumas pérolas:
-Eu solicitei a dona do apto mais panelas e ela apareceu com 5 cabides!
- Outro dia na carniceria (açougue) vi que a carne moida estava barata alguma coisa como 8,99 € o quilo, comprei 300 gramas e quando fui cozinhar descobri que era carne de porco!
- Fui comprar pimenta e comprei um doce de pimentao que creio é para ser utilizado como geléia.
- Aproveitei tambem uma oferta e comprei 3 quilos de batata por 1€, como tava na promoçao levei logo 6 quilos, comi todas as versoes de batata cozida, frita, ao molho e purê por 15 dias, nao posso nem ver mais batata. (dá risada da desgraça alheia)
Mas deixem-me contar a historia pelo inicio, em 1998 quando moravam em Barcelona resolvi lavar a cozinha porque estava muito porca, e nao tinha ralo na bendita da cozinha, é claro que só descobri isto depois de jogar um monte de agua e alagar a cozinha.
Agora morando de novo na Espanha porém em Malaga, fazendo meu doutorado, dividindo um apto com 1 espanhol, 1 francês e 1 suisso, eu me deparo com o banheiro mais sujo que de rodoviária do interior depois de que ônibus carregado de gente com diarréia passou por ali, não tinha insetos porque creio que eles se grudabam pelos azulejos e morriam, para pendurar a toalha bastava joga-la na parede que ela grudava. Canto nao tinha a craca havia incrustado no azulejo de um jeito que parecia fazer parte, entre os azulejos eu pensava que tinham usado aquela massinha preta, nao era! Era craca mesmo.
Tinho um cheirinho que fazia com que as pessoas nao ficassem muito tempo no banheiro e que nao tinha desodorizador que resolva, é um outro universo aqui quando uma coisa fede em vez de lavar as pessoas jogam perfume ou um produto de limpeza.
Sempre tomei banho de chinelo, (benditos havaiana) porque tinha medo de pisar no chão da banheira. Aqui é com aqueles chuveirinho que quando alguém abre a torneira da cozinha esfria o chuveiro, é sempre um berreiro. Claro que não estou acostumado a segurar o chuverinho com uma mão e me lavar com a outra, geralmente molho todo o banheiro num banho.
Mas, 1 mes na Espanha, resolvi comemorar com um banho de banheira daqueles, é claro que antes ia lavar o banheiro. Sai e comprei uma cepilho de plancha (escova), esponja de aço e vários produtos de limpeza. Olodum no som, vinho, água fervendo do chuveiro e todos os produtos químicos imagináveis, uma faca, balde, coragem (estava um frio daqueles).
Lá vou eu para o banheiro, os meus colegas de apto nunca tinham lavado o banheiro, tiraram sarro e depois tiraram fotos. Agora chega a parte de burrrice, tinha um pedaço de lata emparafusado no chão que eu com minha vasta experiência supuz ser um ralo, água fervendo para lá, água para cá, comecei a lavar as paredes, a pia e o bidê e de repente tinha uma piscina no banheiro, a água não saia, desemparafusei a bendita da lata e ela simplesmente estava tampando um pedaco de azulejo que faltava.
Pode um banheiro sem ralo!
Resultado da aventura: um banheiro inundado, uma goteira no apto de baixo, reclamação da dona porque estava desperdiçando água, e não tomei banho de banheira, porque estava tão cansado de puxar água do chao, que simplesmente terminei de limpar e fui descansar.
Ah o banheiro ficou lindo, limpíssimo por mais 2 dias! Até o dia da diarréia do frances, mas isto é outra historia.
Blog: Eu Juro que vim para Estudar
11 de abr de 2007
Detalhes tão pequenos que quase passam desapercebidos:
No metrô:
Dentro dos vagões, como sói, há um sistema de som que anuncia as próximas paradas. O detalhe é que aqui esse sistema é padronizado em todas as (segurem-se nas cadeiras) 12 linhas e no ramal que liga duas dessas linhas. Antes de o trem chegar a qualquer das 157 estações, uma voz de homem anuncia:
Próxima parada...
e uma suave voz feminina arremata:
Opera.
Novamente o nosso tenor:
Correspondencia con...
e ela:
Línea 2 y ramal Opera-Príncipe Pio.
Esse jograu é encantador.
Música:
Como se ouvir os anúncios das paradas já não fosse melodia suficiente para os ouvidos, há muita gente tocando de tudo nos corredores do metrô. Agora uma curiosidade: já ouvi o tico-tico no fubá tocado num telado e numa guitarra dentro desses túneis.
Quer mais? Já ouvi o tico-tico no fubá na minha rua, interpretado por um sanfoneiro cigano.
Ainda não é o bastante? Então preparem-se: hoje, chegando em casa, um velhinho está tocando a sanfona. A música me era familiar, mas eu não reconhecia... Era porque faltavam os aplausos do auditório "lá, lá, lá, lá - hey - lá, lá, lá, lá... Agora é hora de alegria vamos sorrir e cantar do mundo não se leva nada vamos sorrir e cantar
lá, lá, lá, lá... lá, lá, lá, lá".
Impressionante? Não, ainda não.
Higiene:
No mundo espanhol/europeu não existe tradução para a palavra rodo. O motivo é muito simples: não existe rodo! E como se lava uma cozinha, pergunta o leitor mais experimentado. Não se lava. A minha cozinha não tem ralo. O meu banheiro não tem ralo. Não tem rodo em casa. Que desespero! Em contrapartida os banheiros são mais cheirosos porque não há um cesto de papéis - tudo descarga abaixo.
Esninar português:
É divertidíssimo, acreditem! As pérolas que ouvimos são fabulosas. Exemplo:
- Queria fazer uma pregunta...
- Pergunta se diz em português.
- Ahhh... pergunta.
e, um minuto depois, o mesmo espanhol, orgulhoso de si, me diz o que faz na empresa:
- Sou porgamador.
- Programador.
- Mas não é pergunta?
Na outra aula, eles aprendendo os números. Cada um da roda de quatro dizia um número, de um a vinte, em sentido horário.
- ...
- Nove.
- Dez.
- Doze.
E eu intercedo:
- Faltou o onze!
Nada nesse mundo vai sem tréplica:
- Ué, a semana não começa na SEGUNDA-feira? Então!
No fundo eu me divirto muito. E o pior é que estou tomando carinho pelos alunos. Que merda! Eles sõ minha fonte de euros, não objetos da minha atenção!
Hoje fiquei uma hora depois da aula para a Francesa batendo papo com ela e a vizinha, outra francesa, que morou no Rio por muitos anos. Ela talvez me traga cigarros do Brasil quando voltar das férias dela de uma semana. E já me disse que vai dar umas dicas quentes do que fazer em Paris.
Cadê o distanciamento profissional, puta merda!
Blog: O Guarda Livros
No metrô:
Dentro dos vagões, como sói, há um sistema de som que anuncia as próximas paradas. O detalhe é que aqui esse sistema é padronizado em todas as (segurem-se nas cadeiras) 12 linhas e no ramal que liga duas dessas linhas. Antes de o trem chegar a qualquer das 157 estações, uma voz de homem anuncia:
Próxima parada...
e uma suave voz feminina arremata:
Opera.
Novamente o nosso tenor:
Correspondencia con...
e ela:
Línea 2 y ramal Opera-Príncipe Pio.
Esse jograu é encantador.
Música:
Como se ouvir os anúncios das paradas já não fosse melodia suficiente para os ouvidos, há muita gente tocando de tudo nos corredores do metrô. Agora uma curiosidade: já ouvi o tico-tico no fubá tocado num telado e numa guitarra dentro desses túneis.
Quer mais? Já ouvi o tico-tico no fubá na minha rua, interpretado por um sanfoneiro cigano.
Ainda não é o bastante? Então preparem-se: hoje, chegando em casa, um velhinho está tocando a sanfona. A música me era familiar, mas eu não reconhecia... Era porque faltavam os aplausos do auditório "lá, lá, lá, lá - hey - lá, lá, lá, lá... Agora é hora de alegria vamos sorrir e cantar do mundo não se leva nada vamos sorrir e cantar
lá, lá, lá, lá... lá, lá, lá, lá".
Impressionante? Não, ainda não.
Higiene:
No mundo espanhol/europeu não existe tradução para a palavra rodo. O motivo é muito simples: não existe rodo! E como se lava uma cozinha, pergunta o leitor mais experimentado. Não se lava. A minha cozinha não tem ralo. O meu banheiro não tem ralo. Não tem rodo em casa. Que desespero! Em contrapartida os banheiros são mais cheirosos porque não há um cesto de papéis - tudo descarga abaixo.
Esninar português:
É divertidíssimo, acreditem! As pérolas que ouvimos são fabulosas. Exemplo:
- Queria fazer uma pregunta...
- Pergunta se diz em português.
- Ahhh... pergunta.
e, um minuto depois, o mesmo espanhol, orgulhoso de si, me diz o que faz na empresa:
- Sou porgamador.
- Programador.
- Mas não é pergunta?
Na outra aula, eles aprendendo os números. Cada um da roda de quatro dizia um número, de um a vinte, em sentido horário.
- ...
- Nove.
- Dez.
- Doze.
E eu intercedo:
- Faltou o onze!
Nada nesse mundo vai sem tréplica:
- Ué, a semana não começa na SEGUNDA-feira? Então!
No fundo eu me divirto muito. E o pior é que estou tomando carinho pelos alunos. Que merda! Eles sõ minha fonte de euros, não objetos da minha atenção!
Hoje fiquei uma hora depois da aula para a Francesa batendo papo com ela e a vizinha, outra francesa, que morou no Rio por muitos anos. Ela talvez me traga cigarros do Brasil quando voltar das férias dela de uma semana. E já me disse que vai dar umas dicas quentes do que fazer em Paris.
Cadê o distanciamento profissional, puta merda!
Blog: O Guarda Livros
Em Angola não tem ralo!
Quem disse que não há água em Luanda? Esse final de semana tive uma piscina particular em casa.
Imaginem a cena: Estava eu, sábado a tarde, por volta das 18:00 h, com o reabastecimento estabelecido por volta das 17:00 h, no computador, após a
tarde inteira de falta de água. Sérgio ou eu, vai encontrar o culpado nessas horas, deixamos uma torneira aberta. No auge da minha empolgação,
estava jogando Batlefield 1942, o meu pé fica um pouco molhado. O nosso ar-condicionado da sala está com alguns problemas e acreditei que este
estava a produzir água. Sem nem olhar para o aparelho, peguei o controle, que estava ao meu lado, e o desliguei. Voltei ao jogo claro, afinal estava
em uma batalha que ocorria no oceano, em uma ilha, bem sugestivo eh? Bom, com mais cinco minutos, o meu pé estava mais molhado ainda. Decidi
me levantar para investigar.
A muito contra gosto parei o jogo e me virei. A cena que presenciei, sinceramente me assustou, mas não mais do que a que eu estava para ver. A
sala inteira estava sob um centímetro de água. Estranhei e comecei a andar. Nesse momento escutei uma torneira, parecia vir do banheiro. Tentei
abrir a porta do banheiro, mas ela simplesmente não abriu. Vale colocar aqui que a nossa porta não esta muito legal, ao fechar, ela arrasta um pouco
no chão. Forcei um pouco mais a entrada, nada. Forcei ainda mais, foi então que a porta cedeu.
Abrindo a porta, o resultado parecia o de um filme. No banheiro havia, sem exagero, 30 cm de água. O balde do banheiro boiava igual a um
barquinho. Os peixes, nesse mar, eram duas meias e uma cueca que lá se encontravam a relaxar. A água saiu como uma onda com a abertura da
porta. A casa inteira terminou de inundar, desde a cozinha, os dois quartos, a sala toda, varanda, simplesmente tudo.
Agora vem a melhor parte, não tem ralo na casa. Isso mesmo não tem ralo. As únicas formas de escoar a água são ou pelas pias ou pela banheira.
Nessa altura a água que já estava saindo pela porta da sala, começou realmente a escoar pelo corredor. Liguei para o meu Kamba Sérgio e contei a
ele o ocorrido. Enquanto eu esperava pelo Sérgio, procurava desesperado por um ralo.
Chegaram Sérgio, Carol, Cris e outra menina que conheci no dilúvio. As meninas foram fantásticas, disseram que isso já havia ocorrido com outras
pessoas e que é até relativamente normal. Como solução, colocar a água corredor a baixo.
Começamos a limpeza e enquanto colocávamos a água para fora, os vizinhos, foram abrindo as portas, pois entrava água em seus apartamentos.
Após 50 mim, conseguimos limpar toda a casa, mas pense em um trabalho que deu. Graças as meninas, pois por mim estava molhado até agora,
passamos pano na casa e esta ficou incrivelmente limpa. Por esse lado foi bem legal.
Resultado do desastre de mais de 1 hora de torneira aberta: A casa limpinha, as escadas limpinhas, a casa dos vizinhos limpinhas, o elevador
limpinho e poças d’água por todo lado. Belo programa de sábado a noite eh? Ficamos famosos no condomínio, todos agora nos conhecem.
A partir de hoje fica instituída a festa, primeiro sábado de novembro, a Lavagem das Escadarias do Talatona.
Blog: Spíndola Blog - Angola / Luanda - Brasil / Recife
Limpeza pesada nos EUA gera problemas de saúde
Andrea Wellbaum enviada especial a Massachusetts
Carla* é uma das cerca de 100 mil brasileiras que trabalham no mercado de limpeza nos Estados Unidos (segundo estimativas de representantes da
comunidade brasileira).
Ela chegou ao país há um ano com toda a energia do brasileiro que pisa na "América" para realizar o sonho de ganhar o dinheiro que não consegue no Brasil.
"Cheguei toda empolgada, deixei até as minhas filhas no Brasil", disse. A intenção era juntar dinheiro rapidamente e, depois, voltar ao país.
Depois de três meses procurando emprego, surgiu a oportunidade: "Começamos a trabalhar com limpeza de casas para uma mulher.
Segundo Carla, os apartamentos eram tão sujos que era necessário usar uma lâmina para raspar e ácido para dissolver a sujeira impregnada nos banheiros e nas cozinhas.
Os produtos causaram uma reação no rosto de Carla, que ficou vermelho e cheio de bolhas. "O meu rosto queimava, ficou horrível. Pensei que ele nunca voltaria ao que era", lembra Carla, que passou a ser mais uma brasileira vítima de acidentes de trabalho nos Estados Unidos.
Falta de registro
Segundo Cláudia Tamsky, responsável por um projeto de prevenção de acidentes de trabalho no Centro do Imigrante Brasileiro em Boston, o problema é muito mais comum do que se imagina.
"Não temos estatísticas precisas porque a maioria não registra o caso nem nos procura", disse à BBC Brasil.
Ela cita o exemplo de um carpinteiro que procurou o centro no início deste ano depois de ter sofrido três acidentes graves. "Ele só procurou o centro porque foi demitido após o último acidente, que o deixou inválido para o serviço".
Cláudia Tamsky contou que, no primeiro acidente, o brasileiro tinha cortado um dedo com uma serra elétrica. Posteriormente, quando furava uma
parede, o parafuso bateu em uma placa de metal, ricocheteou e atingiu o olho dele, causando problemas de visão. No último acidente, ele teve um
corte profundo na mão e perdeu parte dos movimentos da mão.
"Sem poder trabalhar, foi demitido", disse.
Problema comum
No serviço doméstico, problemas como o de Carla não são incomuns.
O grande número de mulheres brasileiras envolvidas nesse tipo de função chamou a atenção de dois profissionais da área de saúde que trabalham
na região, que começaram a observar as condições de trabalho destas mulheres.
"Elas trabalham com muitos produtos de limpeza com químicos fortes, em recintos fechados. Num longo prazo eles podem causar problemas de
pele, irritação nas mucosas, nos olhos, na traquéia e problemas de respiração", diz Eduardo Siqueira, professor-assistente da Universidade de Massachusetts-Lowell.
Ele explica que, apesar de os produtos usados nos Estados Unidos serem semelhantes aos usados no Brasil, as housecleaners estão mais
propensas a contrair problemas por causa do manuseio dos produtos de limpeza.
"Elas equivalem a uma diarista no Brasil, mas na verdade aqui ela é horista, porque trabalha em várias casas no mesmo dia. A intensidade do trabalho é muito maior."
Brasileiras recém-chegadas, como Carla, chegam a trabalhar em até seis casas por dia. Uma equipe de duas a três pessoas limpa uma casa em duas
ou três horas. Como a novata normalmente chega sem falar inglês e sem conhecer a dinâmica do mercado, vira ajudante ou helper.
A helper é quem trabalha mais e ganha menos. Enquanto a housecleaner limpa a sala e os quartos, a helper fica encarregada dos cômodos mais
sujos e difíceis de limpar: os banheiros e a cozinha.
"É no banheiro e na cozinha que são usados os produtos mais potentes, como água sanitária e abrasivos. Aqui, não tem ralo, portanto, o que se limpa
no Brasil com água e sabão aqui tem de ser limpo com esses produtos", ressalta Siqueira.
"Outro problema do qual a maioria das housecleaners reclama é de dor na coluna e nas juntas. Elas trabalham muito tempo agachadas, limpando
banheira, esfregando o chão e ficam em posições desconfortáveis para chegar ao lugar onde está a sujeira", explica o professor.
Os danos à saúde das housecleaners podem ser minimizados de várias formas, sugere Siqueira: "Elas podem limpar menos casas ou adotar uma
rotatividade do trabalho dentro das casas e podem também substituir os produtos tradicionais por produtos biodegradáveis."
Cooperativa
Limpar menos casas significa uma renda menor, contrariando os planos da maioria dos brasileiros que foram aos Estados Unidos justamente para
juntar a maior quantidade de dinheiro possível.
Já a rotatividade no trabalho depende de um acordo entre os integrantes da equipe de limpeza.
"Percebemos que poderíamos ajudar, pelo menos, na substituição dos produtos de limpeza utilizados pelas housecleaners", diz Siqueira.
Com esse objetivo, foi criado o projeto da cooperativa de produtos de limpeza naturais, que faz parte do Projeto Parceria que tenta melhorar as
condições de trabalho dos imigrantes brasileiros em Boston com o objetivo de diminuir o número de acidentes de trabalho.
A coordenadora do projeto da cooperativa, Mônica Chianelli, é housecleaner e criou uma série de produtos para substituir os tradicionais "amigos"
das cleaners. Ela enumera as vantagens dos produtos, todos a base de água, sabão e vinagre: "Eles não fazem mal à saúde das cleaners nem à
saúde da família que mora na casa. E mais: não sujam o meio-ambiente."
O Centro da Mulher Brasileira, para o qual Mônica trabalha, já realizou um curso para orientar 200 housecleaners sobre os benefícios dos produtos
verdes e tentar convencê-las de adotá-los na limpeza das casas.
"Ensinamos a elas as frases básicas em inglês para elas explicarem as vantagens dos produtos para as clientes, sempre destacando a proteção do
meio-ambiente e a saúde da família", diz Mónica.
Kênia Santiago, de 30 anos, fez o curso no centro e ficou convencida que as substâncias naturais significavam uma melhoria nas condições de
trabalho dela. Mesmo assim, ela ainda faz uso dos produtos tradicionais.
"Depois do curso, passei a usar apenas os produtos naturais na minha casa, mas não posso usar nas outras casas, porque trabalho para uma pessoa.
Ela diz que tem de sentir o 'cheiro de limpeza' para mostrar que está limpo e que os produtos naturais não deixam esse cheiro", diz Kênia.
Segundo Mônica, a resistência à novidade parte principalmente das housecleaners mais experientes, que trabalham nos Estados Unidos há vários
anos.
"Elas acham que quando o lugar está muito sujo, têm de, primeiramente, tirar o 'grosso' com os produtos químicos. As pessoas que limpam há muito
tempo não precisam da nossa ajuda, mas precisam pelo menos um alerta."
O público-alvo da cooperativa, de acordo com Mônica, não são as veteranas e sim as mulheres que precisam de ajuda para abrir seu negócio, as
helpers.
A intenção é formar um grupo de ex-helpers que gerenciem a cooperativa, que funcionará como uma empresa de serviços de cleaning, que também
produzirá produtos naturais para vender.
* Carla pediu para ter seu nome trocado para não ser identificada.
BBCBrasil.com
Boneca semiótica
Mudamos também de chuveiro: o da casa nova é elétrico. Nem achei que existissem chuveiros elétricos nesta Inglaterra tão preocupada com
recursos naturais, mas parece que são mais comuns do que eu imaginava.
O mais curioso, porém, é que o nosso chuveiro um Triton T80si não tem torneira: tem botão on/off. Para começar (e terminar) o banho é preciso
agora apertar um botão. Ligar a água virou um processo digital, distante de toda a hidráulica da coisa, o que já me deixa à mercê do pior tipo de
agouro. Fico imaginando os dissabores possíveis: decerto não serão goteiras, mas é fatal que haja o dia em que o apertar do botão não será seguido
pelo jorro d'água, e aí nada restará a fazer.
O abandono do analógico implica nesse caso o fim da possibilidade da gambiarra imediata, que dispensa o conhecimento do código. É como na
passagem do vinil pro CD: pra dar um jeito num LP arranhado tem sempre a solução da moedinha na agulha; já diante de um CD que pula não há
muito o que se possa fazer sem desvendar a caixa-preta do aparelho.
De volta ao reservado: Jayne Greenwood, née Fidler, mandou refazer o banheiro nos 15 dias que separaram a partida da Ethav, antiga inquilina, da
nossa entrada na casa da Cairo Road. Ficou bonitão, branco e reluzente, mas ainda sem os suportes metálicos para toalhas, que já estão comprados
(jazem sobre o nosso armário), mas não foi possível instalar, porque a Ethav não tinha quitado a conta e a luz fora cortada, e Jayne insistiu que não
tentássemos colocar os aparatos por nossa conta, que poderíamos quebrar os belos azulejos (mesmo tendo sobrado vários, pesadíssimos, no fundo
da despensa).
A reforma deixou ainda outros pontos a desejar, por falta de bom senso, grana ou vontade política. A mangueira do chuveirinho não é longa o
bastante para alcançar o ralo da bela banheira branca, o que deixa antever contrariedades na hora da faxina. E é curta pra tomar banho segurando o
chuveirinho na mão qual um telefone, como os franceses tanto gostam (Charlotte reformou o banheiro há pouco também, e não instalou um suporte
para pendurar o chuveiro sobre a cabeça, ou seja, só dá pra tomar banho no modo telefone. Segundo Ana Luiza, ela alegou que não gostava, que
daquele jeito não tinha controle sobre a água. Essa declaração resume a relação dos franceses com a água).
A guisa de boxe, Jayne mandou colocar uma placa de vidro meio solta, que não chega ao teto e mal alcança metade do comprimento da banheira. O
contato com a parede e a base da banheira não inspira muita confiança e parece que a peça não terá carreira muito longeva naquela posição só
espero que não sucumba na nossa gestão. (É um pensamento meio fatalista, mas não consigo parar de pensar na entropia: a vocação daquela placa
de vidro não é ficar ali mal equilibrada, sujeita ao movimento dos banhistas.)
E nosso banheiro não tem ralo, claro, não que eu esperasse por isso, já que escoar a água do chão não parece ser uma preocupação relevante no
projeto dos banheiros europeus.
Blog: A Rainha que se cuide
COISAS DE NORUEGA....XV
c sabem que uma das coisas interessantes que a gente nota aqui nos jornais daqui da Noruega e que nunca tem o nome das pessoas envolvidas
nos acidentes, assaltos, brigas, etc...existe uma lei de protecao que nao permite a publicacao de nomes e enderecos em jornais...o maximo que se
sabe e o sexo, a idade e o local aonde aconteceu o fato...por um lado e bom pois protege a identidade das pessoas, mas por outro lado e negativo
pois protege a identidade dos criminosos tb...Os nomes so aparecem nos jornais, quando o(s) caso(s) ja esta(o) em julgamento na alta corte ou ja estao na TV ...ou em casos de reclamacoes,
sessoes esportivas e politicas...Lembro bem que la na minha cidade, quando acontecia algo, a gente sabia de antemao, atraves do jornais, quem fez, quem nao fez, o nome
completo, o nome dos pais, idade e ate o local que residiam...se brincasse muito, contavam ate o horoscopo ...hehehe...
xPara o Andre Cruz me perguntou como sao as casas por aqui... a maioria das casas por aqui sao de madeira...geralmente tem 2 andares ou ate
mais...as casas sao construidas sobre um pilar de concreto...encima deste pilar de concreto se constroi o porao (kjelle) que sustentara todo o peso da
casa...o restante da casa e todo de madeira..Normalmente, as paredes de madeira sao duplas e protegidas com uma fibra isolante (fibra de vidro) para manter o aquecimento interno...
construcoes mais recentes tem tb uma protecao plastica ou emborrachada entre as paredes alem da fibra de vidro...
Nos telhados, apos a armacao que sustenta as telhas estar montada, tb se usa uma protecao plastica ou emborrachada para evitar que a umidade
penetre por entre as telhas...O forro tb e sempre construido de forma que possa ser utilizado para se guardar tudo oque nao "tem muita necessidade"...casas construidas em um
unico plano nao sao muito utilizadas por aqui, mas existem....Geralmente as casas sao muito grandes, com janelas sem protecao, oque me assustou um pouco no comeco...os quartos geralmente nao sao muito
grandes, mas a sala ou salas tem que ser bem espacosas ja que e uma area em que a familia passa a maior parte do tempo...a maioria das casas tem
tb pequenas areas que chamamos "bod" e que servem para guardarmos um pouco de tudo: comida, ferramentas, bicicletas, coisas de inverno,
etc...aqui em casa temos 3 "bod" e um deles e tao grande que vai ser usado como quarto do Lollo...Muitas casas tem, hoje em dia, o aquecimento no piso, feito atraves de cabos de conducao de calor...normalmente usamos o piso aquecido so nos
banheiros, porque e uma dureza tomar banho no inverno se o chao estiver muito frio....brrrrrrrrrr....quem tem mais condicoes, tem piso aquecido em
varios comodos da casa...e confesso a voces: e uma delicia!!!...andar naquele chao quentinho...hummmmm...bom demais!!!Hoje em dia os arquitetos estao tentando mudar um pouco a imagem das casas escandinavas, construindo residencias em estilo mais moderno e em
concreto...mas nao sao todos que gostam...assim, e muito comum em meio a areas com residencias de madeira em estilo escandinavo, surgirem
imensos complexos residencias em linhas ultra-modernas...Caracteristicas de muitas das casas escandinavas:
1. Geralmente a porta principal se abre para o lado de fora...dizem que e para economizar espaco e evitar-se arrombamento...
2. Todo lugar que tem uma porta, tem uma madeira alta no chao, oque torna impossivel tentar varrer de um comodo para o outro...me falaram que e
para evitar que o frio passe por debaixo da porta... sera???...mais explicacoes alem dessa eu nao consegui...hehehe....aqui em casa tratei de tirar as
da sala e da cozinha....sem contar que o Lollo vivia tropicando nelas...uffff
3. E os ralos...vcs sabem que geralmente nao tem ralos nos pisos da maioria dos banheiros e lavanderias por aqui???....claro que tem ralo dentro do
box do chuveiro e agua escoa direto pelo cano para o esgoto...lembro que uma vez la em Hylkje, eu cismei de lavar todo o banheiro de cima para
baixo...joguei agua nas paredes, esfreguei e tal...na hora de puxar a agua, cade o ralo???...que caos!!!...tive que juntar toda a agua no pano de chao
e torcer dentro do box do chuveiro...usei um tempao e fiquei "P" da vida...hehehe...claro que tem casa que tem, mas a maioria nao tem mesmo!!!
4. As lampadas...tudo fraquinha...quanto mais fraca, melhor!!!...a impressao que da quando se olha do lado de fora da casa e que so tem abajur
ligado...mas e uma caracteristica das casas daqui...as luzes fracas fazem o ambiente parecer mais calmo e aconchegante...para quem gosta de ler,
tem sempre varias lampadas de leitura (bem fortes) em todos os cantos da casa...
5.Tanque...nem sempre as casas tem tanque...aqui em casa nao tem e muitas das casas em que ja estive, tb nao tem...uma das minhas amigas tem
porque mandou instalar...lavar tenis encardido so na pia mesmo...e que trabalhao, ainda mais quando e o "tenizinho" tamanho 46 do marido...hehehe
xx Vcs sabem que tenho notado que algumas pessoas me mandam e-mail perguntando sobre como devem fazer para vir para ca, trabalhar, ganhar
dinheiro, etc...e quando eu falo que aqui nao e lugar para quem quer ganhar dinheiro, as pessoas se chateiam ou me acham lunatica...como assim
no melhor pais do mundo para se viver, nao se pode ganhar dinheiro???...Pois lhes digo a verdade meus caros interessados...sim, a Noruega e um pais lindo, maravilhoso, seguro e tranquilo para se viver...principalmente se
vc se adapta facil a mudancas e sente que pode sobreviver ao periodo de frio...se vc gosta de ter contacto com novas culturas...aprender uma nova
lingua ...aprender sobre tradicoes..As pessoas tem muitos direitos e o social cobre muitas das necessidades de quem nao pode (ou nao quer) trabalhar....a violencia e quase zero...a
qualidade de vida e muito boa....Mas como qualquer pais do mundo, aqui tb tem seus problemas...claro que em menor intensidade que em outras partes do mundo...o governo que
corta verbas que sao essenciais para algumas areas como assistencia ao idoso e a crianca, e as utiliza em areas nao tao necessarias...o dinheiro do
social que e usado de forma errada...a demora no atendimento a doentes com problemas psicologicos ou que necessitam grandes cirurgias...a falta
de vagas nas creches...e os altossssssssssssss impostos...Claro que quanto aos impostos, a gente ate paga sem reclamar ja que recebemos muito de volta....mas garanto a vcs que e quase impossivel se
ganhar dinheiro por aqui, ou seja, fazer um "pe de meia"...a nao ser que a pessoa seja realmente muitooooooooooo economica....quem tem dinheiro
guardado aqui e porque tem economizado um pouquinho por mes durante varios anos...assim, ficar com a conta cheia de dindin da noite para o dia
(ou em poucos meses) e praticamente impossivel...Sem contar que e preciso ter visto de trabalho e moradia para se trabalhar legalmente e ter direitos como qualquer noruegues...para consegui-lo, so
se casando com noruegues (a) ou tendo uma proposta de empregador noruegues ou sendo cidadao europeu (oque da direito a morar no pais e
procurar emprego por um periodo de 6 meses)...caso contrario, esquecam!!!...viver ilegalmente aqui, nem pensar!!!...o custo de vida e alto e vc nao
tem direito a nada...sem contar que vive sempre com medo de ser mandado fora do pais...Assim, nao venham cheios de ilusoes porque nem tudo que "reluz e ouro"...
Blog: A Noruega Brasileira II
A Faxina e a barra pesada do Hispanic Harlem
Nos meu primeiro mês após os atentados Melissa Hope voltou do doutorado na França e tive que buscar um outro local para morar. O calvário
imobiliário parece não ter fimem Nova York e os preços astronômicos foram me jogando para algumas áreas bem barra pesada da cidade.
O chamado Hispanic Harlem é bem pior do que o pior do Harlem. Através de um anúncio em uma padaria achei uma vaga em um Brownstone,
prédio de tijolinhos marrons, bem tradicional da cidade. O lugar era uma república da Igreja do Nosso Senhor Cristo dos últimos Dias.
Eu nunca tinha vivido a experiência de dividir espaço com religiosos, mas achei que o lugar era limpo, seguro e bem próximo do metrô. Após os
atentados a cidade parou e o desemprego começou a bater a nossa porta. Muitos brasileiros, com medo e sem emprego decidiram voltar. Eu achava
que seria uma derrota dupla: perder para o desafio de viver lá e ainda por cima perder para os terroristas. Eu decidi ficar, sem emprego e com apenas
500 dólares no banco. A coisa ficou tão feia que entrei na fila do setor de ajuda a imigrantes da igreja católica e começei a pegar uma cesta básica
semanal. Nessa época também descobri o exército da salvação. Até os Mórmos, que não são nada bobos se seguiram até a igreja para pegar umas
latinhas de feijão.
Até ai, tudo bem, na primeira semana cada um na sua,todos solidários e prestativos. Como em toda comunidade, há regras e uma delas é a da
divisão das tarefas domésticas. Cada semana uma dupla se encarregava de limpar a cozinha, o banheiro e os quartos.
O prédio havia sido construído da década de 20 ou 30, com aquelas escadinhas de ferro que eles chamam de "saida de emergencia", mas que eu só
vi sendo usada mesmo nos filmes da TV, quando alguém invade o apartamento e há uma cena de fuga. Geralmente o cara cai em um carro
conversível e consegue escapar..aquelas coisas de cinema.
Bom..voltemos ao apartamento e ao meu primeiro dia de limpeza. Preparei os baldes, os detergentes e fui decidido a fazer bonito para causar boa
impressão. Eu era considerado o ïntelectual do local e queria apagar essa impressão mostrando que seria capaz de realizar o trabalho braçal.
Primeiro enchi o balde e joguei nos cantos para tirar a sujeira.
Olhei e cadê a água ? ..por que a água desaparece ? Onde está o ralo ? Escutei um grito, em espanhol, vindo do apartamento do primeiro andar.
Nao sei se falei, mas nossos vizinhos mexicanos faziam festas até as três da manhã. Mariaches produzem sons inexplicáveis e inreproduzíveis. Por
várias vezes havia ligado para polícia para tentar dormir em paz, mas agritaria recomeçava assim que os policiais saissem do local.
Adonis,um dos meus roommates,veio correndo da sala assim que perguntei pelo ralo. "Ahhmm Marco..esqueci de te avisar.. não tem ralo.." disse em
tom professoral. "aqui na América a gente nao pode lavar banheiro nem cozinha..e tudo de formiplac e incha,vaza para a casa do vizinho.
Paralisado com o balde e a vassoura na mão, fiquei rindo do estrago que deveria ter provocado no apartamento dos mexicanos. Constatei pelo teto
do nosso banheiro, já inchado da humidade causada pela banheira do andar superior. "tem que ser tudo com paninho molhado" me explicou
Adonis.
Lembrei da última faxina que Yolanda, minha amiga lá no Rio, fez no meu apartamento. Yolanda jogava baldes de
água..limpa..limpa..limpa..cera..cera.enceradeira. Horas, o dia inteiro Pensei no desespero de Yolanda, se estivesse aqui, ao encarar uma limpeza
sem balde, sem água, só com paninhos.Bom..quanto aos mexicanos...bem..eles mereceram um balde de água fria para pagar as noites em claro que
passei ao som dos mariaches.
Blog: conectando pessoas
NÃO!
Fui colocar as panelas pra lavar na máquina, botei o sabãozinho, fechei a porta, boto a água na temperatura máxima (louça de peixe, faz idéia),
começo a cantar lalarila enquanto estendo as roupas no varal - é, vida de dona de casa, pensa o quê?
Volto na cozinha pra roubar mais uma rosquinha do pote e alimentar minhas LULITES e me deparo com o dilúvio. A dishwasher estava vomitando
água fervendo com cheiro de peixe no chão da minha cozinha, e óia, COZINHA INGLESA NÃO TEM RALO.
Ainda bem que era salmão, né.Já que é pra sifudê, pelo menos a gente sifode chic.
Blog: sherrys0da
Ufa! Consegui respirar! Peguei um trabalho de 3 semanas, da 00:00 as 7:00 da manha, todo dia inclusive final de semana... mas com uma folga no
meio da semana. Ta bem cansativo mas vai valer a pena. $ :)
Esses dias resolvi que iria escrever sobre as coisas que estou aprendendo aqui na Austrália.
A Austrália é um país de todos, onde a imigração ainda é totalmente aberta e vc conhece gente do mundo inteiro. Aprendi a dar valor as frutas...
Depois de ver que custa 16 dolares o Kg da banana, nunca mais vou deixar elas apodrecerem na cesta... Jogar o papel higienico na privada é normal
por aqui e não entope! (nao existem lixos nos banheiros do lado da privada) Tomar agua da torneira nao faz ninguem morrer. Lave o carro e regue o
jardim com mangueira no domingo e receba uma multa em casa na segunda. (A multa vem MESMO e racionamento é coisa séria). Nunca atravesse
a rua fora da faixa de pedestres ou no sinal vermelho... as chances de vc levar uma multa são de 70%. Nao fure fila, uma das maiores faltas de
respeito. Use SEMPRE thank you e please... mesmo que sejam pra coisa minimas, com certeza nunca sera o bastante. Reciclar o lixo é dever de
todos! Caminhao de lixo? Uma vez por semana e olha la... Mercado tem suas curiosidades.... Va no "final do dia" 19:00 e compre as comidas frescas
do dia da metade do preco pra baixo.... Vc soh entra na sessao de bebidas alcoolicas se for maior de 18 anos. O chocolate que vc paga cada 1,90 no
outro dia pode estar na promocao 2 por 2,00... mas no outro dia volta ao normal! Vai entender esse marketing australiano. Na hora de pagar, o caixa
sempre pergunta se vc quer "cash out" ou seja, sacar alguma grana do cartao que vc esta passando, sem nenhuma taxa.... e pergunta se vc precisa
MESMO uma sacola... ecologia também é coisa séria. Não interessa se vc é faxineiro (viva nóis!) ou um gerente de banco... todos tem o mesmo
padrao de vida e tem acesso pra fazer as mesmas coisas... tem casa, carros e filhos... de preferencia gemeos! Rodo? Nao tem pra vender... pra que
se o banheiro nao tem ralo fora do box? Um paninho umido ta loco de bom pra limpar.... É emocionante qdo vc encontra alguem tem que avós
australianos.... Por ser um pais imigrante e novo, sempre os pais ou avos são de outros paises... Aprendi que os japoneses são sistematicos demais,
os chineses atrapalhado, os indianos afobados , os koreanos tem o mesmo humor dos brasileiros, os colombianos gostam de ir pra aula bem
arrumados e os brasileiros... agitados demais (como diriam os professores hehehe) Gosta de coca-cola? No mercado a latinha custa de 0,40 a 0,60
cents. E se vc vai no HungryJack (Mc donalds australiano) e compra um "numero", pode tomar quanto de coca quiser pq a maquina de refri fica do
lado de fora do caixa. Imagina isso no Brasilzao... hehe O onibus nao tem catraca, quem cobra a passagem é o motorista mesmo.... fila de velhinhos?
tenha paciencia... pois o cobrador vai cobrar de todos e ainda explicar o ponto que eles tem que descer... pra depoissss voltar a dirigir. Antes dos
primeiros bancos, tem dois lugares estilo "guarda-volumes" pra vc deixar suas coisas (compras, notebooks, mochilas pesadas). E vc pensa que
alguém mexe? Transporte publico é pra ser usado... por isso a maioria dos trabalhores (principalmente executivos) deixam seus carros na garagem e
vão de onibus, trem ou tram trabalhar. Ir de bicicleta (toda equipada e com roupas proprias) pro trabalho tb é coisa comum entre os executivos, mas
chega no trabalho e só coloca o terno... banho só em casa e a noite. Comércio fecha as 17:00 (tudo, ateh shopping), as 19:00 as ruas ja estao vazias e
silenciosas (principalmente nos bairros), criancas na cama e tem mercados que fecham as 20:00... No posto, não espere frentista... mto menos
lavarem seu carro. Vc mesmo abastece e lava seu carro, verifica oleo, agua....
Foi isso que lembrei agora... quem sabe depois eu lembre mais!Vou colocar um video que fiz com os "melhores momentos" desses 3 meses e
meio...É isso ai! Bjos e abraços com saudades! Cheers!
Blog: plinetsnaaustralia
Apartamento
Meu primo Edinho me ajudou a encontrar um apartamento para alugar aqui. Aluguel nos EUA e muito caro. Mil dolares por mes, por um apartamento
de dois quartos. Mas gosto do apartamento, do condominio, da localizacao. O apartamento, alem dos dois quartos, tem dois banheiros, uma cozinha,
sala/copa e, como e terreo, tenho varandas e jardins. O condominio tem piscina e duas quadras de tenis. Mas como e muito frio aqui, nao chegamos
a usar a piscina.
Algumas particularidades das moradias daqui - todos os banheiros tem banheira. Nao tem tanque. As casa nas quais ja estive tambem nao tem. Os
apartamentos nao tem area de servico. Tem lavanderia comunitaria (compramos um cartao e adicionamos creditos - 5, 10 ou 20 dolares- e entao
usamos o cartao nas maquinas - lavadora e secadora. Nao tem tanque na lavanderia tambem...). Na lavanderia do meu bloco tem 3 lavadoras e 3
secadoras. As moradias ja vem equipadas com fogao, exaustor, geladeira e lavadora de louca ( nao precisamos comprar isso. Os armarios sao
enormes!
Contratei uma linha telefonica e internet. Tenho TV a cabo ( ja incluida no aluguel). Muitas pessoas contratam o canal Globo ( Sim, a Globo do Brasil!).
Eu nao quis fazer isso porque, como vim desenvolver o meu ingles, assistir aos canais americanos vai agilizar o processo.
Moveis - nao precisa comprar, se nao quiser. E possivel encontrar praticamente de tudo, de graca. Ou pode-se ir a um yard sale e comprar bem
barato(tenho uma TV a cores que custou 2 dolares!). Yard sales sao vendas de moveis e utensilios usados que as pessoas fazem em seus jardins,
para se livrar do que nao querem mais. Alem disso, a caridade aqui e muito organizada. Ha lojas do Salvation Army(Exercito da Salvacao) e Good
Will, onde pode-se comprar varias coisas usadas por um preco simbolico. Mas leva um certo tempo para se encontrar o que se quer, e claro. No meu
caso, comprei algumas coisas em promocao, outras em yard sales e tenho algumas coisas que meu tio me emprestou. Ah! Ha tambem lugares para
onde as pessoas levam donativos (moveis, roupas, utensilios, livros, revistas, objetos de decoracao) e pode-se ir ate la e, simplesmente, escolher o
que se quer e levar para casa sem pagar. Alem de encontrarmos varias coisas que as pessoas colocam nas calcadas para quem quiser levar
(eletrodomesticos, moveis). Coisas boas, praticamente novas. Elas simplesmente jogam fora e compram tudo novo muito frequentemente. E viva o
consumismo americano!
A limpeza e muito diferente aqui. Usa-se spray e toalha de papel, praticamente. E, e claro, aspirador de po. Nao tem ralo nos banheiros e cozinhas.
Portanto, nao se pode lava-los como fazemos no Brasil. Nao se passa roupa!
Aqui e muito comum as pessoas dividirem o aluguel. As vezes alugam casas bem grandes e cada um fica com um quarto. Porem, eu e o Andre
moramos sozinhos. Gostamos da nossa privacidade.
Blog: Flavia/USA
Uma historia de Natal...
Essa merece ser contada... De manha todo mundo foi trabalhar, pq aqui nao tem sabado, domingo e dia de natal, todo dia e dia de trabalho... Eu sai do trabalho as 15h30 e vim
aqui pro Vista pra ter certeza que tava tudo certo pra ceia de natal a ser sediada nos meus vizinhos brasileiros... Tava tudo certo, o peru a mae do
Bruno (um dos meus vizinhos) que esta visitando tinha ido comprar no Publix e tinha comprado tmb pure de batata, gravy e mais umas coisas
estranhas...So faltava uma SOBREMESA!! Mas isso nao seria problema... Esperei a Mi chegar do trabalho e resolvemos ir fazer as compras pra tal da
sobremesa... Iamos fazer Mousse de Chocolate e de limao...Assim que chegamos um problema se impos... Como e que vamos achar leite condensado e creme de leite pra fazer o mousse???Com tal obstaculo imposto a gente resolveu mudar a sobremesa e a Mi fez uma nova receita: massa de torta holandesa + brigadeiro + sorvete +
chocolate crocante por cima... Tudo para ficar bom, ne? So faltava achar o leite condensado e a bolacha maizena pra fazer a massa... Mas nao foi que
achamos??? Depois de fucar cada prateleira ate o talo achamos os dois ingredientes e voltamos para casa...As perspectivas eram boas...Comecamos a amassar a bolacha (pq tinha que virar tipo uma farofa), mas eta bolacha dura... A mi ainda disse, "se a gente tivesse uma luva! Mas
amassar assim com a mao doi mto!! ". Foi entao que eu tive a brilhante ideia de pegar um pote medidor e amassar com ele!! Ate que deu certo,
mas.... E A MANTEIGA???Pois e minha gente, nao tinha manteiga pra fazer a massa e a gente tinha esquecido de comprar... E a preguica de voltar pra comprar?! Esta tava
grende... A Mi queria que eu fosse bater nos vizinhos brasileiros que a gente nao conhecia pra ver se eles tinham pra emprestar, mas eu nao queria
ir. Entao a minha outra rommie chegou e ela que nem ia jantar com a gente foi pedir a manteiga, mas nao tinha ninguem no ap...Eu fui pedir no ap de uns americanos que moram no nosso predio mas tmb nada... Eles tmb nao tinham manteiga...A Mi comecou a fazer o brigadeiro, mas eu convenci ela a ir comprar a manteiga!!!Entao eu continuei fazendo o brigadeiro... E ele nunca ficava pronto!! Numa dessas eu cansei e aumentei o fogo... E num e que queimou???!!!! So
um pouquinho no fundo, mas ficou moh gosto de queimado no brigadeiro inteiro.. E agora? Tinhamos a manteiga, mas o brigadeiro estava
queimado.... Vai o brigadeiro queimado mesmo!! hahahah...Fizemos a massa, colocamos no forno. E ela nao ficava dura, NUNCAAAAAA..... Eu fiquei sentada do lado do forno falando no telefone mais de uma
hora e nada dela ficar pronta!!! Parecia que tudo tava conspirando pra sobremesa nao dar certo, mas a gente nao desistiu!!! Desligamos o forno e
depois de deixar esfriar um pouco colocamos o brigadeiro, o sorvete e as bolinhas de chocolate e colocamos no freezer.Depois de um tempo fomos pra casa dos nossos vizinhos... Ainda faltava um tempo pro jantar pq tinhamos que esperar um amigo chegar do trabalho
e ele so ia chegar la pelas 2h30 da manha...E qual e a nossa surpresa qdo ao chegar la o peru esta na pia!!!!!! PQ? Pq como nao tinhamos vasilha eles colocaram numa panela e colocaram no
forno pra esquentar, so que o cabo da panela quebrou e o peru (que era enoooorrrrmmmmeeee) foi parar no pia para nao parar no chao!!! Sem
contar que o chao ficou cheio de gordura no peru... Por isso vcs podem ver o Andre limpando o esfregao na banheira, pq por todos os motivos mais
idiotas possiveis, na cozinha nao tem ralo!!!Bom, salvamos o peru, limpamos o chao, pra felicidade de todos a sobremesa deu certo e pra minha e da Mi todo mundo elogiou a nossa invencao!!
Ficou bom mesmo...Acho que foi so isso que aconteceu... heheh... Se eu lembrar de mais alguma coisa eu escrevo de novo!!
Blog: Ni Leirner
Quem disse que não há água em Luanda? Esse final de semana tive uma piscina particular em casa.
Imaginem a cena: Estava eu, sábado a tarde, por volta das 18:00 h, com o reabastecimento estabelecido por volta das 17:00 h, no computador, após a
tarde inteira de falta de água. Sérgio ou eu, vai encontrar o culpado nessas horas, deixamos uma torneira aberta. No auge da minha empolgação,
estava jogando Batlefield 1942, o meu pé fica um pouco molhado. O nosso ar-condicionado da sala está com alguns problemas e acreditei que este
estava a produzir água. Sem nem olhar para o aparelho, peguei o controle, que estava ao meu lado, e o desliguei. Voltei ao jogo claro, afinal estava
em uma batalha que ocorria no oceano, em uma ilha, bem sugestivo eh? Bom, com mais cinco minutos, o meu pé estava mais molhado ainda. Decidi
me levantar para investigar.
A muito contra gosto parei o jogo e me virei. A cena que presenciei, sinceramente me assustou, mas não mais do que a que eu estava para ver. A
sala inteira estava sob um centímetro de água. Estranhei e comecei a andar. Nesse momento escutei uma torneira, parecia vir do banheiro. Tentei
abrir a porta do banheiro, mas ela simplesmente não abriu. Vale colocar aqui que a nossa porta não esta muito legal, ao fechar, ela arrasta um pouco
no chão. Forcei um pouco mais a entrada, nada. Forcei ainda mais, foi então que a porta cedeu.
Abrindo a porta, o resultado parecia o de um filme. No banheiro havia, sem exagero, 30 cm de água. O balde do banheiro boiava igual a um
barquinho. Os peixes, nesse mar, eram duas meias e uma cueca que lá se encontravam a relaxar. A água saiu como uma onda com a abertura da
porta. A casa inteira terminou de inundar, desde a cozinha, os dois quartos, a sala toda, varanda, simplesmente tudo.
Agora vem a melhor parte, não tem ralo na casa. Isso mesmo não tem ralo. As únicas formas de escoar a água são ou pelas pias ou pela banheira.
Nessa altura a água que já estava saindo pela porta da sala, começou realmente a escoar pelo corredor. Liguei para o meu Kamba Sérgio e contei a
ele o ocorrido. Enquanto eu esperava pelo Sérgio, procurava desesperado por um ralo.
Chegaram Sérgio, Carol, Cris e outra menina que conheci no dilúvio. As meninas foram fantásticas, disseram que isso já havia ocorrido com outras
pessoas e que é até relativamente normal. Como solução, colocar a água corredor a baixo.
Começamos a limpeza e enquanto colocávamos a água para fora, os vizinhos, foram abrindo as portas, pois entrava água em seus apartamentos.
Após 50 mim, conseguimos limpar toda a casa, mas pense em um trabalho que deu. Graças as meninas, pois por mim estava molhado até agora,
passamos pano na casa e esta ficou incrivelmente limpa. Por esse lado foi bem legal.
Resultado do desastre de mais de 1 hora de torneira aberta: A casa limpinha, as escadas limpinhas, a casa dos vizinhos limpinhas, o elevador
limpinho e poças d’água por todo lado. Belo programa de sábado a noite eh? Ficamos famosos no condomínio, todos agora nos conhecem.
A partir de hoje fica instituída a festa, primeiro sábado de novembro, a Lavagem das Escadarias do Talatona.
Blog: Spíndola Blog - Angola / Luanda - Brasil / Recife
Limpeza pesada nos EUA gera problemas de saúde
Andrea Wellbaum enviada especial a Massachusetts
Carla* é uma das cerca de 100 mil brasileiras que trabalham no mercado de limpeza nos Estados Unidos (segundo estimativas de representantes da
comunidade brasileira).
Ela chegou ao país há um ano com toda a energia do brasileiro que pisa na "América" para realizar o sonho de ganhar o dinheiro que não consegue no Brasil.
"Cheguei toda empolgada, deixei até as minhas filhas no Brasil", disse. A intenção era juntar dinheiro rapidamente e, depois, voltar ao país.
Depois de três meses procurando emprego, surgiu a oportunidade: "Começamos a trabalhar com limpeza de casas para uma mulher.
Segundo Carla, os apartamentos eram tão sujos que era necessário usar uma lâmina para raspar e ácido para dissolver a sujeira impregnada nos banheiros e nas cozinhas.
Os produtos causaram uma reação no rosto de Carla, que ficou vermelho e cheio de bolhas. "O meu rosto queimava, ficou horrível. Pensei que ele nunca voltaria ao que era", lembra Carla, que passou a ser mais uma brasileira vítima de acidentes de trabalho nos Estados Unidos.
Falta de registro
Segundo Cláudia Tamsky, responsável por um projeto de prevenção de acidentes de trabalho no Centro do Imigrante Brasileiro em Boston, o problema é muito mais comum do que se imagina.
"Não temos estatísticas precisas porque a maioria não registra o caso nem nos procura", disse à BBC Brasil.
Ela cita o exemplo de um carpinteiro que procurou o centro no início deste ano depois de ter sofrido três acidentes graves. "Ele só procurou o centro porque foi demitido após o último acidente, que o deixou inválido para o serviço".
Cláudia Tamsky contou que, no primeiro acidente, o brasileiro tinha cortado um dedo com uma serra elétrica. Posteriormente, quando furava uma
parede, o parafuso bateu em uma placa de metal, ricocheteou e atingiu o olho dele, causando problemas de visão. No último acidente, ele teve um
corte profundo na mão e perdeu parte dos movimentos da mão.
"Sem poder trabalhar, foi demitido", disse.
Problema comum
No serviço doméstico, problemas como o de Carla não são incomuns.
O grande número de mulheres brasileiras envolvidas nesse tipo de função chamou a atenção de dois profissionais da área de saúde que trabalham
na região, que começaram a observar as condições de trabalho destas mulheres.
"Elas trabalham com muitos produtos de limpeza com químicos fortes, em recintos fechados. Num longo prazo eles podem causar problemas de
pele, irritação nas mucosas, nos olhos, na traquéia e problemas de respiração", diz Eduardo Siqueira, professor-assistente da Universidade de Massachusetts-Lowell.
Ele explica que, apesar de os produtos usados nos Estados Unidos serem semelhantes aos usados no Brasil, as housecleaners estão mais
propensas a contrair problemas por causa do manuseio dos produtos de limpeza.
"Elas equivalem a uma diarista no Brasil, mas na verdade aqui ela é horista, porque trabalha em várias casas no mesmo dia. A intensidade do trabalho é muito maior."
Brasileiras recém-chegadas, como Carla, chegam a trabalhar em até seis casas por dia. Uma equipe de duas a três pessoas limpa uma casa em duas
ou três horas. Como a novata normalmente chega sem falar inglês e sem conhecer a dinâmica do mercado, vira ajudante ou helper.
A helper é quem trabalha mais e ganha menos. Enquanto a housecleaner limpa a sala e os quartos, a helper fica encarregada dos cômodos mais
sujos e difíceis de limpar: os banheiros e a cozinha.
"É no banheiro e na cozinha que são usados os produtos mais potentes, como água sanitária e abrasivos. Aqui, não tem ralo, portanto, o que se limpa
no Brasil com água e sabão aqui tem de ser limpo com esses produtos", ressalta Siqueira.
"Outro problema do qual a maioria das housecleaners reclama é de dor na coluna e nas juntas. Elas trabalham muito tempo agachadas, limpando
banheira, esfregando o chão e ficam em posições desconfortáveis para chegar ao lugar onde está a sujeira", explica o professor.
Os danos à saúde das housecleaners podem ser minimizados de várias formas, sugere Siqueira: "Elas podem limpar menos casas ou adotar uma
rotatividade do trabalho dentro das casas e podem também substituir os produtos tradicionais por produtos biodegradáveis."
Cooperativa
Limpar menos casas significa uma renda menor, contrariando os planos da maioria dos brasileiros que foram aos Estados Unidos justamente para
juntar a maior quantidade de dinheiro possível.
Já a rotatividade no trabalho depende de um acordo entre os integrantes da equipe de limpeza.
"Percebemos que poderíamos ajudar, pelo menos, na substituição dos produtos de limpeza utilizados pelas housecleaners", diz Siqueira.
Com esse objetivo, foi criado o projeto da cooperativa de produtos de limpeza naturais, que faz parte do Projeto Parceria que tenta melhorar as
condições de trabalho dos imigrantes brasileiros em Boston com o objetivo de diminuir o número de acidentes de trabalho.
A coordenadora do projeto da cooperativa, Mônica Chianelli, é housecleaner e criou uma série de produtos para substituir os tradicionais "amigos"
das cleaners. Ela enumera as vantagens dos produtos, todos a base de água, sabão e vinagre: "Eles não fazem mal à saúde das cleaners nem à
saúde da família que mora na casa. E mais: não sujam o meio-ambiente."
O Centro da Mulher Brasileira, para o qual Mônica trabalha, já realizou um curso para orientar 200 housecleaners sobre os benefícios dos produtos
verdes e tentar convencê-las de adotá-los na limpeza das casas.
"Ensinamos a elas as frases básicas em inglês para elas explicarem as vantagens dos produtos para as clientes, sempre destacando a proteção do
meio-ambiente e a saúde da família", diz Mónica.
Kênia Santiago, de 30 anos, fez o curso no centro e ficou convencida que as substâncias naturais significavam uma melhoria nas condições de
trabalho dela. Mesmo assim, ela ainda faz uso dos produtos tradicionais.
"Depois do curso, passei a usar apenas os produtos naturais na minha casa, mas não posso usar nas outras casas, porque trabalho para uma pessoa.
Ela diz que tem de sentir o 'cheiro de limpeza' para mostrar que está limpo e que os produtos naturais não deixam esse cheiro", diz Kênia.
Segundo Mônica, a resistência à novidade parte principalmente das housecleaners mais experientes, que trabalham nos Estados Unidos há vários
anos.
"Elas acham que quando o lugar está muito sujo, têm de, primeiramente, tirar o 'grosso' com os produtos químicos. As pessoas que limpam há muito
tempo não precisam da nossa ajuda, mas precisam pelo menos um alerta."
O público-alvo da cooperativa, de acordo com Mônica, não são as veteranas e sim as mulheres que precisam de ajuda para abrir seu negócio, as
helpers.
A intenção é formar um grupo de ex-helpers que gerenciem a cooperativa, que funcionará como uma empresa de serviços de cleaning, que também
produzirá produtos naturais para vender.
* Carla pediu para ter seu nome trocado para não ser identificada.
BBCBrasil.com
Boneca semiótica
Mudamos também de chuveiro: o da casa nova é elétrico. Nem achei que existissem chuveiros elétricos nesta Inglaterra tão preocupada com
recursos naturais, mas parece que são mais comuns do que eu imaginava.
O mais curioso, porém, é que o nosso chuveiro um Triton T80si não tem torneira: tem botão on/off. Para começar (e terminar) o banho é preciso
agora apertar um botão. Ligar a água virou um processo digital, distante de toda a hidráulica da coisa, o que já me deixa à mercê do pior tipo de
agouro. Fico imaginando os dissabores possíveis: decerto não serão goteiras, mas é fatal que haja o dia em que o apertar do botão não será seguido
pelo jorro d'água, e aí nada restará a fazer.
O abandono do analógico implica nesse caso o fim da possibilidade da gambiarra imediata, que dispensa o conhecimento do código. É como na
passagem do vinil pro CD: pra dar um jeito num LP arranhado tem sempre a solução da moedinha na agulha; já diante de um CD que pula não há
muito o que se possa fazer sem desvendar a caixa-preta do aparelho.
De volta ao reservado: Jayne Greenwood, née Fidler, mandou refazer o banheiro nos 15 dias que separaram a partida da Ethav, antiga inquilina, da
nossa entrada na casa da Cairo Road. Ficou bonitão, branco e reluzente, mas ainda sem os suportes metálicos para toalhas, que já estão comprados
(jazem sobre o nosso armário), mas não foi possível instalar, porque a Ethav não tinha quitado a conta e a luz fora cortada, e Jayne insistiu que não
tentássemos colocar os aparatos por nossa conta, que poderíamos quebrar os belos azulejos (mesmo tendo sobrado vários, pesadíssimos, no fundo
da despensa).
A reforma deixou ainda outros pontos a desejar, por falta de bom senso, grana ou vontade política. A mangueira do chuveirinho não é longa o
bastante para alcançar o ralo da bela banheira branca, o que deixa antever contrariedades na hora da faxina. E é curta pra tomar banho segurando o
chuveirinho na mão qual um telefone, como os franceses tanto gostam (Charlotte reformou o banheiro há pouco também, e não instalou um suporte
para pendurar o chuveiro sobre a cabeça, ou seja, só dá pra tomar banho no modo telefone. Segundo Ana Luiza, ela alegou que não gostava, que
daquele jeito não tinha controle sobre a água. Essa declaração resume a relação dos franceses com a água).
A guisa de boxe, Jayne mandou colocar uma placa de vidro meio solta, que não chega ao teto e mal alcança metade do comprimento da banheira. O
contato com a parede e a base da banheira não inspira muita confiança e parece que a peça não terá carreira muito longeva naquela posição só
espero que não sucumba na nossa gestão. (É um pensamento meio fatalista, mas não consigo parar de pensar na entropia: a vocação daquela placa
de vidro não é ficar ali mal equilibrada, sujeita ao movimento dos banhistas.)
E nosso banheiro não tem ralo, claro, não que eu esperasse por isso, já que escoar a água do chão não parece ser uma preocupação relevante no
projeto dos banheiros europeus.
Blog: A Rainha que se cuide
COISAS DE NORUEGA....XV
c sabem que uma das coisas interessantes que a gente nota aqui nos jornais daqui da Noruega e que nunca tem o nome das pessoas envolvidas
nos acidentes, assaltos, brigas, etc...existe uma lei de protecao que nao permite a publicacao de nomes e enderecos em jornais...o maximo que se
sabe e o sexo, a idade e o local aonde aconteceu o fato...por um lado e bom pois protege a identidade das pessoas, mas por outro lado e negativo
pois protege a identidade dos criminosos tb...Os nomes so aparecem nos jornais, quando o(s) caso(s) ja esta(o) em julgamento na alta corte ou ja estao na TV ...ou em casos de reclamacoes,
sessoes esportivas e politicas...Lembro bem que la na minha cidade, quando acontecia algo, a gente sabia de antemao, atraves do jornais, quem fez, quem nao fez, o nome
completo, o nome dos pais, idade e ate o local que residiam...se brincasse muito, contavam ate o horoscopo ...hehehe...
xPara o Andre Cruz me perguntou como sao as casas por aqui... a maioria das casas por aqui sao de madeira...geralmente tem 2 andares ou ate
mais...as casas sao construidas sobre um pilar de concreto...encima deste pilar de concreto se constroi o porao (kjelle) que sustentara todo o peso da
casa...o restante da casa e todo de madeira..Normalmente, as paredes de madeira sao duplas e protegidas com uma fibra isolante (fibra de vidro) para manter o aquecimento interno...
construcoes mais recentes tem tb uma protecao plastica ou emborrachada entre as paredes alem da fibra de vidro...
Nos telhados, apos a armacao que sustenta as telhas estar montada, tb se usa uma protecao plastica ou emborrachada para evitar que a umidade
penetre por entre as telhas...O forro tb e sempre construido de forma que possa ser utilizado para se guardar tudo oque nao "tem muita necessidade"...casas construidas em um
unico plano nao sao muito utilizadas por aqui, mas existem....Geralmente as casas sao muito grandes, com janelas sem protecao, oque me assustou um pouco no comeco...os quartos geralmente nao sao muito
grandes, mas a sala ou salas tem que ser bem espacosas ja que e uma area em que a familia passa a maior parte do tempo...a maioria das casas tem
tb pequenas areas que chamamos "bod" e que servem para guardarmos um pouco de tudo: comida, ferramentas, bicicletas, coisas de inverno,
etc...aqui em casa temos 3 "bod" e um deles e tao grande que vai ser usado como quarto do Lollo...Muitas casas tem, hoje em dia, o aquecimento no piso, feito atraves de cabos de conducao de calor...normalmente usamos o piso aquecido so nos
banheiros, porque e uma dureza tomar banho no inverno se o chao estiver muito frio....brrrrrrrrrr....quem tem mais condicoes, tem piso aquecido em
varios comodos da casa...e confesso a voces: e uma delicia!!!...andar naquele chao quentinho...hummmmm...bom demais!!!Hoje em dia os arquitetos estao tentando mudar um pouco a imagem das casas escandinavas, construindo residencias em estilo mais moderno e em
concreto...mas nao sao todos que gostam...assim, e muito comum em meio a areas com residencias de madeira em estilo escandinavo, surgirem
imensos complexos residencias em linhas ultra-modernas...Caracteristicas de muitas das casas escandinavas:
1. Geralmente a porta principal se abre para o lado de fora...dizem que e para economizar espaco e evitar-se arrombamento...
2. Todo lugar que tem uma porta, tem uma madeira alta no chao, oque torna impossivel tentar varrer de um comodo para o outro...me falaram que e
para evitar que o frio passe por debaixo da porta... sera???...mais explicacoes alem dessa eu nao consegui...hehehe....aqui em casa tratei de tirar as
da sala e da cozinha....sem contar que o Lollo vivia tropicando nelas...uffff
3. E os ralos...vcs sabem que geralmente nao tem ralos nos pisos da maioria dos banheiros e lavanderias por aqui???....claro que tem ralo dentro do
box do chuveiro e agua escoa direto pelo cano para o esgoto...lembro que uma vez la em Hylkje, eu cismei de lavar todo o banheiro de cima para
baixo...joguei agua nas paredes, esfreguei e tal...na hora de puxar a agua, cade o ralo???...que caos!!!...tive que juntar toda a agua no pano de chao
e torcer dentro do box do chuveiro...usei um tempao e fiquei "P" da vida...hehehe...claro que tem casa que tem, mas a maioria nao tem mesmo!!!
4. As lampadas...tudo fraquinha...quanto mais fraca, melhor!!!...a impressao que da quando se olha do lado de fora da casa e que so tem abajur
ligado...mas e uma caracteristica das casas daqui...as luzes fracas fazem o ambiente parecer mais calmo e aconchegante...para quem gosta de ler,
tem sempre varias lampadas de leitura (bem fortes) em todos os cantos da casa...
5.Tanque...nem sempre as casas tem tanque...aqui em casa nao tem e muitas das casas em que ja estive, tb nao tem...uma das minhas amigas tem
porque mandou instalar...lavar tenis encardido so na pia mesmo...e que trabalhao, ainda mais quando e o "tenizinho" tamanho 46 do marido...hehehe
xx Vcs sabem que tenho notado que algumas pessoas me mandam e-mail perguntando sobre como devem fazer para vir para ca, trabalhar, ganhar
dinheiro, etc...e quando eu falo que aqui nao e lugar para quem quer ganhar dinheiro, as pessoas se chateiam ou me acham lunatica...como assim
no melhor pais do mundo para se viver, nao se pode ganhar dinheiro???...Pois lhes digo a verdade meus caros interessados...sim, a Noruega e um pais lindo, maravilhoso, seguro e tranquilo para se viver...principalmente se
vc se adapta facil a mudancas e sente que pode sobreviver ao periodo de frio...se vc gosta de ter contacto com novas culturas...aprender uma nova
lingua ...aprender sobre tradicoes..As pessoas tem muitos direitos e o social cobre muitas das necessidades de quem nao pode (ou nao quer) trabalhar....a violencia e quase zero...a
qualidade de vida e muito boa....Mas como qualquer pais do mundo, aqui tb tem seus problemas...claro que em menor intensidade que em outras partes do mundo...o governo que
corta verbas que sao essenciais para algumas areas como assistencia ao idoso e a crianca, e as utiliza em areas nao tao necessarias...o dinheiro do
social que e usado de forma errada...a demora no atendimento a doentes com problemas psicologicos ou que necessitam grandes cirurgias...a falta
de vagas nas creches...e os altossssssssssssss impostos...Claro que quanto aos impostos, a gente ate paga sem reclamar ja que recebemos muito de volta....mas garanto a vcs que e quase impossivel se
ganhar dinheiro por aqui, ou seja, fazer um "pe de meia"...a nao ser que a pessoa seja realmente muitooooooooooo economica....quem tem dinheiro
guardado aqui e porque tem economizado um pouquinho por mes durante varios anos...assim, ficar com a conta cheia de dindin da noite para o dia
(ou em poucos meses) e praticamente impossivel...Sem contar que e preciso ter visto de trabalho e moradia para se trabalhar legalmente e ter direitos como qualquer noruegues...para consegui-lo, so
se casando com noruegues (a) ou tendo uma proposta de empregador noruegues ou sendo cidadao europeu (oque da direito a morar no pais e
procurar emprego por um periodo de 6 meses)...caso contrario, esquecam!!!...viver ilegalmente aqui, nem pensar!!!...o custo de vida e alto e vc nao
tem direito a nada...sem contar que vive sempre com medo de ser mandado fora do pais...Assim, nao venham cheios de ilusoes porque nem tudo que "reluz e ouro"...
Blog: A Noruega Brasileira II
A Faxina e a barra pesada do Hispanic Harlem
Nos meu primeiro mês após os atentados Melissa Hope voltou do doutorado na França e tive que buscar um outro local para morar. O calvário
imobiliário parece não ter fimem Nova York e os preços astronômicos foram me jogando para algumas áreas bem barra pesada da cidade.
O chamado Hispanic Harlem é bem pior do que o pior do Harlem. Através de um anúncio em uma padaria achei uma vaga em um Brownstone,
prédio de tijolinhos marrons, bem tradicional da cidade. O lugar era uma república da Igreja do Nosso Senhor Cristo dos últimos Dias.
Eu nunca tinha vivido a experiência de dividir espaço com religiosos, mas achei que o lugar era limpo, seguro e bem próximo do metrô. Após os
atentados a cidade parou e o desemprego começou a bater a nossa porta. Muitos brasileiros, com medo e sem emprego decidiram voltar. Eu achava
que seria uma derrota dupla: perder para o desafio de viver lá e ainda por cima perder para os terroristas. Eu decidi ficar, sem emprego e com apenas
500 dólares no banco. A coisa ficou tão feia que entrei na fila do setor de ajuda a imigrantes da igreja católica e começei a pegar uma cesta básica
semanal. Nessa época também descobri o exército da salvação. Até os Mórmos, que não são nada bobos se seguiram até a igreja para pegar umas
latinhas de feijão.
Até ai, tudo bem, na primeira semana cada um na sua,todos solidários e prestativos. Como em toda comunidade, há regras e uma delas é a da
divisão das tarefas domésticas. Cada semana uma dupla se encarregava de limpar a cozinha, o banheiro e os quartos.
O prédio havia sido construído da década de 20 ou 30, com aquelas escadinhas de ferro que eles chamam de "saida de emergencia", mas que eu só
vi sendo usada mesmo nos filmes da TV, quando alguém invade o apartamento e há uma cena de fuga. Geralmente o cara cai em um carro
conversível e consegue escapar..aquelas coisas de cinema.
Bom..voltemos ao apartamento e ao meu primeiro dia de limpeza. Preparei os baldes, os detergentes e fui decidido a fazer bonito para causar boa
impressão. Eu era considerado o ïntelectual do local e queria apagar essa impressão mostrando que seria capaz de realizar o trabalho braçal.
Primeiro enchi o balde e joguei nos cantos para tirar a sujeira.
Olhei e cadê a água ? ..por que a água desaparece ? Onde está o ralo ? Escutei um grito, em espanhol, vindo do apartamento do primeiro andar.
Nao sei se falei, mas nossos vizinhos mexicanos faziam festas até as três da manhã. Mariaches produzem sons inexplicáveis e inreproduzíveis. Por
várias vezes havia ligado para polícia para tentar dormir em paz, mas agritaria recomeçava assim que os policiais saissem do local.
Adonis,um dos meus roommates,veio correndo da sala assim que perguntei pelo ralo. "Ahhmm Marco..esqueci de te avisar.. não tem ralo.." disse em
tom professoral. "aqui na América a gente nao pode lavar banheiro nem cozinha..e tudo de formiplac e incha,vaza para a casa do vizinho.
Paralisado com o balde e a vassoura na mão, fiquei rindo do estrago que deveria ter provocado no apartamento dos mexicanos. Constatei pelo teto
do nosso banheiro, já inchado da humidade causada pela banheira do andar superior. "tem que ser tudo com paninho molhado" me explicou
Adonis.
Lembrei da última faxina que Yolanda, minha amiga lá no Rio, fez no meu apartamento. Yolanda jogava baldes de
água..limpa..limpa..limpa..cera..cera.enceradeira. Horas, o dia inteiro Pensei no desespero de Yolanda, se estivesse aqui, ao encarar uma limpeza
sem balde, sem água, só com paninhos.Bom..quanto aos mexicanos...bem..eles mereceram um balde de água fria para pagar as noites em claro que
passei ao som dos mariaches.
Blog: conectando pessoas
NÃO!
Fui colocar as panelas pra lavar na máquina, botei o sabãozinho, fechei a porta, boto a água na temperatura máxima (louça de peixe, faz idéia),
começo a cantar lalarila enquanto estendo as roupas no varal - é, vida de dona de casa, pensa o quê?
Volto na cozinha pra roubar mais uma rosquinha do pote e alimentar minhas LULITES e me deparo com o dilúvio. A dishwasher estava vomitando
água fervendo com cheiro de peixe no chão da minha cozinha, e óia, COZINHA INGLESA NÃO TEM RALO.
Ainda bem que era salmão, né.Já que é pra sifudê, pelo menos a gente sifode chic.
Blog: sherrys0da
Ufa! Consegui respirar! Peguei um trabalho de 3 semanas, da 00:00 as 7:00 da manha, todo dia inclusive final de semana... mas com uma folga no
meio da semana. Ta bem cansativo mas vai valer a pena. $ :)
Esses dias resolvi que iria escrever sobre as coisas que estou aprendendo aqui na Austrália.
A Austrália é um país de todos, onde a imigração ainda é totalmente aberta e vc conhece gente do mundo inteiro. Aprendi a dar valor as frutas...
Depois de ver que custa 16 dolares o Kg da banana, nunca mais vou deixar elas apodrecerem na cesta... Jogar o papel higienico na privada é normal
por aqui e não entope! (nao existem lixos nos banheiros do lado da privada) Tomar agua da torneira nao faz ninguem morrer. Lave o carro e regue o
jardim com mangueira no domingo e receba uma multa em casa na segunda. (A multa vem MESMO e racionamento é coisa séria). Nunca atravesse
a rua fora da faixa de pedestres ou no sinal vermelho... as chances de vc levar uma multa são de 70%. Nao fure fila, uma das maiores faltas de
respeito. Use SEMPRE thank you e please... mesmo que sejam pra coisa minimas, com certeza nunca sera o bastante. Reciclar o lixo é dever de
todos! Caminhao de lixo? Uma vez por semana e olha la... Mercado tem suas curiosidades.... Va no "final do dia" 19:00 e compre as comidas frescas
do dia da metade do preco pra baixo.... Vc soh entra na sessao de bebidas alcoolicas se for maior de 18 anos. O chocolate que vc paga cada 1,90 no
outro dia pode estar na promocao 2 por 2,00... mas no outro dia volta ao normal! Vai entender esse marketing australiano. Na hora de pagar, o caixa
sempre pergunta se vc quer "cash out" ou seja, sacar alguma grana do cartao que vc esta passando, sem nenhuma taxa.... e pergunta se vc precisa
MESMO uma sacola... ecologia também é coisa séria. Não interessa se vc é faxineiro (viva nóis!) ou um gerente de banco... todos tem o mesmo
padrao de vida e tem acesso pra fazer as mesmas coisas... tem casa, carros e filhos... de preferencia gemeos! Rodo? Nao tem pra vender... pra que
se o banheiro nao tem ralo fora do box? Um paninho umido ta loco de bom pra limpar.... É emocionante qdo vc encontra alguem tem que avós
australianos.... Por ser um pais imigrante e novo, sempre os pais ou avos são de outros paises... Aprendi que os japoneses são sistematicos demais,
os chineses atrapalhado, os indianos afobados , os koreanos tem o mesmo humor dos brasileiros, os colombianos gostam de ir pra aula bem
arrumados e os brasileiros... agitados demais (como diriam os professores hehehe) Gosta de coca-cola? No mercado a latinha custa de 0,40 a 0,60
cents. E se vc vai no HungryJack (Mc donalds australiano) e compra um "numero", pode tomar quanto de coca quiser pq a maquina de refri fica do
lado de fora do caixa. Imagina isso no Brasilzao... hehe O onibus nao tem catraca, quem cobra a passagem é o motorista mesmo.... fila de velhinhos?
tenha paciencia... pois o cobrador vai cobrar de todos e ainda explicar o ponto que eles tem que descer... pra depoissss voltar a dirigir. Antes dos
primeiros bancos, tem dois lugares estilo "guarda-volumes" pra vc deixar suas coisas (compras, notebooks, mochilas pesadas). E vc pensa que
alguém mexe? Transporte publico é pra ser usado... por isso a maioria dos trabalhores (principalmente executivos) deixam seus carros na garagem e
vão de onibus, trem ou tram trabalhar. Ir de bicicleta (toda equipada e com roupas proprias) pro trabalho tb é coisa comum entre os executivos, mas
chega no trabalho e só coloca o terno... banho só em casa e a noite. Comércio fecha as 17:00 (tudo, ateh shopping), as 19:00 as ruas ja estao vazias e
silenciosas (principalmente nos bairros), criancas na cama e tem mercados que fecham as 20:00... No posto, não espere frentista... mto menos
lavarem seu carro. Vc mesmo abastece e lava seu carro, verifica oleo, agua....
Foi isso que lembrei agora... quem sabe depois eu lembre mais!Vou colocar um video que fiz com os "melhores momentos" desses 3 meses e
meio...É isso ai! Bjos e abraços com saudades! Cheers!
Blog: plinetsnaaustralia
Apartamento
Meu primo Edinho me ajudou a encontrar um apartamento para alugar aqui. Aluguel nos EUA e muito caro. Mil dolares por mes, por um apartamento
de dois quartos. Mas gosto do apartamento, do condominio, da localizacao. O apartamento, alem dos dois quartos, tem dois banheiros, uma cozinha,
sala/copa e, como e terreo, tenho varandas e jardins. O condominio tem piscina e duas quadras de tenis. Mas como e muito frio aqui, nao chegamos
a usar a piscina.
Algumas particularidades das moradias daqui - todos os banheiros tem banheira. Nao tem tanque. As casa nas quais ja estive tambem nao tem. Os
apartamentos nao tem area de servico. Tem lavanderia comunitaria (compramos um cartao e adicionamos creditos - 5, 10 ou 20 dolares- e entao
usamos o cartao nas maquinas - lavadora e secadora. Nao tem tanque na lavanderia tambem...). Na lavanderia do meu bloco tem 3 lavadoras e 3
secadoras. As moradias ja vem equipadas com fogao, exaustor, geladeira e lavadora de louca ( nao precisamos comprar isso. Os armarios sao
enormes!
Contratei uma linha telefonica e internet. Tenho TV a cabo ( ja incluida no aluguel). Muitas pessoas contratam o canal Globo ( Sim, a Globo do Brasil!).
Eu nao quis fazer isso porque, como vim desenvolver o meu ingles, assistir aos canais americanos vai agilizar o processo.
Moveis - nao precisa comprar, se nao quiser. E possivel encontrar praticamente de tudo, de graca. Ou pode-se ir a um yard sale e comprar bem
barato(tenho uma TV a cores que custou 2 dolares!). Yard sales sao vendas de moveis e utensilios usados que as pessoas fazem em seus jardins,
para se livrar do que nao querem mais. Alem disso, a caridade aqui e muito organizada. Ha lojas do Salvation Army(Exercito da Salvacao) e Good
Will, onde pode-se comprar varias coisas usadas por um preco simbolico. Mas leva um certo tempo para se encontrar o que se quer, e claro. No meu
caso, comprei algumas coisas em promocao, outras em yard sales e tenho algumas coisas que meu tio me emprestou. Ah! Ha tambem lugares para
onde as pessoas levam donativos (moveis, roupas, utensilios, livros, revistas, objetos de decoracao) e pode-se ir ate la e, simplesmente, escolher o
que se quer e levar para casa sem pagar. Alem de encontrarmos varias coisas que as pessoas colocam nas calcadas para quem quiser levar
(eletrodomesticos, moveis). Coisas boas, praticamente novas. Elas simplesmente jogam fora e compram tudo novo muito frequentemente. E viva o
consumismo americano!
A limpeza e muito diferente aqui. Usa-se spray e toalha de papel, praticamente. E, e claro, aspirador de po. Nao tem ralo nos banheiros e cozinhas.
Portanto, nao se pode lava-los como fazemos no Brasil. Nao se passa roupa!
Aqui e muito comum as pessoas dividirem o aluguel. As vezes alugam casas bem grandes e cada um fica com um quarto. Porem, eu e o Andre
moramos sozinhos. Gostamos da nossa privacidade.
Blog: Flavia/USA
Uma historia de Natal...
Essa merece ser contada... De manha todo mundo foi trabalhar, pq aqui nao tem sabado, domingo e dia de natal, todo dia e dia de trabalho... Eu sai do trabalho as 15h30 e vim
aqui pro Vista pra ter certeza que tava tudo certo pra ceia de natal a ser sediada nos meus vizinhos brasileiros... Tava tudo certo, o peru a mae do
Bruno (um dos meus vizinhos) que esta visitando tinha ido comprar no Publix e tinha comprado tmb pure de batata, gravy e mais umas coisas
estranhas...So faltava uma SOBREMESA!! Mas isso nao seria problema... Esperei a Mi chegar do trabalho e resolvemos ir fazer as compras pra tal da
sobremesa... Iamos fazer Mousse de Chocolate e de limao...Assim que chegamos um problema se impos... Como e que vamos achar leite condensado e creme de leite pra fazer o mousse???Com tal obstaculo imposto a gente resolveu mudar a sobremesa e a Mi fez uma nova receita: massa de torta holandesa + brigadeiro + sorvete +
chocolate crocante por cima... Tudo para ficar bom, ne? So faltava achar o leite condensado e a bolacha maizena pra fazer a massa... Mas nao foi que
achamos??? Depois de fucar cada prateleira ate o talo achamos os dois ingredientes e voltamos para casa...As perspectivas eram boas...Comecamos a amassar a bolacha (pq tinha que virar tipo uma farofa), mas eta bolacha dura... A mi ainda disse, "se a gente tivesse uma luva! Mas
amassar assim com a mao doi mto!! ". Foi entao que eu tive a brilhante ideia de pegar um pote medidor e amassar com ele!! Ate que deu certo,
mas.... E A MANTEIGA???Pois e minha gente, nao tinha manteiga pra fazer a massa e a gente tinha esquecido de comprar... E a preguica de voltar pra comprar?! Esta tava
grende... A Mi queria que eu fosse bater nos vizinhos brasileiros que a gente nao conhecia pra ver se eles tinham pra emprestar, mas eu nao queria
ir. Entao a minha outra rommie chegou e ela que nem ia jantar com a gente foi pedir a manteiga, mas nao tinha ninguem no ap...Eu fui pedir no ap de uns americanos que moram no nosso predio mas tmb nada... Eles tmb nao tinham manteiga...A Mi comecou a fazer o brigadeiro, mas eu convenci ela a ir comprar a manteiga!!!Entao eu continuei fazendo o brigadeiro... E ele nunca ficava pronto!! Numa dessas eu cansei e aumentei o fogo... E num e que queimou???!!!! So
um pouquinho no fundo, mas ficou moh gosto de queimado no brigadeiro inteiro.. E agora? Tinhamos a manteiga, mas o brigadeiro estava
queimado.... Vai o brigadeiro queimado mesmo!! hahahah...Fizemos a massa, colocamos no forno. E ela nao ficava dura, NUNCAAAAAA..... Eu fiquei sentada do lado do forno falando no telefone mais de uma
hora e nada dela ficar pronta!!! Parecia que tudo tava conspirando pra sobremesa nao dar certo, mas a gente nao desistiu!!! Desligamos o forno e
depois de deixar esfriar um pouco colocamos o brigadeiro, o sorvete e as bolinhas de chocolate e colocamos no freezer.Depois de um tempo fomos pra casa dos nossos vizinhos... Ainda faltava um tempo pro jantar pq tinhamos que esperar um amigo chegar do trabalho
e ele so ia chegar la pelas 2h30 da manha...E qual e a nossa surpresa qdo ao chegar la o peru esta na pia!!!!!! PQ? Pq como nao tinhamos vasilha eles colocaram numa panela e colocaram no
forno pra esquentar, so que o cabo da panela quebrou e o peru (que era enoooorrrrmmmmeeee) foi parar no pia para nao parar no chao!!! Sem
contar que o chao ficou cheio de gordura no peru... Por isso vcs podem ver o Andre limpando o esfregao na banheira, pq por todos os motivos mais
idiotas possiveis, na cozinha nao tem ralo!!!Bom, salvamos o peru, limpamos o chao, pra felicidade de todos a sobremesa deu certo e pra minha e da Mi todo mundo elogiou a nossa invencao!!
Ficou bom mesmo...Acho que foi so isso que aconteceu... heheh... Se eu lembrar de mais alguma coisa eu escrevo de novo!!
Blog: Ni Leirner
9 de abr de 2007

Ralo e Fio Dental
Não existe ralo aqui. Isso mesmo. É uma péssima idéia deixar a banheira encher e transbordar. A água não tem para onde escorrer no banheiro e sái para o quarto alagando o carpete cinza de bolinhas laranja.
Não existe ralo aqui. Isso mesmo. É uma péssima idéia deixar a banheira encher e transbordar. A água não tem para onde escorrer no banheiro e sái para o quarto alagando o carpete cinza de bolinhas laranja.
Também não tem fio dental. Ou melhor, esse tem, mas não é em qualquer lugar que a gente acha. É quase que uma loja de artigos exóticos para higiene bucal. Se eles nem tomam banho, imagina passar fio dental...
Esse aí em cima é o Sr. Sabão. Ele apareceu no meu banheiro no dia que tomei duas latinhas de cerveja. Não dá pra viver sozinho. Se o Náufrago encontrou Wilson, eu encontrei o Sr. Sabão.
BLOG: Wander Rodrigues
13 de mar de 2007
A Claudia em dobradinha....
- Mas voce é brasileira? Nao parece!
- Por que?
- (...)
- (...)
- Voce parece italiana! Parabéns!
- Por parecer italiana?
- (...)
Comassim???
- Nossa, voce fala muito bem o italiano!
- Obrigada, eu me esforço.
- Ja vi muito extra-comunitario que esta aqui ha muitos anos e nao fala como voce.
- Mas é que tem muitas linguas mais diferentes que o portugues do italiano. Veja o arabe, o chines por exemplo. Ja imaginou ter de aprender outra lingua tao diferente? Até entre voces INTRA-COMUNITARIOS, um alemao, por exemplo, um ucraniano... deve ser mais dificil pra eles que pra mim!
- Intra-comunitario?
- Sim!
- O que é intra-comunitario?
- Nossa, voce nao sabe?? é como TODO O RESTO DO MUNDO chama voces, da Comunidade Européia! Até os suiços, sabia??
- Verdade????
- Verdadeira!
- (...)
Que ela ficou na duvida, ficou!!!
- Eu até gosto das mulheres brasileiras.
- Ahh, sim?
- Sério. Eu até procuro por elas, mas quando encontro vem com um brinde no meio das pernas.hehehehehe
- Que coisa, né? Tem realmente muito travesti brasileiro aqui!
- Tem aos montes
hehehehehehehe
- Verdade!! Aqui eles tem muito campo de trabalho!! Voces italianos os apreciam muito, né???
- (...)
Isso foi num jantar.
Algumas vezes a gente tem de ser curto e grosso pra dizer a que veio.
Blog: Sabiá sabe assobiar
- Mas voce é brasileira? Nao parece!
- Por que?
- (...)
- (...)
- Voce parece italiana! Parabéns!
- Por parecer italiana?
- (...)
Comassim???
- Nossa, voce fala muito bem o italiano!
- Obrigada, eu me esforço.
- Ja vi muito extra-comunitario que esta aqui ha muitos anos e nao fala como voce.
- Mas é que tem muitas linguas mais diferentes que o portugues do italiano. Veja o arabe, o chines por exemplo. Ja imaginou ter de aprender outra lingua tao diferente? Até entre voces INTRA-COMUNITARIOS, um alemao, por exemplo, um ucraniano... deve ser mais dificil pra eles que pra mim!
- Intra-comunitario?
- Sim!
- O que é intra-comunitario?
- Nossa, voce nao sabe?? é como TODO O RESTO DO MUNDO chama voces, da Comunidade Européia! Até os suiços, sabia??
- Verdade????
- Verdadeira!
- (...)
Que ela ficou na duvida, ficou!!!
- Eu até gosto das mulheres brasileiras.
- Ahh, sim?
- Sério. Eu até procuro por elas, mas quando encontro vem com um brinde no meio das pernas.hehehehehe
- Que coisa, né? Tem realmente muito travesti brasileiro aqui!
- Tem aos montes
hehehehehehehe
- Verdade!! Aqui eles tem muito campo de trabalho!! Voces italianos os apreciam muito, né???
- (...)
Isso foi num jantar.
Algumas vezes a gente tem de ser curto e grosso pra dizer a que veio.
Blog: Sabiá sabe assobiar
4 de mar de 2007
A Claudia está morando em Milão.
MILAN'S WAY OF LIFE
As coisas aqui em Milao funcionam mais ou menos assim:
. TODO cheque é nominal, ou seja, TODO cheque voce tem de ter documento, assinar no verso e so pode descontar na agencia onde quem emitiu tem conta;
. Os onibus tem horario marcadissimo, tipo nao atrasam um minutinho sequer pra sair. Dai, se voce esquecer o celular em casa e voltar pra pegar, ta frita, minha filha! So dez minutos depois...
. As pessoas adooooooooooram ir pro bar... de manhazinha!! tomar café!!
. No metro, se voce se distrai e nao cede o lugar a uma pessoa idosa, ela muito educadamente o exige de voce;
. A gente tem de se vestir no estilo "cebola", isto é, em camadas. Pra sair ali na esquina é um veste veste veste veste veste que nao acaba mais. Quando chega em algum lugar, é um tira tira tira tira tira... ufa!! Todo lugar fechado tem aquecimento, e essa época do ano ELES EXAGERAM!! Em casa tem de ter daqueles cabidinhos de pendurar casaco (aqui em casa ainda nao tem) pra gente fazer igual nos filmes noir;
. Outra coisa indispensavel em casa aqui é um porta-sombrinhas do lado de fora da porta. E às vezes roubam sim, as sombrinhas! Mio amore ja teve uma roubada ha pouquissimo tempo, nao neste, mas em seu antigo apartamento;
. As pessoas às vezes falam em dialeto milanes, ai é um deus-nos-acuda porque nao entendo absolutamente NAAAAAAAADA!!!
. Depois das 9 da noite o centro vira um deserto;
. As crianças de até 5 anos ainda sao conduzidas pelas ruas em carrinhos de bebe!!
. Falando nisso, as maes milanesas - alias, vou generalizar, as maes italianas - sao pra la de autoritarias! Gritam, sugigam, biliscam, assim na maior!! Outro dia vi uma carregando o filho de uns 3 anos pelo capote porque o fulaninho nao queria sair do parque. McDonalds, restaurantes, shoppings... é um tal de mar gritando com filho que nao se pode imaginar. E elas parecem nao sentir nenhum milimetro de culpa.
. As avos sao iguaizinhas as maes! Nada de paparicar os netos, gritam meeeeesmo!!
. E os pais? voces poderiam perguntar. Tem cara de tédio.
. Caixa de loja e de supermercado parece pista de corrida, péssima situaçao para uma pessoa atrapalhada como eu, mas estou aprendendo a ser mais objetiva;
. Quase tudo é automatico, até locadora de video. Por isso, aprender a nao ter medo dessas maquinas malucas é uma necessidade!
. Na rua, basta voce botar o pézinho na faixa de pedestre que os carros param. Fiquei imaginando uma brincadeira de botar pé, tirar pé, botar pé, tirar pé... hihihi
. Os sinais de transito de pedestre às vezes sao iguais aos dos carros, isso me confunde! Muitas vezes também estao do outro lado da rua;
. Aqui andam todos misturados, onibus, tram (bondinho), carros, bicicletas... e ninguém se atropela! Mamma mia!!
. Os prédios sao quase todos iguais, mesmo padrao. Me da vontade de pegar uma lata de tinta azul e pintar pelo menos UM de uma cor diferente!! Os tais balcoes também sao tao repetitivos!! Estava pensando em colocar florezinhas nos meus, mas ultimamente ando querendo algo mais alternativo. Talvez esculturas... ou uma rede!
. Ainda existem vendinhas, verdureiros e essas coisas todas que mais parecem da Idade Média. Adoro. So nao gosto de nao poder escolher o produto.
. Milao tem muitos campos ao lado das avenidas. E bonito ficar olhando, parece que a gente se perde na paisagem de planura total.
Blog: Sabiá sabe assobiar
MILAN'S WAY OF LIFE
As coisas aqui em Milao funcionam mais ou menos assim:
. TODO cheque é nominal, ou seja, TODO cheque voce tem de ter documento, assinar no verso e so pode descontar na agencia onde quem emitiu tem conta;
. Os onibus tem horario marcadissimo, tipo nao atrasam um minutinho sequer pra sair. Dai, se voce esquecer o celular em casa e voltar pra pegar, ta frita, minha filha! So dez minutos depois...
. As pessoas adooooooooooram ir pro bar... de manhazinha!! tomar café!!
. No metro, se voce se distrai e nao cede o lugar a uma pessoa idosa, ela muito educadamente o exige de voce;
. A gente tem de se vestir no estilo "cebola", isto é, em camadas. Pra sair ali na esquina é um veste veste veste veste veste que nao acaba mais. Quando chega em algum lugar, é um tira tira tira tira tira... ufa!! Todo lugar fechado tem aquecimento, e essa época do ano ELES EXAGERAM!! Em casa tem de ter daqueles cabidinhos de pendurar casaco (aqui em casa ainda nao tem) pra gente fazer igual nos filmes noir;
. Outra coisa indispensavel em casa aqui é um porta-sombrinhas do lado de fora da porta. E às vezes roubam sim, as sombrinhas! Mio amore ja teve uma roubada ha pouquissimo tempo, nao neste, mas em seu antigo apartamento;
. As pessoas às vezes falam em dialeto milanes, ai é um deus-nos-acuda porque nao entendo absolutamente NAAAAAAAADA!!!
. Depois das 9 da noite o centro vira um deserto;
. As crianças de até 5 anos ainda sao conduzidas pelas ruas em carrinhos de bebe!!
. Falando nisso, as maes milanesas - alias, vou generalizar, as maes italianas - sao pra la de autoritarias! Gritam, sugigam, biliscam, assim na maior!! Outro dia vi uma carregando o filho de uns 3 anos pelo capote porque o fulaninho nao queria sair do parque. McDonalds, restaurantes, shoppings... é um tal de mar gritando com filho que nao se pode imaginar. E elas parecem nao sentir nenhum milimetro de culpa.
. As avos sao iguaizinhas as maes! Nada de paparicar os netos, gritam meeeeesmo!!
. E os pais? voces poderiam perguntar. Tem cara de tédio.
. Caixa de loja e de supermercado parece pista de corrida, péssima situaçao para uma pessoa atrapalhada como eu, mas estou aprendendo a ser mais objetiva;
. Quase tudo é automatico, até locadora de video. Por isso, aprender a nao ter medo dessas maquinas malucas é uma necessidade!
. Na rua, basta voce botar o pézinho na faixa de pedestre que os carros param. Fiquei imaginando uma brincadeira de botar pé, tirar pé, botar pé, tirar pé... hihihi
. Os sinais de transito de pedestre às vezes sao iguais aos dos carros, isso me confunde! Muitas vezes também estao do outro lado da rua;
. Aqui andam todos misturados, onibus, tram (bondinho), carros, bicicletas... e ninguém se atropela! Mamma mia!!
. Os prédios sao quase todos iguais, mesmo padrao. Me da vontade de pegar uma lata de tinta azul e pintar pelo menos UM de uma cor diferente!! Os tais balcoes também sao tao repetitivos!! Estava pensando em colocar florezinhas nos meus, mas ultimamente ando querendo algo mais alternativo. Talvez esculturas... ou uma rede!
. Ainda existem vendinhas, verdureiros e essas coisas todas que mais parecem da Idade Média. Adoro. So nao gosto de nao poder escolher o produto.
. Milao tem muitos campos ao lado das avenidas. E bonito ficar olhando, parece que a gente se perde na paisagem de planura total.
Blog: Sabiá sabe assobiar
16 de ago de 2006
Gente, por favor....
Addio! Goodbye! Farewell... Hasta la vista baby, JAMAIS!!
ESTAMOS DEIXANDO A ITÁLIA. VIVA A SUÉCIA!
A frase é assim mesmo breve, mas por traz disso tudo um furacão de acontecimentos que nos fez definitivamente tomar a decisão de deixar esse país. As razões são muitas e devido a sucessivas frustrações vimos que a melhor alternativa pra vivermos como cidadãos de verdade era essa.
Nos últimos meses várias coisas colaboraram pra nossa decisão. Começou com um Contrato de Parceria Civil e Sociedade de Fato que desde o novo código civil brasileiro já é possível ser feito por casais gays no Brasil, embora não seja união civil em se tratando de inexistencia de regulamentação específica na Constituição Federal. Porém uma alternativa que pode ajudar muito a assegurar os nossos direitos.
Bom, pagamos um advogado em São Paulo que o fez retroativo e cobrindo tudo que precisamos e todos os direitos de qualquer casal, e ainda seria possível, caso quiséssimos, pedir o visto de permanência brasileiro pro Roberto.
Recebemos o contrato, assinamos e levei no Consulado Brasileiro pra reconhecer a minha firma o que foi feito de forma simples e rápida.
Já a parte do Roberto... dai começou a nossa novela O cartel-máfia NOTAIO della Terra Nostra, que em resumo da obra foram várias tentativas mal sucedidades de APENAS reconhecer a firma do Roberto, mais nada. Apenas ver que aquele fulano que assina é mesmo o dono da sua assinatura!
Como o nosso conhecido está de férias --- e aqui sem conhecido, padrinho, recomendação e todo esquema mafioso que é enraizado na cultura não se caminha --- vimos que teríamos que esperar a sua chegada em setembro pra tentar mais uma vez ter mais um direito reconhecido.
Os dias se passaram e chegou mais um ano em que teria de renovar meu visto de estudante --- única forma legal de me fazer entrar no bel paese, talvez seria mais fácil chegar de barca e viver clandestinamente pra depois receber o indulto, mas enfim, fomos até a Questura com alguma antecedência e conforme tinha sido dito no ano anterior era disponível um serviço de agendamento por SMS. Era só enviar uma mensagem via telefone celular pro número indicado escrevendo o número do permesso di soggiorno. Bom demais pra ser verdade, se funcionasse!
Mandei e como todos os outros imigrantes recebi uma mensagem padronizada dizendo pra comparecer na data da expiração do visto ou 1.o dial útil após, caso já estivesse expirado.
Fomos e ao chegar deparamos com uma fila de 400 pessoas e a resposta de que a minha mensagem tinha sido enviada muito tarde, eu deveria tê-la enviado com 90 dias de antecedência, mas em nenhum momento essa informação foi comprovada por escrito, nem mesmo no site da Questura ou nos avisos afixados no portão. Então qual seria nossa surpresa? Voltar mais uma vez e ter que passar a noite do lado de fora pra conseguir pegar a ficha vermelha que possibilitaria o atendimento no dia seguinte. Quase uma loteria já que distribuem menos de 50 entre 400, 500 pessoas. Igual exatamente igual ao ano passado! Mas porque esse tratamento? Por que eu não sou cidadão da comunidade européia que tem horário diferenciado, nem jogador de futebol ou cidadão americano que trabalhe em empresa credenciada à Questura.
Saímos de casa às 23:45 h da noite. Chegamos lá por volta de meia-noite e vinte. Éramos o 35ésimo na fila organizada pelo senhor romeno de cabelos brancos. Passamos mais de nove horas em pé com chuva, gritarias, brigas de socos e pontapés. Alguns que furaram a fila na cara-de-páu. Chamamos a polícia que veio no meio da madrugada. Passou de fininho e assim mesmo saiu. Às 8 h da manhã a chamamos novamente. Veio os dois primeiros policiais. Deram uns gritos, debocharam, cassoaram de tudo e de todos. Chamaram outros colegas. Vieram, deram uma olhada e sairam pra tomar um café.
As 08:30 h abriram os portões. Disseram que seriam poucos números. Reclamamos que estávamos ali a noite toda. Um policial italiano disse: "- Sinto muito como pessoa, mas como policial NÃO".
Em meio aos gritos dos políciais seguimos em fila por entre as barretas de aço que nos separavam. Parecia ou abatedouro, ou um campo de concentração. Estavámos lá na fila. Chegou o número 35 da fichinha vermelha. O policial diz:
"- O número acabou. Não vamos atender mais ningúem. Podem voltar outro dia." E nós lá, incrédulos, depois de passar uma noite inteira em pé, sem dormir, exaustos, feridos na alma pelo horror, vergonha e falta de respeito. Pela falta de humanidade.
NÃO CONSEGUI RENOVAR MEU VISTO. Não sou clandestino. Tenho visto de estudante. Pagamos pra estar aqui. Passei por uma análise e aprovação do Consulado Italiano no Brasil. Temos seguro bancário que nós custou muito! Mas mesmo assim, nada funciona, nem funcionará somente as boas massas, as pizzas, a história, o belo look D&G, a falta de educação, o trânsito displicente, o jeito esperto do mais 'furbo', a desorganização: o modo all'italiana.
Blog: Fora do Armário
Addio! Goodbye! Farewell... Hasta la vista baby, JAMAIS!!
ESTAMOS DEIXANDO A ITÁLIA. VIVA A SUÉCIA!
A frase é assim mesmo breve, mas por traz disso tudo um furacão de acontecimentos que nos fez definitivamente tomar a decisão de deixar esse país. As razões são muitas e devido a sucessivas frustrações vimos que a melhor alternativa pra vivermos como cidadãos de verdade era essa.
Nos últimos meses várias coisas colaboraram pra nossa decisão. Começou com um Contrato de Parceria Civil e Sociedade de Fato que desde o novo código civil brasileiro já é possível ser feito por casais gays no Brasil, embora não seja união civil em se tratando de inexistencia de regulamentação específica na Constituição Federal. Porém uma alternativa que pode ajudar muito a assegurar os nossos direitos.
Bom, pagamos um advogado em São Paulo que o fez retroativo e cobrindo tudo que precisamos e todos os direitos de qualquer casal, e ainda seria possível, caso quiséssimos, pedir o visto de permanência brasileiro pro Roberto.
Recebemos o contrato, assinamos e levei no Consulado Brasileiro pra reconhecer a minha firma o que foi feito de forma simples e rápida.
Já a parte do Roberto... dai começou a nossa novela O cartel-máfia NOTAIO della Terra Nostra, que em resumo da obra foram várias tentativas mal sucedidades de APENAS reconhecer a firma do Roberto, mais nada. Apenas ver que aquele fulano que assina é mesmo o dono da sua assinatura!
Como o nosso conhecido está de férias --- e aqui sem conhecido, padrinho, recomendação e todo esquema mafioso que é enraizado na cultura não se caminha --- vimos que teríamos que esperar a sua chegada em setembro pra tentar mais uma vez ter mais um direito reconhecido.
Os dias se passaram e chegou mais um ano em que teria de renovar meu visto de estudante --- única forma legal de me fazer entrar no bel paese, talvez seria mais fácil chegar de barca e viver clandestinamente pra depois receber o indulto, mas enfim, fomos até a Questura com alguma antecedência e conforme tinha sido dito no ano anterior era disponível um serviço de agendamento por SMS. Era só enviar uma mensagem via telefone celular pro número indicado escrevendo o número do permesso di soggiorno. Bom demais pra ser verdade, se funcionasse!
Mandei e como todos os outros imigrantes recebi uma mensagem padronizada dizendo pra comparecer na data da expiração do visto ou 1.o dial útil após, caso já estivesse expirado.
Fomos e ao chegar deparamos com uma fila de 400 pessoas e a resposta de que a minha mensagem tinha sido enviada muito tarde, eu deveria tê-la enviado com 90 dias de antecedência, mas em nenhum momento essa informação foi comprovada por escrito, nem mesmo no site da Questura ou nos avisos afixados no portão. Então qual seria nossa surpresa? Voltar mais uma vez e ter que passar a noite do lado de fora pra conseguir pegar a ficha vermelha que possibilitaria o atendimento no dia seguinte. Quase uma loteria já que distribuem menos de 50 entre 400, 500 pessoas. Igual exatamente igual ao ano passado! Mas porque esse tratamento? Por que eu não sou cidadão da comunidade européia que tem horário diferenciado, nem jogador de futebol ou cidadão americano que trabalhe em empresa credenciada à Questura.
Saímos de casa às 23:45 h da noite. Chegamos lá por volta de meia-noite e vinte. Éramos o 35ésimo na fila organizada pelo senhor romeno de cabelos brancos. Passamos mais de nove horas em pé com chuva, gritarias, brigas de socos e pontapés. Alguns que furaram a fila na cara-de-páu. Chamamos a polícia que veio no meio da madrugada. Passou de fininho e assim mesmo saiu. Às 8 h da manhã a chamamos novamente. Veio os dois primeiros policiais. Deram uns gritos, debocharam, cassoaram de tudo e de todos. Chamaram outros colegas. Vieram, deram uma olhada e sairam pra tomar um café.
As 08:30 h abriram os portões. Disseram que seriam poucos números. Reclamamos que estávamos ali a noite toda. Um policial italiano disse: "- Sinto muito como pessoa, mas como policial NÃO".
Em meio aos gritos dos políciais seguimos em fila por entre as barretas de aço que nos separavam. Parecia ou abatedouro, ou um campo de concentração. Estavámos lá na fila. Chegou o número 35 da fichinha vermelha. O policial diz:
"- O número acabou. Não vamos atender mais ningúem. Podem voltar outro dia." E nós lá, incrédulos, depois de passar uma noite inteira em pé, sem dormir, exaustos, feridos na alma pelo horror, vergonha e falta de respeito. Pela falta de humanidade.
NÃO CONSEGUI RENOVAR MEU VISTO. Não sou clandestino. Tenho visto de estudante. Pagamos pra estar aqui. Passei por uma análise e aprovação do Consulado Italiano no Brasil. Temos seguro bancário que nós custou muito! Mas mesmo assim, nada funciona, nem funcionará somente as boas massas, as pizzas, a história, o belo look D&G, a falta de educação, o trânsito displicente, o jeito esperto do mais 'furbo', a desorganização: o modo all'italiana.
Blog: Fora do Armário
14 de ago de 2006
A Sandra, mora na India e tem um blog super-interessante falando da vida de lá. Nesse post, não se fala de ralo, mas em compensação...
Brasileiras na India
Nâmaskar
A Vange me escreveu perguntando sobre as brasileiras que moram aqui.
Eu não posso ficar falando da vida pessoal de cada uma por uma questão de ética, mas posso dizer que 90% delas NãO são completamente felizes aqui na Índia, elas reclamam muito.
Na verdade são todas estressadas. Eu por exemplo, detesto quando os leprosos vem pedir dinheiro e ficam tocando no meu braço.
Duas brasileiras em cidades diferentes e ocasiões diferentes deram 10 Rúpias à uma criança que veio que pedir dinheiro e na mesma hora a criança jogou o dinheiro de volta, pois 10 Rúpias é muito pouco. Estrangeiro tem que dar no mínimo 100 Rúpias pro mendigo ficar feliz, se não quiser ser considerado mão-de-vaca (muquirana). Acontece porém que não somos turistas, que moramos aqui e que infelizmente ganhamos em Rúpia e não em dólar. Vai explicar isso para todos os mendigos que cruzam seu caminho diariamente! Eles não querem saber, na cabeça deles você sendo estrangeiro automaticamente você é rico e portanto tem OBRIGAÇÃO de dar-lhes dinheiro!!!! É assim que funciona na Incredible India.
Do que mais as brasileiras reclamam aqui é da total falta de noções básicas de limpeza e higiene. Este parece ser o fator de maior causa de irritação para todas.
O trânsito caótico e o volume e quantidade de buzinas vem em segundo lugar juntamente com o clima extremamente quente e úmido.
Todas reclamam dos arrotos e peidos que são lançados como mísseis a toda hora por todos os indianos (homem, mulheres e crianças); E do mau cheiro que impera triunfante por todo o país, pois as vacas cagam pelas ruas e os homens mijam em postes e paredes juntamente com os cães. Por isso que incenso indiano tem o cheiro forte, é como perfume francês!!!
E reclamar da sogra é algo básico no mundo todo não é mesmo? ;-)
Ver as vacas comendo lixo nas ruas é outra coisa que desagrada aos estrangeiros.
Peidos eu não gosto não, mas arrotos, gente comendo só com a mão, falta de papel higiênico, toilet indiano de chão, poluição, sujeira, buzinas, trânsito, indiano mijando na rua, vacas comendo lixo, já me acostumei. Não me importo, e sou agora a rainha da sujeira e bagunça.
O que me irrita mesmo é a falta de energia elétrica, a falta dos alimentos que eu gosto e estava acostumada a comer há 36 anos, o fato de colocarem MUITA pimenta na comida, as diarréias constantes minhas e dos meus gatos, os mendigos me perseguindo na rua e o fato dos indianos te tratarem como um retardado mental e quererem levar vantagem em tudo, sempre, o tempo todo. Me choca o capitalismo exacerbado que impera aqui, onde o que fala alto é o dinheiro e onde ética e moral são totalmente desconhecidas e ignoradas. Pra mim isto é muito triste.
As brasileiras gostam dos monumentos históricos, dos saris todos bordados a mão com pedras e lantejoulas, do colorido das roupas, chapati, dal sem pimenta, doces, música indiana, filmes indianos, jóias, andar sem medo de assaltos pelas ruas, etc.
No geral as brasileiras e portuguesas que estão aqui é porque vieram a trabalho ou a estudo ou então porque se casaram com indiano, Não conheço pessoas que fiquem aqui por longo tempo a menos que estejam casadas ou trabalhando; embora algumas venham só para acompanhar o marido que foi transferido de outros países para cá. Uma coisa é certa, se o seu casamento sobreviver sua estada na Índia, você não se separa nunca mais!
A comunidade no Orkut chamada Minha Sogra é uma Drama Queen foi criada por uma brasileira que detesta a sogra indiana.
Incredible India
Blog: Indi(a)gestão
Brasileiras na India
Nâmaskar
A Vange me escreveu perguntando sobre as brasileiras que moram aqui.
Eu não posso ficar falando da vida pessoal de cada uma por uma questão de ética, mas posso dizer que 90% delas NãO são completamente felizes aqui na Índia, elas reclamam muito.
Na verdade são todas estressadas. Eu por exemplo, detesto quando os leprosos vem pedir dinheiro e ficam tocando no meu braço.
Duas brasileiras em cidades diferentes e ocasiões diferentes deram 10 Rúpias à uma criança que veio que pedir dinheiro e na mesma hora a criança jogou o dinheiro de volta, pois 10 Rúpias é muito pouco. Estrangeiro tem que dar no mínimo 100 Rúpias pro mendigo ficar feliz, se não quiser ser considerado mão-de-vaca (muquirana). Acontece porém que não somos turistas, que moramos aqui e que infelizmente ganhamos em Rúpia e não em dólar. Vai explicar isso para todos os mendigos que cruzam seu caminho diariamente! Eles não querem saber, na cabeça deles você sendo estrangeiro automaticamente você é rico e portanto tem OBRIGAÇÃO de dar-lhes dinheiro!!!! É assim que funciona na Incredible India.
Do que mais as brasileiras reclamam aqui é da total falta de noções básicas de limpeza e higiene. Este parece ser o fator de maior causa de irritação para todas.
O trânsito caótico e o volume e quantidade de buzinas vem em segundo lugar juntamente com o clima extremamente quente e úmido.
Todas reclamam dos arrotos e peidos que são lançados como mísseis a toda hora por todos os indianos (homem, mulheres e crianças); E do mau cheiro que impera triunfante por todo o país, pois as vacas cagam pelas ruas e os homens mijam em postes e paredes juntamente com os cães. Por isso que incenso indiano tem o cheiro forte, é como perfume francês!!!
E reclamar da sogra é algo básico no mundo todo não é mesmo? ;-)
Ver as vacas comendo lixo nas ruas é outra coisa que desagrada aos estrangeiros.
Peidos eu não gosto não, mas arrotos, gente comendo só com a mão, falta de papel higiênico, toilet indiano de chão, poluição, sujeira, buzinas, trânsito, indiano mijando na rua, vacas comendo lixo, já me acostumei. Não me importo, e sou agora a rainha da sujeira e bagunça.
O que me irrita mesmo é a falta de energia elétrica, a falta dos alimentos que eu gosto e estava acostumada a comer há 36 anos, o fato de colocarem MUITA pimenta na comida, as diarréias constantes minhas e dos meus gatos, os mendigos me perseguindo na rua e o fato dos indianos te tratarem como um retardado mental e quererem levar vantagem em tudo, sempre, o tempo todo. Me choca o capitalismo exacerbado que impera aqui, onde o que fala alto é o dinheiro e onde ética e moral são totalmente desconhecidas e ignoradas. Pra mim isto é muito triste.
As brasileiras gostam dos monumentos históricos, dos saris todos bordados a mão com pedras e lantejoulas, do colorido das roupas, chapati, dal sem pimenta, doces, música indiana, filmes indianos, jóias, andar sem medo de assaltos pelas ruas, etc.
No geral as brasileiras e portuguesas que estão aqui é porque vieram a trabalho ou a estudo ou então porque se casaram com indiano, Não conheço pessoas que fiquem aqui por longo tempo a menos que estejam casadas ou trabalhando; embora algumas venham só para acompanhar o marido que foi transferido de outros países para cá. Uma coisa é certa, se o seu casamento sobreviver sua estada na Índia, você não se separa nunca mais!
A comunidade no Orkut chamada Minha Sogra é uma Drama Queen foi criada por uma brasileira que detesta a sogra indiana.
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