25 de abr de 2007

acho que dá pra se habituar a quase tudo, mas tem uma coisa que tá difícil: os banheiros e cozinhas não têm ralo. assim que chegamos em casa demos uma geral, claro, e ensopamos o chão dos banheiros e da cozinha. só depois notamos a falta de um ralo e tivemos que ficar lá recolhendo a água do chão com pano, uma cena ridícula. 'facto' é que eu sempre achei que vasos sanitários precisam ser lavados em água corrente. e ainda acho e continuo fazendo assim, mas imaginem o trabalho que é fazer isso sem um ralo no chão...


Blog: Estou?
As mais pedidas: Como lavar um banheiro no Exterior

Devido a inúmeras solicitaçoes segue abaixo email enviado em dez/2004

Liçao de como fazer uma burrada, dizem que quando uma pessoa faz uma bobagem pela primeria vez é inocente, pela segunda é burro mesmo!

Claro que quando estamos em outro país damos um monte de bola fora e outras coisas, ainda mais falando espanhol que parece tao simples mas é as vezes nos complicamos.

Segue algumas pérolas:

-Eu solicitei a dona do apto mais panelas e ela apareceu com 5 cabides!

- Outro dia na carniceria (açougue) vi que a carne moida estava barata alguma coisa como 8,99 € o quilo, comprei 300 gramas e quando fui cozinhar descobri que era carne de porco!

- Fui comprar pimenta e comprei um doce de pimentao que creio é para ser utilizado como geléia.

- Aproveitei tambem uma oferta e comprei 3 quilos de batata por 1€, como tava na promoçao levei logo 6 quilos, comi todas as versoes de batata cozida, frita, ao molho e purê por 15 dias, nao posso nem ver mais batata. (dá risada da desgraça alheia)

Mas deixem-me contar a historia pelo inicio, em 1998 quando moravam em Barcelona resolvi lavar a cozinha porque estava muito porca, e nao tinha ralo na bendita da cozinha, é claro que só descobri isto depois de jogar um monte de agua e alagar a cozinha.

Agora morando de novo na Espanha porém em Malaga, fazendo meu doutorado, dividindo um apto com 1 espanhol, 1 francês e 1 suisso, eu me deparo com o banheiro mais sujo que de rodoviária do interior depois de que ônibus carregado de gente com diarréia passou por ali, não tinha insetos porque creio que eles se grudabam pelos azulejos e morriam, para pendurar a toalha bastava joga-la na parede que ela grudava. Canto nao tinha a craca havia incrustado no azulejo de um jeito que parecia fazer parte, entre os azulejos eu pensava que tinham usado aquela massinha preta, nao era! Era craca mesmo.

Tinho um cheirinho que fazia com que as pessoas nao ficassem muito tempo no banheiro e que nao tinha desodorizador que resolva, é um outro universo aqui quando uma coisa fede em vez de lavar as pessoas jogam perfume ou um produto de limpeza.

Sempre tomei banho de chinelo, (benditos havaiana) porque tinha medo de pisar no chão da banheira. Aqui é com aqueles chuveirinho que quando alguém abre a torneira da cozinha esfria o chuveiro, é sempre um berreiro. Claro que não estou acostumado a segurar o chuverinho com uma mão e me lavar com a outra, geralmente molho todo o banheiro num banho.

Mas, 1 mes na Espanha, resolvi comemorar com um banho de banheira daqueles, é claro que antes ia lavar o banheiro. Sai e comprei uma cepilho de plancha (escova), esponja de aço e vários produtos de limpeza. Olodum no som, vinho, água fervendo do chuveiro e todos os produtos químicos imagináveis, uma faca, balde, coragem (estava um frio daqueles).

Lá vou eu para o banheiro, os meus colegas de apto nunca tinham lavado o banheiro, tiraram sarro e depois tiraram fotos. Agora chega a parte de burrrice, tinha um pedaço de lata emparafusado no chão que eu com minha vasta experiência supuz ser um ralo, água fervendo para lá, água para cá, comecei a lavar as paredes, a pia e o bidê e de repente tinha uma piscina no banheiro, a água não saia, desemparafusei a bendita da lata e ela simplesmente estava tampando um pedaco de azulejo que faltava.

Pode um banheiro sem ralo!

Resultado da aventura: um banheiro inundado, uma goteira no apto de baixo, reclamação da dona porque estava desperdiçando água, e não tomei banho de banheira, porque estava tão cansado de puxar água do chao, que simplesmente terminei de limpar e fui descansar.

Ah o banheiro ficou lindo, limpíssimo por mais 2 dias! Até o dia da diarréia do frances, mas isto é outra historia.


Blog: Eu Juro que vim para Estudar

11 de abr de 2007

Detalhes tão pequenos que quase passam desapercebidos:


No metrô:
Dentro dos vagões, como sói, há um sistema de som que anuncia as próximas paradas. O detalhe é que aqui esse sistema é padronizado em todas as (segurem-se nas cadeiras) 12 linhas e no ramal que liga duas dessas linhas. Antes de o trem chegar a qualquer das 157 estações, uma voz de homem anuncia:
Próxima parada...
e uma suave voz feminina arremata:
Opera.
Novamente o nosso tenor:
Correspondencia con...
e ela:
Línea 2 y ramal Opera-Príncipe Pio.

Esse jograu é encantador.

Música:
Como se ouvir os anúncios das paradas já não fosse melodia suficiente para os ouvidos, há muita gente tocando de tudo nos corredores do metrô. Agora uma curiosidade: já ouvi o tico-tico no fubá tocado num telado e numa guitarra dentro desses túneis.
Quer mais? Já ouvi o tico-tico no fubá na minha rua, interpretado por um sanfoneiro cigano.

Ainda não é o bastante? Então preparem-se: hoje, chegando em casa, um velhinho está tocando a sanfona. A música me era familiar, mas eu não reconhecia... Era porque faltavam os aplausos do auditório "lá, lá, lá, lá - hey - lá, lá, lá, lá... Agora é hora de alegria vamos sorrir e cantar do mundo não se leva nada vamos sorrir e cantar
lá, lá, lá, lá... lá, lá, lá, lá".

Impressionante? Não, ainda não.

Higiene:
No mundo espanhol/europeu não existe tradução para a palavra rodo. O motivo é muito simples: não existe rodo! E como se lava uma cozinha, pergunta o leitor mais experimentado. Não se lava. A minha cozinha não tem ralo. O meu banheiro não tem ralo. Não tem rodo em casa. Que desespero! Em contrapartida os banheiros são mais cheirosos porque não há um cesto de papéis - tudo descarga abaixo.

Esninar português:
É divertidíssimo, acreditem! As pérolas que ouvimos são fabulosas. Exemplo:

- Queria fazer uma pregunta...
- Pergunta se diz em português.
- Ahhh... pergunta.
e, um minuto depois, o mesmo espanhol, orgulhoso de si, me diz o que faz na empresa:
- Sou porgamador.
- Programador.
- Mas não é pergunta?

Na outra aula, eles aprendendo os números. Cada um da roda de quatro dizia um número, de um a vinte, em sentido horário.
- ...
- Nove.
- Dez.
- Doze.

E eu intercedo:

- Faltou o onze!

Nada nesse mundo vai sem tréplica:

- Ué, a semana não começa na SEGUNDA-feira? Então!

No fundo eu me divirto muito. E o pior é que estou tomando carinho pelos alunos. Que merda! Eles sõ minha fonte de euros, não objetos da minha atenção!

Hoje fiquei uma hora depois da aula para a Francesa batendo papo com ela e a vizinha, outra francesa, que morou no Rio por muitos anos. Ela talvez me traga cigarros do Brasil quando voltar das férias dela de uma semana. E já me disse que vai dar umas dicas quentes do que fazer em Paris.

Cadê o distanciamento profissional, puta merda!

Blog: O Guarda Livros
Em Angola não tem ralo!

Quem disse que não há água em Luanda? Esse final de semana tive uma piscina particular em casa.

Imaginem a cena: Estava eu, sábado a tarde, por volta das 18:00 h, com o reabastecimento estabelecido por volta das 17:00 h, no computador, após a
tarde inteira de falta de água. Sérgio ou eu, vai encontrar o culpado nessas horas, deixamos uma torneira aberta. No auge da minha empolgação,
estava jogando Batlefield 1942, o meu pé fica um pouco molhado. O nosso ar-condicionado da sala está com alguns problemas e acreditei que este
estava a produzir água. Sem nem olhar para o aparelho, peguei o controle, que estava ao meu lado, e o desliguei. Voltei ao jogo claro, afinal estava
em uma batalha que ocorria no oceano, em uma ilha, bem sugestivo eh? Bom, com mais cinco minutos, o meu pé estava mais molhado ainda. Decidi
me levantar para investigar.

A muito contra gosto parei o jogo e me virei. A cena que presenciei, sinceramente me assustou, mas não mais do que a que eu estava para ver. A
sala inteira estava sob um centímetro de água. Estranhei e comecei a andar. Nesse momento escutei uma torneira, parecia vir do banheiro. Tentei
abrir a porta do banheiro, mas ela simplesmente não abriu. Vale colocar aqui que a nossa porta não esta muito legal, ao fechar, ela arrasta um pouco
no chão. Forcei um pouco mais a entrada, nada. Forcei ainda mais, foi então que a porta cedeu.
Abrindo a porta, o resultado parecia o de um filme. No banheiro havia, sem exagero, 30 cm de água. O balde do banheiro boiava igual a um
barquinho. Os peixes, nesse mar, eram duas meias e uma cueca que lá se encontravam a relaxar. A água saiu como uma onda com a abertura da
porta. A casa inteira terminou de inundar, desde a cozinha, os dois quartos, a sala toda, varanda, simplesmente tudo.

Agora vem a melhor parte, não tem ralo na casa. Isso mesmo não tem ralo. As únicas formas de escoar a água são ou pelas pias ou pela banheira.
Nessa altura a água que já estava saindo pela porta da sala, começou realmente a escoar pelo corredor. Liguei para o meu Kamba Sérgio e contei a
ele o ocorrido. Enquanto eu esperava pelo Sérgio, procurava desesperado por um ralo.
Chegaram Sérgio, Carol, Cris e outra menina que conheci no dilúvio. As meninas foram fantásticas, disseram que isso já havia ocorrido com outras
pessoas e que é até relativamente normal. Como solução, colocar a água corredor a baixo.
Começamos a limpeza e enquanto colocávamos a água para fora, os vizinhos, foram abrindo as portas, pois entrava água em seus apartamentos.

Após 50 mim, conseguimos limpar toda a casa, mas pense em um trabalho que deu. Graças as meninas, pois por mim estava molhado até agora,
passamos pano na casa e esta ficou incrivelmente limpa. Por esse lado foi bem legal.
Resultado do desastre de mais de 1 hora de torneira aberta: A casa limpinha, as escadas limpinhas, a casa dos vizinhos limpinhas, o elevador
limpinho e poças d’água por todo lado. Belo programa de sábado a noite eh? Ficamos famosos no condomínio, todos agora nos conhecem.

A partir de hoje fica instituída a festa, primeiro sábado de novembro, a Lavagem das Escadarias do Talatona.

Blog: Spíndola Blog - Angola / Luanda - Brasil / Recife






Limpeza pesada nos EUA gera problemas de saúde
Andrea Wellbaum enviada especial a Massachusetts


Carla* é uma das cerca de 100 mil brasileiras que trabalham no mercado de limpeza nos Estados Unidos (segundo estimativas de representantes da
comunidade brasileira).
Ela chegou ao país há um ano com toda a energia do brasileiro que pisa na "América" para realizar o sonho de ganhar o dinheiro que não consegue no Brasil.
"Cheguei toda empolgada, deixei até as minhas filhas no Brasil", disse. A intenção era juntar dinheiro rapidamente e, depois, voltar ao país.
Depois de três meses procurando emprego, surgiu a oportunidade: "Começamos a trabalhar com limpeza de casas para uma mulher.
Segundo Carla, os apartamentos eram tão sujos que era necessário usar uma lâmina para raspar e ácido para dissolver a sujeira impregnada nos banheiros e nas cozinhas.
Os produtos causaram uma reação no rosto de Carla, que ficou vermelho e cheio de bolhas. "O meu rosto queimava, ficou horrível. Pensei que ele nunca voltaria ao que era", lembra Carla, que passou a ser mais uma brasileira vítima de acidentes de trabalho nos Estados Unidos.


Falta de registro
Segundo Cláudia Tamsky, responsável por um projeto de prevenção de acidentes de trabalho no Centro do Imigrante Brasileiro em Boston, o problema é muito mais comum do que se imagina.
"Não temos estatísticas precisas porque a maioria não registra o caso nem nos procura", disse à BBC Brasil.
Ela cita o exemplo de um carpinteiro que procurou o centro no início deste ano depois de ter sofrido três acidentes graves. "Ele só procurou o centro porque foi demitido após o último acidente, que o deixou inválido para o serviço".
Cláudia Tamsky contou que, no primeiro acidente, o brasileiro tinha cortado um dedo com uma serra elétrica. Posteriormente, quando furava uma
parede, o parafuso bateu em uma placa de metal, ricocheteou e atingiu o olho dele, causando problemas de visão. No último acidente, ele teve um
corte profundo na mão e perdeu parte dos movimentos da mão.
"Sem poder trabalhar, foi demitido", disse.


Problema comum
No serviço doméstico, problemas como o de Carla não são incomuns.
O grande número de mulheres brasileiras envolvidas nesse tipo de função chamou a atenção de dois profissionais da área de saúde que trabalham
na região, que começaram a observar as condições de trabalho destas mulheres.
"Elas trabalham com muitos produtos de limpeza com químicos fortes, em recintos fechados. Num longo prazo eles podem causar problemas de
pele, irritação nas mucosas, nos olhos, na traquéia e problemas de respiração", diz Eduardo Siqueira, professor-assistente da Universidade de Massachusetts-Lowell.
Ele explica que, apesar de os produtos usados nos Estados Unidos serem semelhantes aos usados no Brasil, as housecleaners estão mais
propensas a contrair problemas por causa do manuseio dos produtos de limpeza.
"Elas equivalem a uma diarista no Brasil, mas na verdade aqui ela é horista, porque trabalha em várias casas no mesmo dia. A intensidade do trabalho é muito maior."
Brasileiras recém-chegadas, como Carla, chegam a trabalhar em até seis casas por dia. Uma equipe de duas a três pessoas limpa uma casa em duas
ou três horas. Como a novata normalmente chega sem falar inglês e sem conhecer a dinâmica do mercado, vira ajudante ou helper.
A helper é quem trabalha mais e ganha menos. Enquanto a housecleaner limpa a sala e os quartos, a helper fica encarregada dos cômodos mais
sujos e difíceis de limpar: os banheiros e a cozinha.
"É no banheiro e na cozinha que são usados os produtos mais potentes, como água sanitária e abrasivos. Aqui, não tem ralo, portanto, o que se limpa
no Brasil com água e sabão aqui tem de ser limpo com esses produtos", ressalta Siqueira.
"Outro problema do qual a maioria das housecleaners reclama é de dor na coluna e nas juntas. Elas trabalham muito tempo agachadas, limpando
banheira, esfregando o chão e ficam em posições desconfortáveis para chegar ao lugar onde está a sujeira", explica o professor.
Os danos à saúde das housecleaners podem ser minimizados de várias formas, sugere Siqueira: "Elas podem limpar menos casas ou adotar uma
rotatividade do trabalho dentro das casas e podem também substituir os produtos tradicionais por produtos biodegradáveis."


Cooperativa
Limpar menos casas significa uma renda menor, contrariando os planos da maioria dos brasileiros que foram aos Estados Unidos justamente para
juntar a maior quantidade de dinheiro possível.
Já a rotatividade no trabalho depende de um acordo entre os integrantes da equipe de limpeza.
"Percebemos que poderíamos ajudar, pelo menos, na substituição dos produtos de limpeza utilizados pelas housecleaners", diz Siqueira.
Com esse objetivo, foi criado o projeto da cooperativa de produtos de limpeza naturais, que faz parte do Projeto Parceria que tenta melhorar as
condições de trabalho dos imigrantes brasileiros em Boston com o objetivo de diminuir o número de acidentes de trabalho.
A coordenadora do projeto da cooperativa, Mônica Chianelli, é housecleaner e criou uma série de produtos para substituir os tradicionais "amigos"
das cleaners. Ela enumera as vantagens dos produtos, todos a base de água, sabão e vinagre: "Eles não fazem mal à saúde das cleaners nem à
saúde da família que mora na casa. E mais: não sujam o meio-ambiente."
O Centro da Mulher Brasileira, para o qual Mônica trabalha, já realizou um curso para orientar 200 housecleaners sobre os benefícios dos produtos
verdes e tentar convencê-las de adotá-los na limpeza das casas.
"Ensinamos a elas as frases básicas em inglês para elas explicarem as vantagens dos produtos para as clientes, sempre destacando a proteção do
meio-ambiente e a saúde da família", diz Mónica.
Kênia Santiago, de 30 anos, fez o curso no centro e ficou convencida que as substâncias naturais significavam uma melhoria nas condições de
trabalho dela. Mesmo assim, ela ainda faz uso dos produtos tradicionais.
"Depois do curso, passei a usar apenas os produtos naturais na minha casa, mas não posso usar nas outras casas, porque trabalho para uma pessoa.
Ela diz que tem de sentir o 'cheiro de limpeza' para mostrar que está limpo e que os produtos naturais não deixam esse cheiro", diz Kênia.
Segundo Mônica, a resistência à novidade parte principalmente das housecleaners mais experientes, que trabalham nos Estados Unidos há vários
anos.
"Elas acham que quando o lugar está muito sujo, têm de, primeiramente, tirar o 'grosso' com os produtos químicos. As pessoas que limpam há muito
tempo não precisam da nossa ajuda, mas precisam pelo menos um alerta."
O público-alvo da cooperativa, de acordo com Mônica, não são as veteranas e sim as mulheres que precisam de ajuda para abrir seu negócio, as
helpers.
A intenção é formar um grupo de ex-helpers que gerenciem a cooperativa, que funcionará como uma empresa de serviços de cleaning, que também
produzirá produtos naturais para vender.

* Carla pediu para ter seu nome trocado para não ser identificada.

BBCBrasil.com





Boneca semiótica


Mudamos também de chuveiro: o da casa nova é elétrico. Nem achei que existissem chuveiros elétricos nesta Inglaterra tão preocupada com
recursos naturais, mas parece que são mais comuns do que eu imaginava.
O mais curioso, porém, é que o nosso chuveiro um Triton T80si não tem torneira: tem botão on/off. Para começar (e terminar) o banho é preciso
agora apertar um botão. Ligar a água virou um processo digital, distante de toda a hidráulica da coisa, o que já me deixa à mercê do pior tipo de
agouro. Fico imaginando os dissabores possíveis: decerto não serão goteiras, mas é fatal que haja o dia em que o apertar do botão não será seguido
pelo jorro d'água, e aí nada restará a fazer.

O abandono do analógico implica nesse caso o fim da possibilidade da gambiarra imediata, que dispensa o conhecimento do código. É como na
passagem do vinil pro CD: pra dar um jeito num LP arranhado tem sempre a solução da moedinha na agulha; já diante de um CD que pula não há
muito o que se possa fazer sem desvendar a caixa-preta do aparelho.

De volta ao reservado: Jayne Greenwood, née Fidler, mandou refazer o banheiro nos 15 dias que separaram a partida da Ethav, antiga inquilina, da
nossa entrada na casa da Cairo Road. Ficou bonitão, branco e reluzente, mas ainda sem os suportes metálicos para toalhas, que já estão comprados
(jazem sobre o nosso armário), mas não foi possível instalar, porque a Ethav não tinha quitado a conta e a luz fora cortada, e Jayne insistiu que não
tentássemos colocar os aparatos por nossa conta, que poderíamos quebrar os belos azulejos (mesmo tendo sobrado vários, pesadíssimos, no fundo
da despensa).

A reforma deixou ainda outros pontos a desejar, por falta de bom senso, grana ou vontade política. A mangueira do chuveirinho não é longa o
bastante para alcançar o ralo da bela banheira branca, o que deixa antever contrariedades na hora da faxina. E é curta pra tomar banho segurando o
chuveirinho na mão qual um telefone, como os franceses tanto gostam (Charlotte reformou o banheiro há pouco também, e não instalou um suporte
para pendurar o chuveiro sobre a cabeça, ou seja, só dá pra tomar banho no modo telefone. Segundo Ana Luiza, ela alegou que não gostava, que
daquele jeito não tinha controle sobre a água. Essa declaração resume a relação dos franceses com a água).

A guisa de boxe, Jayne mandou colocar uma placa de vidro meio solta, que não chega ao teto e mal alcança metade do comprimento da banheira. O
contato com a parede e a base da banheira não inspira muita confiança e parece que a peça não terá carreira muito longeva naquela posição só
espero que não sucumba na nossa gestão. (É um pensamento meio fatalista, mas não consigo parar de pensar na entropia: a vocação daquela placa
de vidro não é ficar ali mal equilibrada, sujeita ao movimento dos banhistas.)

E nosso banheiro não tem ralo, claro, não que eu esperasse por isso, já que escoar a água do chão não parece ser uma preocupação relevante no
projeto dos banheiros europeus.


Blog: A Rainha que se cuide






COISAS DE NORUEGA....XV

c sabem que uma das coisas interessantes que a gente nota aqui nos jornais daqui da Noruega e que nunca tem o nome das pessoas envolvidas
nos acidentes, assaltos, brigas, etc...existe uma lei de protecao que nao permite a publicacao de nomes e enderecos em jornais...o maximo que se
sabe e o sexo, a idade e o local aonde aconteceu o fato...por um lado e bom pois protege a identidade das pessoas, mas por outro lado e negativo
pois protege a identidade dos criminosos tb...Os nomes so aparecem nos jornais, quando o(s) caso(s) ja esta(o) em julgamento na alta corte ou ja estao na TV ...ou em casos de reclamacoes,
sessoes esportivas e politicas...Lembro bem que la na minha cidade, quando acontecia algo, a gente sabia de antemao, atraves do jornais, quem fez, quem nao fez, o nome
completo, o nome dos pais, idade e ate o local que residiam...se brincasse muito, contavam ate o horoscopo ...hehehe...

xPara o Andre Cruz me perguntou como sao as casas por aqui... a maioria das casas por aqui sao de madeira...geralmente tem 2 andares ou ate
mais...as casas sao construidas sobre um pilar de concreto...encima deste pilar de concreto se constroi o porao (kjelle) que sustentara todo o peso da
casa...o restante da casa e todo de madeira..Normalmente, as paredes de madeira sao duplas e protegidas com uma fibra isolante (fibra de vidro) para manter o aquecimento interno...
construcoes mais recentes tem tb uma protecao plastica ou emborrachada entre as paredes alem da fibra de vidro...
Nos telhados, apos a armacao que sustenta as telhas estar montada, tb se usa uma protecao plastica ou emborrachada para evitar que a umidade
penetre por entre as telhas...O forro tb e sempre construido de forma que possa ser utilizado para se guardar tudo oque nao "tem muita necessidade"...casas construidas em um
unico plano nao sao muito utilizadas por aqui, mas existem....Geralmente as casas sao muito grandes, com janelas sem protecao, oque me assustou um pouco no comeco...os quartos geralmente nao sao muito
grandes, mas a sala ou salas tem que ser bem espacosas ja que e uma area em que a familia passa a maior parte do tempo...a maioria das casas tem
tb pequenas areas que chamamos "bod" e que servem para guardarmos um pouco de tudo: comida, ferramentas, bicicletas, coisas de inverno,
etc...aqui em casa temos 3 "bod" e um deles e tao grande que vai ser usado como quarto do Lollo...Muitas casas tem, hoje em dia, o aquecimento no piso, feito atraves de cabos de conducao de calor...normalmente usamos o piso aquecido so nos
banheiros, porque e uma dureza tomar banho no inverno se o chao estiver muito frio....brrrrrrrrrr....quem tem mais condicoes, tem piso aquecido em
varios comodos da casa...e confesso a voces: e uma delicia!!!...andar naquele chao quentinho...hummmmm...bom demais!!!Hoje em dia os arquitetos estao tentando mudar um pouco a imagem das casas escandinavas, construindo residencias em estilo mais moderno e em
concreto...mas nao sao todos que gostam...assim, e muito comum em meio a areas com residencias de madeira em estilo escandinavo, surgirem
imensos complexos residencias em linhas ultra-modernas...Caracteristicas de muitas das casas escandinavas:

1. Geralmente a porta principal se abre para o lado de fora...dizem que e para economizar espaco e evitar-se arrombamento...

2. Todo lugar que tem uma porta, tem uma madeira alta no chao, oque torna impossivel tentar varrer de um comodo para o outro...me falaram que e
para evitar que o frio passe por debaixo da porta... sera???...mais explicacoes alem dessa eu nao consegui...hehehe....aqui em casa tratei de tirar as
da sala e da cozinha....sem contar que o Lollo vivia tropicando nelas...uffff

3. E os ralos...vcs sabem que geralmente nao tem ralos nos pisos da maioria dos banheiros e lavanderias por aqui???....claro que tem ralo dentro do
box do chuveiro e agua escoa direto pelo cano para o esgoto...lembro que uma vez la em Hylkje, eu cismei de lavar todo o banheiro de cima para
baixo...joguei agua nas paredes, esfreguei e tal...na hora de puxar a agua, cade o ralo???...que caos!!!...tive que juntar toda a agua no pano de chao
e torcer dentro do box do chuveiro...usei um tempao e fiquei "P" da vida...hehehe...claro que tem casa que tem, mas a maioria nao tem mesmo!!!

4. As lampadas...tudo fraquinha...quanto mais fraca, melhor!!!...a impressao que da quando se olha do lado de fora da casa e que so tem abajur
ligado...mas e uma caracteristica das casas daqui...as luzes fracas fazem o ambiente parecer mais calmo e aconchegante...para quem gosta de ler,
tem sempre varias lampadas de leitura (bem fortes) em todos os cantos da casa...

5.Tanque...nem sempre as casas tem tanque...aqui em casa nao tem e muitas das casas em que ja estive, tb nao tem...uma das minhas amigas tem
porque mandou instalar...lavar tenis encardido so na pia mesmo...e que trabalhao, ainda mais quando e o "tenizinho" tamanho 46 do marido...hehehe

xx Vcs sabem que tenho notado que algumas pessoas me mandam e-mail perguntando sobre como devem fazer para vir para ca, trabalhar, ganhar
dinheiro, etc...e quando eu falo que aqui nao e lugar para quem quer ganhar dinheiro, as pessoas se chateiam ou me acham lunatica...como assim
no melhor pais do mundo para se viver, nao se pode ganhar dinheiro???...Pois lhes digo a verdade meus caros interessados...sim, a Noruega e um pais lindo, maravilhoso, seguro e tranquilo para se viver...principalmente se
vc se adapta facil a mudancas e sente que pode sobreviver ao periodo de frio...se vc gosta de ter contacto com novas culturas...aprender uma nova
lingua ...aprender sobre tradicoes..As pessoas tem muitos direitos e o social cobre muitas das necessidades de quem nao pode (ou nao quer) trabalhar....a violencia e quase zero...a
qualidade de vida e muito boa....Mas como qualquer pais do mundo, aqui tb tem seus problemas...claro que em menor intensidade que em outras partes do mundo...o governo que
corta verbas que sao essenciais para algumas areas como assistencia ao idoso e a crianca, e as utiliza em areas nao tao necessarias...o dinheiro do
social que e usado de forma errada...a demora no atendimento a doentes com problemas psicologicos ou que necessitam grandes cirurgias...a falta
de vagas nas creches...e os altossssssssssssss impostos...Claro que quanto aos impostos, a gente ate paga sem reclamar ja que recebemos muito de volta....mas garanto a vcs que e quase impossivel se
ganhar dinheiro por aqui, ou seja, fazer um "pe de meia"...a nao ser que a pessoa seja realmente muitooooooooooo economica....quem tem dinheiro
guardado aqui e porque tem economizado um pouquinho por mes durante varios anos...assim, ficar com a conta cheia de dindin da noite para o dia
(ou em poucos meses) e praticamente impossivel...Sem contar que e preciso ter visto de trabalho e moradia para se trabalhar legalmente e ter direitos como qualquer noruegues...para consegui-lo, so
se casando com noruegues (a) ou tendo uma proposta de empregador noruegues ou sendo cidadao europeu (oque da direito a morar no pais e
procurar emprego por um periodo de 6 meses)...caso contrario, esquecam!!!...viver ilegalmente aqui, nem pensar!!!...o custo de vida e alto e vc nao
tem direito a nada...sem contar que vive sempre com medo de ser mandado fora do pais...Assim, nao venham cheios de ilusoes porque nem tudo que "reluz e ouro"...


Blog: A Noruega Brasileira II





A Faxina e a barra pesada do Hispanic Harlem


Nos meu primeiro mês após os atentados Melissa Hope voltou do doutorado na França e tive que buscar um outro local para morar. O calvário
imobiliário parece não ter fimem Nova York e os preços astronômicos foram me jogando para algumas áreas bem barra pesada da cidade.

O chamado Hispanic Harlem é bem pior do que o pior do Harlem. Através de um anúncio em uma padaria achei uma vaga em um Brownstone,
prédio de tijolinhos marrons, bem tradicional da cidade. O lugar era uma república da Igreja do Nosso Senhor Cristo dos últimos Dias.

Eu nunca tinha vivido a experiência de dividir espaço com religiosos, mas achei que o lugar era limpo, seguro e bem próximo do metrô. Após os
atentados a cidade parou e o desemprego começou a bater a nossa porta. Muitos brasileiros, com medo e sem emprego decidiram voltar. Eu achava
que seria uma derrota dupla: perder para o desafio de viver lá e ainda por cima perder para os terroristas. Eu decidi ficar, sem emprego e com apenas
500 dólares no banco. A coisa ficou tão feia que entrei na fila do setor de ajuda a imigrantes da igreja católica e começei a pegar uma cesta básica
semanal. Nessa época também descobri o exército da salvação. Até os Mórmos, que não são nada bobos se seguiram até a igreja para pegar umas
latinhas de feijão.

Até ai, tudo bem, na primeira semana cada um na sua,todos solidários e prestativos. Como em toda comunidade, há regras e uma delas é a da
divisão das tarefas domésticas. Cada semana uma dupla se encarregava de limpar a cozinha, o banheiro e os quartos.
O prédio havia sido construído da década de 20 ou 30, com aquelas escadinhas de ferro que eles chamam de "saida de emergencia", mas que eu só
vi sendo usada mesmo nos filmes da TV, quando alguém invade o apartamento e há uma cena de fuga. Geralmente o cara cai em um carro
conversível e consegue escapar..aquelas coisas de cinema.

Bom..voltemos ao apartamento e ao meu primeiro dia de limpeza. Preparei os baldes, os detergentes e fui decidido a fazer bonito para causar boa
impressão. Eu era considerado o ïntelectual do local e queria apagar essa impressão mostrando que seria capaz de realizar o trabalho braçal.

Primeiro enchi o balde e joguei nos cantos para tirar a sujeira.
Olhei e cadê a água ? ..por que a água desaparece ? Onde está o ralo ? Escutei um grito, em espanhol, vindo do apartamento do primeiro andar.

Nao sei se falei, mas nossos vizinhos mexicanos faziam festas até as três da manhã. Mariaches produzem sons inexplicáveis e inreproduzíveis. Por
várias vezes havia ligado para polícia para tentar dormir em paz, mas agritaria recomeçava assim que os policiais saissem do local.

Adonis,um dos meus roommates,veio correndo da sala assim que perguntei pelo ralo. "Ahhmm Marco..esqueci de te avisar.. não tem ralo.." disse em
tom professoral. "aqui na América a gente nao pode lavar banheiro nem cozinha..e tudo de formiplac e incha,vaza para a casa do vizinho.

Paralisado com o balde e a vassoura na mão, fiquei rindo do estrago que deveria ter provocado no apartamento dos mexicanos. Constatei pelo teto
do nosso banheiro, já inchado da humidade causada pela banheira do andar superior. "tem que ser tudo com paninho molhado" me explicou
Adonis.

Lembrei da última faxina que Yolanda, minha amiga lá no Rio, fez no meu apartamento. Yolanda jogava baldes de
água..limpa..limpa..limpa..cera..cera.enceradeira. Horas, o dia inteiro Pensei no desespero de Yolanda, se estivesse aqui, ao encarar uma limpeza
sem balde, sem água, só com paninhos.Bom..quanto aos mexicanos...bem..eles mereceram um balde de água fria para pagar as noites em claro que
passei ao som dos mariaches.


Blog: conectando pessoas





NÃO!


Fui colocar as panelas pra lavar na máquina, botei o sabãozinho, fechei a porta, boto a água na temperatura máxima (louça de peixe, faz idéia),
começo a cantar lalarila enquanto estendo as roupas no varal - é, vida de dona de casa, pensa o quê?

Volto na cozinha pra roubar mais uma rosquinha do pote e alimentar minhas LULITES e me deparo com o dilúvio. A dishwasher estava vomitando
água fervendo com cheiro de peixe no chão da minha cozinha, e óia, COZINHA INGLESA NÃO TEM RALO.

Ainda bem que era salmão, né.Já que é pra sifudê, pelo menos a gente sifode chic.

Blog: sherrys0da




Ufa! Consegui respirar! Peguei um trabalho de 3 semanas, da 00:00 as 7:00 da manha, todo dia inclusive final de semana... mas com uma folga no
meio da semana. Ta bem cansativo mas vai valer a pena. $ :)

Esses dias resolvi que iria escrever sobre as coisas que estou aprendendo aqui na Austrália.
A Austrália é um país de todos, onde a imigração ainda é totalmente aberta e vc conhece gente do mundo inteiro. Aprendi a dar valor as frutas...
Depois de ver que custa 16 dolares o Kg da banana, nunca mais vou deixar elas apodrecerem na cesta... Jogar o papel higienico na privada é normal
por aqui e não entope! (nao existem lixos nos banheiros do lado da privada) Tomar agua da torneira nao faz ninguem morrer. Lave o carro e regue o
jardim com mangueira no domingo e receba uma multa em casa na segunda. (A multa vem MESMO e racionamento é coisa séria). Nunca atravesse
a rua fora da faixa de pedestres ou no sinal vermelho... as chances de vc levar uma multa são de 70%. Nao fure fila, uma das maiores faltas de
respeito. Use SEMPRE thank you e please... mesmo que sejam pra coisa minimas, com certeza nunca sera o bastante. Reciclar o lixo é dever de
todos! Caminhao de lixo? Uma vez por semana e olha la... Mercado tem suas curiosidades.... Va no "final do dia" 19:00 e compre as comidas frescas
do dia da metade do preco pra baixo.... Vc soh entra na sessao de bebidas alcoolicas se for maior de 18 anos. O chocolate que vc paga cada 1,90 no
outro dia pode estar na promocao 2 por 2,00... mas no outro dia volta ao normal! Vai entender esse marketing australiano. Na hora de pagar, o caixa
sempre pergunta se vc quer "cash out" ou seja, sacar alguma grana do cartao que vc esta passando, sem nenhuma taxa.... e pergunta se vc precisa
MESMO uma sacola... ecologia também é coisa séria. Não interessa se vc é faxineiro (viva nóis!) ou um gerente de banco... todos tem o mesmo
padrao de vida e tem acesso pra fazer as mesmas coisas... tem casa, carros e filhos... de preferencia gemeos! Rodo? Nao tem pra vender... pra que
se o banheiro nao tem ralo fora do box? Um paninho umido ta loco de bom pra limpar.... É emocionante qdo vc encontra alguem tem que avós
australianos.... Por ser um pais imigrante e novo, sempre os pais ou avos são de outros paises... Aprendi que os japoneses são sistematicos demais,
os chineses atrapalhado, os indianos afobados , os koreanos tem o mesmo humor dos brasileiros, os colombianos gostam de ir pra aula bem
arrumados e os brasileiros... agitados demais (como diriam os professores hehehe) Gosta de coca-cola? No mercado a latinha custa de 0,40 a 0,60
cents. E se vc vai no HungryJack (Mc donalds australiano) e compra um "numero", pode tomar quanto de coca quiser pq a maquina de refri fica do
lado de fora do caixa. Imagina isso no Brasilzao... hehe O onibus nao tem catraca, quem cobra a passagem é o motorista mesmo.... fila de velhinhos?
tenha paciencia... pois o cobrador vai cobrar de todos e ainda explicar o ponto que eles tem que descer... pra depoissss voltar a dirigir. Antes dos
primeiros bancos, tem dois lugares estilo "guarda-volumes" pra vc deixar suas coisas (compras, notebooks, mochilas pesadas). E vc pensa que
alguém mexe? Transporte publico é pra ser usado... por isso a maioria dos trabalhores (principalmente executivos) deixam seus carros na garagem e
vão de onibus, trem ou tram trabalhar. Ir de bicicleta (toda equipada e com roupas proprias) pro trabalho tb é coisa comum entre os executivos, mas
chega no trabalho e só coloca o terno... banho só em casa e a noite. Comércio fecha as 17:00 (tudo, ateh shopping), as 19:00 as ruas ja estao vazias e
silenciosas (principalmente nos bairros), criancas na cama e tem mercados que fecham as 20:00... No posto, não espere frentista... mto menos
lavarem seu carro. Vc mesmo abastece e lava seu carro, verifica oleo, agua....
Foi isso que lembrei agora... quem sabe depois eu lembre mais!Vou colocar um video que fiz com os "melhores momentos" desses 3 meses e
meio...É isso ai! Bjos e abraços com saudades! Cheers!


Blog: plinetsnaaustralia



Apartamento

Meu primo Edinho me ajudou a encontrar um apartamento para alugar aqui. Aluguel nos EUA e muito caro. Mil dolares por mes, por um apartamento
de dois quartos. Mas gosto do apartamento, do condominio, da localizacao. O apartamento, alem dos dois quartos, tem dois banheiros, uma cozinha,
sala/copa e, como e terreo, tenho varandas e jardins. O condominio tem piscina e duas quadras de tenis. Mas como e muito frio aqui, nao chegamos
a usar a piscina.

Algumas particularidades das moradias daqui - todos os banheiros tem banheira. Nao tem tanque. As casa nas quais ja estive tambem nao tem. Os
apartamentos nao tem area de servico. Tem lavanderia comunitaria (compramos um cartao e adicionamos creditos - 5, 10 ou 20 dolares- e entao
usamos o cartao nas maquinas - lavadora e secadora. Nao tem tanque na lavanderia tambem...). Na lavanderia do meu bloco tem 3 lavadoras e 3
secadoras. As moradias ja vem equipadas com fogao, exaustor, geladeira e lavadora de louca ( nao precisamos comprar isso. Os armarios sao
enormes!

Contratei uma linha telefonica e internet. Tenho TV a cabo ( ja incluida no aluguel). Muitas pessoas contratam o canal Globo ( Sim, a Globo do Brasil!).
Eu nao quis fazer isso porque, como vim desenvolver o meu ingles, assistir aos canais americanos vai agilizar o processo.

Moveis - nao precisa comprar, se nao quiser. E possivel encontrar praticamente de tudo, de graca. Ou pode-se ir a um yard sale e comprar bem
barato(tenho uma TV a cores que custou 2 dolares!). Yard sales sao vendas de moveis e utensilios usados que as pessoas fazem em seus jardins,
para se livrar do que nao querem mais. Alem disso, a caridade aqui e muito organizada. Ha lojas do Salvation Army(Exercito da Salvacao) e Good
Will, onde pode-se comprar varias coisas usadas por um preco simbolico. Mas leva um certo tempo para se encontrar o que se quer, e claro. No meu
caso, comprei algumas coisas em promocao, outras em yard sales e tenho algumas coisas que meu tio me emprestou. Ah! Ha tambem lugares para
onde as pessoas levam donativos (moveis, roupas, utensilios, livros, revistas, objetos de decoracao) e pode-se ir ate la e, simplesmente, escolher o
que se quer e levar para casa sem pagar. Alem de encontrarmos varias coisas que as pessoas colocam nas calcadas para quem quiser levar
(eletrodomesticos, moveis). Coisas boas, praticamente novas. Elas simplesmente jogam fora e compram tudo novo muito frequentemente. E viva o
consumismo americano!

A limpeza e muito diferente aqui. Usa-se spray e toalha de papel, praticamente. E, e claro, aspirador de po. Nao tem ralo nos banheiros e cozinhas.
Portanto, nao se pode lava-los como fazemos no Brasil. Nao se passa roupa!
Aqui e muito comum as pessoas dividirem o aluguel. As vezes alugam casas bem grandes e cada um fica com um quarto. Porem, eu e o Andre
moramos sozinhos. Gostamos da nossa privacidade.


Blog: Flavia/USA




Uma historia de Natal...

Essa merece ser contada... De manha todo mundo foi trabalhar, pq aqui nao tem sabado, domingo e dia de natal, todo dia e dia de trabalho... Eu sai do trabalho as 15h30 e vim
aqui pro Vista pra ter certeza que tava tudo certo pra ceia de natal a ser sediada nos meus vizinhos brasileiros... Tava tudo certo, o peru a mae do
Bruno (um dos meus vizinhos) que esta visitando tinha ido comprar no Publix e tinha comprado tmb pure de batata, gravy e mais umas coisas
estranhas...So faltava uma SOBREMESA!! Mas isso nao seria problema... Esperei a Mi chegar do trabalho e resolvemos ir fazer as compras pra tal da
sobremesa... Iamos fazer Mousse de Chocolate e de limao...Assim que chegamos um problema se impos... Como e que vamos achar leite condensado e creme de leite pra fazer o mousse???Com tal obstaculo imposto a gente resolveu mudar a sobremesa e a Mi fez uma nova receita: massa de torta holandesa + brigadeiro + sorvete +
chocolate crocante por cima... Tudo para ficar bom, ne? So faltava achar o leite condensado e a bolacha maizena pra fazer a massa... Mas nao foi que
achamos??? Depois de fucar cada prateleira ate o talo achamos os dois ingredientes e voltamos para casa...As perspectivas eram boas...Comecamos a amassar a bolacha (pq tinha que virar tipo uma farofa), mas eta bolacha dura... A mi ainda disse, "se a gente tivesse uma luva! Mas
amassar assim com a mao doi mto!! ". Foi entao que eu tive a brilhante ideia de pegar um pote medidor e amassar com ele!! Ate que deu certo,
mas.... E A MANTEIGA???Pois e minha gente, nao tinha manteiga pra fazer a massa e a gente tinha esquecido de comprar... E a preguica de voltar pra comprar?! Esta tava
grende... A Mi queria que eu fosse bater nos vizinhos brasileiros que a gente nao conhecia pra ver se eles tinham pra emprestar, mas eu nao queria
ir. Entao a minha outra rommie chegou e ela que nem ia jantar com a gente foi pedir a manteiga, mas nao tinha ninguem no ap...Eu fui pedir no ap de uns americanos que moram no nosso predio mas tmb nada... Eles tmb nao tinham manteiga...A Mi comecou a fazer o brigadeiro, mas eu convenci ela a ir comprar a manteiga!!!Entao eu continuei fazendo o brigadeiro... E ele nunca ficava pronto!! Numa dessas eu cansei e aumentei o fogo... E num e que queimou???!!!! So
um pouquinho no fundo, mas ficou moh gosto de queimado no brigadeiro inteiro.. E agora? Tinhamos a manteiga, mas o brigadeiro estava
queimado.... Vai o brigadeiro queimado mesmo!! hahahah...Fizemos a massa, colocamos no forno. E ela nao ficava dura, NUNCAAAAAA..... Eu fiquei sentada do lado do forno falando no telefone mais de uma
hora e nada dela ficar pronta!!! Parecia que tudo tava conspirando pra sobremesa nao dar certo, mas a gente nao desistiu!!! Desligamos o forno e
depois de deixar esfriar um pouco colocamos o brigadeiro, o sorvete e as bolinhas de chocolate e colocamos no freezer.Depois de um tempo fomos pra casa dos nossos vizinhos... Ainda faltava um tempo pro jantar pq tinhamos que esperar um amigo chegar do trabalho
e ele so ia chegar la pelas 2h30 da manha...E qual e a nossa surpresa qdo ao chegar la o peru esta na pia!!!!!! PQ? Pq como nao tinhamos vasilha eles colocaram numa panela e colocaram no
forno pra esquentar, so que o cabo da panela quebrou e o peru (que era enoooorrrrmmmmeeee) foi parar no pia para nao parar no chao!!! Sem
contar que o chao ficou cheio de gordura no peru... Por isso vcs podem ver o Andre limpando o esfregao na banheira, pq por todos os motivos mais
idiotas possiveis, na cozinha nao tem ralo!!!Bom, salvamos o peru, limpamos o chao, pra felicidade de todos a sobremesa deu certo e pra minha e da Mi todo mundo elogiou a nossa invencao!!
Ficou bom mesmo...Acho que foi so isso que aconteceu... heheh... Se eu lembrar de mais alguma coisa eu escrevo de novo!!

Blog: Ni Leirner

9 de abr de 2007


Ralo e Fio Dental

Não existe ralo aqui. Isso mesmo. É uma péssima idéia deixar a banheira encher e transbordar. A água não tem para onde escorrer no banheiro e sái para o quarto alagando o carpete cinza de bolinhas laranja.


Também não tem fio dental. Ou melhor, esse tem, mas não é em qualquer lugar que a gente acha. É quase que uma loja de artigos exóticos para higiene bucal. Se eles nem tomam banho, imagina passar fio dental...


Esse aí em cima é o Sr. Sabão. Ele apareceu no meu banheiro no dia que tomei duas latinhas de cerveja. Não dá pra viver sozinho. Se o Náufrago encontrou Wilson, eu encontrei o Sr. Sabão.

13 de mar de 2007

A Claudia em dobradinha....




- Mas voce é brasileira? Nao parece!
- Por que?
- (...)
- (...)
- Voce parece italiana! Parabéns!
- Por parecer italiana?
- (...)
Comassim???

- Nossa, voce fala muito bem o italiano!
- Obrigada, eu me esforço.
- Ja vi muito extra-comunitario que esta aqui ha muitos anos e nao fala como voce.
- Mas é que tem muitas linguas mais diferentes que o portugues do italiano. Veja o arabe, o chines por exemplo. Ja imaginou ter de aprender outra lingua tao diferente? Até entre voces INTRA-COMUNITARIOS, um alemao, por exemplo, um ucraniano... deve ser mais dificil pra eles que pra mim!
- Intra-comunitario?
- Sim!
- O que é intra-comunitario?
- Nossa, voce nao sabe?? é como TODO O RESTO DO MUNDO chama voces, da Comunidade Européia! Até os suiços, sabia??
- Verdade????
- Verdadeira!
- (...)
Que ela ficou na duvida, ficou!!!

- Eu até gosto das mulheres brasileiras.
- Ahh, sim?
- Sério. Eu até procuro por elas, mas quando encontro vem com um brinde no meio das pernas.hehehehehe
- Que coisa, né? Tem realmente muito travesti brasileiro aqui!
- Tem aos montes
hehehehehehehe
- Verdade!! Aqui eles tem muito campo de trabalho!! Voces italianos os apreciam muito, né???
- (...)
Isso foi num jantar.

Algumas vezes a gente tem de ser curto e grosso pra dizer a que veio.


Blog: Sabiá sabe assobiar

4 de mar de 2007

A Claudia está morando em Milão.



MILAN'S WAY OF LIFE

As coisas aqui em Milao funcionam mais ou menos assim:

. TODO cheque é nominal, ou seja, TODO cheque voce tem de ter documento, assinar no verso e so pode descontar na agencia onde quem emitiu tem conta;

. Os onibus tem horario marcadissimo, tipo nao atrasam um minutinho sequer pra sair. Dai, se voce esquecer o celular em casa e voltar pra pegar, ta frita, minha filha! So dez minutos depois...

. As pessoas adooooooooooram ir pro bar... de manhazinha!! tomar café!!

. No metro, se voce se distrai e nao cede o lugar a uma pessoa idosa, ela muito educadamente o exige de voce;

. A gente tem de se vestir no estilo "cebola", isto é, em camadas. Pra sair ali na esquina é um veste veste veste veste veste que nao acaba mais. Quando chega em algum lugar, é um tira tira tira tira tira... ufa!! Todo lugar fechado tem aquecimento, e essa época do ano ELES EXAGERAM!! Em casa tem de ter daqueles cabidinhos de pendurar casaco (aqui em casa ainda nao tem) pra gente fazer igual nos filmes noir;

. Outra coisa indispensavel em casa aqui é um porta-sombrinhas do lado de fora da porta. E às vezes roubam sim, as sombrinhas! Mio amore ja teve uma roubada ha pouquissimo tempo, nao neste, mas em seu antigo apartamento;

. As pessoas às vezes falam em dialeto milanes, ai é um deus-nos-acuda porque nao entendo absolutamente NAAAAAAAADA!!!

. Depois das 9 da noite o centro vira um deserto;

. As crianças de até 5 anos ainda sao conduzidas pelas ruas em carrinhos de bebe!!

. Falando nisso, as maes milanesas - alias, vou generalizar, as maes italianas - sao pra la de autoritarias! Gritam, sugigam, biliscam, assim na maior!! Outro dia vi uma carregando o filho de uns 3 anos pelo capote porque o fulaninho nao queria sair do parque. McDonalds, restaurantes, shoppings... é um tal de mar gritando com filho que nao se pode imaginar. E elas parecem nao sentir nenhum milimetro de culpa.

. As avos sao iguaizinhas as maes! Nada de paparicar os netos, gritam meeeeesmo!!

. E os pais? voces poderiam perguntar. Tem cara de tédio.

. Caixa de loja e de supermercado parece pista de corrida, péssima situaçao para uma pessoa atrapalhada como eu, mas estou aprendendo a ser mais objetiva;

. Quase tudo é automatico, até locadora de video. Por isso, aprender a nao ter medo dessas maquinas malucas é uma necessidade!

. Na rua, basta voce botar o pézinho na faixa de pedestre que os carros param. Fiquei imaginando uma brincadeira de botar pé, tirar pé, botar pé, tirar pé... hihihi

. Os sinais de transito de pedestre às vezes sao iguais aos dos carros, isso me confunde! Muitas vezes também estao do outro lado da rua;

. Aqui andam todos misturados, onibus, tram (bondinho), carros, bicicletas... e ninguém se atropela! Mamma mia!!

. Os prédios sao quase todos iguais, mesmo padrao. Me da vontade de pegar uma lata de tinta azul e pintar pelo menos UM de uma cor diferente!! Os tais balcoes também sao tao repetitivos!! Estava pensando em colocar florezinhas nos meus, mas ultimamente ando querendo algo mais alternativo. Talvez esculturas... ou uma rede!

. Ainda existem vendinhas, verdureiros e essas coisas todas que mais parecem da Idade Média. Adoro. So nao gosto de nao poder escolher o produto.

. Milao tem muitos campos ao lado das avenidas. E bonito ficar olhando, parece que a gente se perde na paisagem de planura total.


Blog: Sabiá sabe assobiar

16 de ago de 2006

Gente, por favor....



Addio! Goodbye! Farewell... Hasta la vista baby, JAMAIS!!


ESTAMOS DEIXANDO A ITÁLIA. VIVA A SUÉCIA!

A frase é assim mesmo breve, mas por traz disso tudo um furacão de acontecimentos que nos fez definitivamente tomar a decisão de deixar esse país. As razões são muitas e devido a sucessivas frustrações vimos que a melhor alternativa pra vivermos como cidadãos de verdade era essa.

Nos últimos meses várias coisas colaboraram pra nossa decisão. Começou com um Contrato de Parceria Civil e Sociedade de Fato que desde o novo código civil brasileiro já é possível ser feito por casais gays no Brasil, embora não seja união civil em se tratando de inexistencia de regulamentação específica na Constituição Federal. Porém uma alternativa que pode ajudar muito a assegurar os nossos direitos.

Bom, pagamos um advogado em São Paulo que o fez retroativo e cobrindo tudo que precisamos e todos os direitos de qualquer casal, e ainda seria possível, caso quiséssimos, pedir o visto de permanência brasileiro pro Roberto.
Recebemos o contrato, assinamos e levei no Consulado Brasileiro pra reconhecer a minha firma o que foi feito de forma simples e rápida.

Já a parte do Roberto... dai começou a nossa novela O cartel-máfia NOTAIO della Terra Nostra, que em resumo da obra foram várias tentativas mal sucedidades de APENAS reconhecer a firma do Roberto, mais nada. Apenas ver que aquele fulano que assina é mesmo o dono da sua assinatura!
Como o nosso conhecido está de férias --- e aqui sem conhecido, padrinho, recomendação e todo esquema mafioso que é enraizado na cultura não se caminha --- vimos que teríamos que esperar a sua chegada em setembro pra tentar mais uma vez ter mais um direito reconhecido.

Os dias se passaram e chegou mais um ano em que teria de renovar meu visto de estudante --- única forma legal de me fazer entrar no bel paese, talvez seria mais fácil chegar de barca e viver clandestinamente pra depois receber o indulto, mas enfim, fomos até a Questura com alguma antecedência e conforme tinha sido dito no ano anterior era disponível um serviço de agendamento por SMS. Era só enviar uma mensagem via telefone celular pro número indicado escrevendo o número do permesso di soggiorno. Bom demais pra ser verdade, se funcionasse!

Mandei e como todos os outros imigrantes recebi uma mensagem padronizada dizendo pra comparecer na data da expiração do visto ou 1.o dial útil após, caso já estivesse expirado.

Fomos e ao chegar deparamos com uma fila de 400 pessoas e a resposta de que a minha mensagem tinha sido enviada muito tarde, eu deveria tê-la enviado com 90 dias de antecedência, mas em nenhum momento essa informação foi comprovada por escrito, nem mesmo no site da Questura ou nos avisos afixados no portão. Então qual seria nossa surpresa? Voltar mais uma vez e ter que passar a noite do lado de fora pra conseguir pegar a ficha vermelha que possibilitaria o atendimento no dia seguinte. Quase uma loteria já que distribuem menos de 50 entre 400, 500 pessoas. Igual exatamente igual ao ano passado! Mas porque esse tratamento? Por que eu não sou cidadão da comunidade européia que tem horário diferenciado, nem jogador de futebol ou cidadão americano que trabalhe em empresa credenciada à Questura.

Saímos de casa às 23:45 h da noite. Chegamos lá por volta de meia-noite e vinte. Éramos o 35ésimo na fila organizada pelo senhor romeno de cabelos brancos. Passamos mais de nove horas em pé com chuva, gritarias, brigas de socos e pontapés. Alguns que furaram a fila na cara-de-páu. Chamamos a polícia que veio no meio da madrugada. Passou de fininho e assim mesmo saiu. Às 8 h da manhã a chamamos novamente. Veio os dois primeiros policiais. Deram uns gritos, debocharam, cassoaram de tudo e de todos. Chamaram outros colegas. Vieram, deram uma olhada e sairam pra tomar um café.

As 08:30 h abriram os portões. Disseram que seriam poucos números. Reclamamos que estávamos ali a noite toda. Um policial italiano disse: "- Sinto muito como pessoa, mas como policial NÃO".

Em meio aos gritos dos políciais seguimos em fila por entre as barretas de aço que nos separavam. Parecia ou abatedouro, ou um campo de concentração. Estavámos lá na fila. Chegou o número 35 da fichinha vermelha. O policial diz:

"- O número acabou. Não vamos atender mais ningúem. Podem voltar outro dia." E nós lá, incrédulos, depois de passar uma noite inteira em pé, sem dormir, exaustos, feridos na alma pelo horror, vergonha e falta de respeito. Pela falta de humanidade.

NÃO CONSEGUI RENOVAR MEU VISTO. Não sou clandestino. Tenho visto de estudante. Pagamos pra estar aqui. Passei por uma análise e aprovação do Consulado Italiano no Brasil. Temos seguro bancário que nós custou muito! Mas mesmo assim, nada funciona, nem funcionará somente as boas massas, as pizzas, a história, o belo look D&G, a falta de educação, o trânsito displicente, o jeito esperto do mais 'furbo', a desorganização: o modo all'italiana.


Blog: Fora do Armário

14 de ago de 2006

A Sandra, mora na India e tem um blog super-interessante falando da vida de lá. Nesse post, não se fala de ralo, mas em compensação...


Brasileiras na India


Nâmaskar

A Vange me escreveu perguntando sobre as brasileiras que moram aqui.

Eu não posso ficar falando da vida pessoal de cada uma por uma questão de ética, mas posso dizer que 90% delas NãO são completamente felizes aqui na Índia, elas reclamam muito.

Na verdade são todas estressadas. Eu por exemplo, detesto quando os leprosos vem pedir dinheiro e ficam tocando no meu braço.

Duas brasileiras em cidades diferentes e ocasiões diferentes deram 10 Rúpias à uma criança que veio que pedir dinheiro e na mesma hora a criança jogou o dinheiro de volta, pois 10 Rúpias é muito pouco. Estrangeiro tem que dar no mínimo 100 Rúpias pro mendigo ficar feliz, se não quiser ser considerado mão-de-vaca (muquirana). Acontece porém que não somos turistas, que moramos aqui e que infelizmente ganhamos em Rúpia e não em dólar. Vai explicar isso para todos os mendigos que cruzam seu caminho diariamente! Eles não querem saber, na cabeça deles você sendo estrangeiro automaticamente você é rico e portanto tem OBRIGAÇÃO de dar-lhes dinheiro!!!! É assim que funciona na Incredible India.

Do que mais as brasileiras reclamam aqui é da total falta de noções básicas de limpeza e higiene. Este parece ser o fator de maior causa de irritação para todas.

O trânsito caótico e o volume e quantidade de buzinas vem em segundo lugar juntamente com o clima extremamente quente e úmido.

Todas reclamam dos arrotos e peidos que são lançados como mísseis a toda hora por todos os indianos (homem, mulheres e crianças); E do mau cheiro que impera triunfante por todo o país, pois as vacas cagam pelas ruas e os homens mijam em postes e paredes juntamente com os cães. Por isso que incenso indiano tem o cheiro forte, é como perfume francês!!!

E reclamar da sogra é algo básico no mundo todo não é mesmo? ;-)

Ver as vacas comendo lixo nas ruas é outra coisa que desagrada aos estrangeiros.

Peidos eu não gosto não, mas arrotos, gente comendo só com a mão, falta de papel higiênico, toilet indiano de chão, poluição, sujeira, buzinas, trânsito, indiano mijando na rua, vacas comendo lixo, já me acostumei. Não me importo, e sou agora a rainha da sujeira e bagunça.

O que me irrita mesmo é a falta de energia elétrica, a falta dos alimentos que eu gosto e estava acostumada a comer há 36 anos, o fato de colocarem MUITA pimenta na comida, as diarréias constantes minhas e dos meus gatos, os mendigos me perseguindo na rua e o fato dos indianos te tratarem como um retardado mental e quererem levar vantagem em tudo, sempre, o tempo todo. Me choca o capitalismo exacerbado que impera aqui, onde o que fala alto é o dinheiro e onde ética e moral são totalmente desconhecidas e ignoradas. Pra mim isto é muito triste.

As brasileiras gostam dos monumentos históricos, dos saris todos bordados a mão com pedras e lantejoulas, do colorido das roupas, chapati, dal sem pimenta, doces, música indiana, filmes indianos, jóias, andar sem medo de assaltos pelas ruas, etc.

No geral as brasileiras e portuguesas que estão aqui é porque vieram a trabalho ou a estudo ou então porque se casaram com indiano, Não conheço pessoas que fiquem aqui por longo tempo a menos que estejam casadas ou trabalhando; embora algumas venham só para acompanhar o marido que foi transferido de outros países para cá. Uma coisa é certa, se o seu casamento sobreviver sua estada na Índia, você não se separa nunca mais!

A comunidade no Orkut chamada Minha Sogra é uma Drama Queen foi criada por uma brasileira que detesta a sogra indiana.

Incredible India


Blog: Indi(a)gestão

13 de ago de 2006

No site Brasileiros na Holanda encontrei um texto de outra brasileira que comenta a falta de ralo.
Leia AQUI.

Outros textos da mesma colunista? AQUI .
Não deixem de ler!

AQUI, o blog da colunista.




Brasileira "de passagem" constatou falta de ralo...
(essa eu publico sem pedir a autorização. Não consegui acessar os comentários)



Morte e azar. Alemanha...


Cerca de duas horas após a decolagem um ucraniano duas fileiras à direita da nossa se levanta passando mal. Sentia falta de ar. Logo as aeromoças, que não falavam português, o levam para a cabine da frente. Depois disso ouvimos vários anúncios. O primeiro pedia auxílio de algum médico. Começou a correria. Os dois colegas do ucraniano vinham a todo o momento buscar algo na classe econômica com cara de desespero. O segundo anúncio avisava a má condição do passageiro. O terceiro, que voltaríamos ao Rio de Janeiro (esse retorno demoraria 45 minutos) para que o senhor pudesse ter alguma chance de sobrevivência. O quarto, assim que pousamos, informava o falecimento do senhor minutos antes.

Esses foram os únicos avisos da noite que procederam. Os outros, que previam o horário da nossa ida em dentro de uma hora, passou para o dia seguinte às três, depois às cinco da tarde, mas que se realizou apenas às seis da noite. A solução para a fatalidade que podia até nos atrasar algumas horas foi tão precipitada, que o atraso foi de 24 horas. Isso fez com que perdêssemos um dia e meio de competições e prejudicássemos além de nós, os atletas dos outros países que fariam equipe conosco.

O avião virou cárcere. Ninguém podia sair. As pessoas passavam mal, os comissários não sabiam quais os procedimentos tomar, muito menos o capitão. Não tenho idéia de que horas retiraram o corpo do avião. Mas eu, o Iranildo e acompanhantes só saímos de lá às duas da madrugada. Isso depois de fazer um drama, senão teríamos sido os últimos a sair. Os colegas do ucraniano teriam dito que ele estava internado em um hospital, não havia recebido alta, mas fugira para viajar. Ele teve um edema pulmonar. Afogou-se no próprio sangue. Lembro-me perfeitamente dele se levantando com falta de ar... A vida é muito efêmera.

Chegamos a Amsterdã, Holanda, cerca de 11 da manhã. Ao contrário do que os responsáveis de SP da a empresa aérea em que viajávamos, a KLM, (pois é, no Rio não tem representação da KLM. Imaginem a bagunça na aterrissagem e decolagem) o vôo de conexão da manhã para a Alemanha não nos esperou. Aguardamos o outro vôo a tarde toda. O primeiro sairia só às 17:00 hs. Essa foi a única parte melhorzinha. Ficamos na área vip bem confortáveis com direito a champagne e biscoitos amanteigados. Estávamos muuuito cansados. No aeroporto, devido a confusão do nosso atraso, ninguém havia ido nos buscar. Esperamos mais uma hora e gastamos vários euros na tentativa de contatar a organização. No hotel, mortos de fome, descobrimos que o jantar já tinha sido servido no ginásio de competições. Há cerca de 50 horas doida por um banho, me deparo com uma banheira. O jeito foi tomar banho fora do box. Sem ralo, a água escorreu para o carpete do quarto. Ahhhh...

São cinco horas de diferença do Brasil. Acordamos feito zumbis e fomos ao ginásio. Nem contei, o Zé, nosso técnico, teve uma crise de dor de coluna que aumentou muito. O coitado está sentindo tanta dor que não consegue nem apoiar a perna direita no chão. O pessoal até brinca dizendo que ele é o terceiro atleta do time. Apesar dos risos, estou preocupada com ele. Até lembro os meus sintomas quando tive a lesão. Enfim, debilitado, não podia nos aquecer antes das partidas. Pra completar a maré de sorte, os meus jogos e os do Iranildo eram ao mesmo tempo. Sempre um dos dois ficava sem auxílio técnico.

O nível técnico das européias é elevado e a mobilidade também. As classes dois mechem um pouco as mãos. Apesar de não chegarem a ser paraplégicas, estão quase lá. Isso pra mim foi meio frustrante. Esperava encontrar atletas com a mesma dificuldade motora que eu. Segundo o classificador que me reclassificou aqui, estou no limite entre as classes um e dois porque por mais que seja enfraquecido, tenho movimentos de tríceps preservados. A classe um não tem nada. E as meninas classe dois daqui... bom, elas não movimentam perfeitamente a mão o que faz a pessoa virar classe três. Eu, não movimento absolutamente nada da mão e ainda não tenho tríceps direito. Pra ter alguma chance, tenho que treinar muuuito para ganhar na técnica a diferença de mobilidade. Não deu para passar para as finais. No entanto, meu objetivo foi alcançado. Agora sei como elas jogam. O próximo passo é analisar e treinar. Vamos ver como será no mundial.

Depois de um dia cansativo desses, o que Carlinha mais quer?? Cama! Ai, ai, ai... meu quarto foi bloqueado. Ao ver o carpete ensopado, os responsáveis do hotel “putos” da vida resolveram trancar meu quarto. Eu sei que errei. Mas fiz de tudo pra água não escorrer. Coloquei toalha no vão da porta mas mesmo assim não deu. Umas três horas esperando solução. Que constrangimento! Odiei a atitude deles. Depois de meia-noite encontramos um lugar para que eu pudesse tomar banho, o vestuário da piscina. Acabou que pedi ajuda para uma espanhola e com trabalho, fiquei na banheira mesmo. Hoje teremos uma conversa para decidir se vou ter que pagar ou não essa joça. Pra finalizar com chave de ouro, na festa de encerramento o organizador veio falar que não recebeu meu depósito da inscrição. Ainda vou ter que ir ao banco reclamar.
Graças a Deus, nada de ruim aconteceu na viagem de volta. Kkkkkkk... nunca pensei que ficaria tão rápido com tanta vontade de voltar ao Brasil. Espero que nada mais aconteça. Vou me benzer. Hihihi

Blog: Carlinha em Atenas

11 de ago de 2006

Até que enfim alguém notou de novo que aqui não tem ralo....


"Porque sim" nao é resposta!


Porque na Italia nao existe ralo?
Porque os padeiros pegam o pao com a mesma mao que eles pegam o dinheiro e possivelmente coçam o dito cujo?
Porque no supermercado nao vende fosforo? Nem fio dental?
Porque nas lojas o vendedor pensa que esta fazendo o favor de vender algo para voce e tratam mal a clientela?
Porque se voce erra alguma palavrinhas eles fazem de conta (ou sao burros?) de nao entender nada?
Porque pensam que voce tem que ser negra por ser brasileira?
Porque pensam que voce tem que saber sambar por ser brasileira?
Porque pensam que voce tem que ser uma otima dona de casa so porque é mulher?
Porque pensam que voce nao pode ter opiniao so porque voce é mulher?
Porque pensam que voce morria de fome no Brasil e agora esta com a vida boa?
Porque pensam que so porque voce mudou de pais, nao ama os seus pais e familia?
Porque pensam que voce é idiota se voce sorri para os outros?
Porque pensam que voce é idiota se agradece o vendedor depois de comprar algo?
Porque pensam que voce é bobo alegre se esta feliz?
Porque quando batem o carro a primeira coisa que fazem é ligar pro papai ao inves de chamar o guincho?
Porque em 2006 ainda votam com papel e lapis fazendo um X no candidato ao inves de votar com computador?
Porque o sistema bancario daqui é precario? Uma transferencia entre contas demora ate 4 dias e para fazer um deposito em uma conta precisa da autorizaçao do beneficiario.Porque ninguem paga contas pela internet?
Porque nos restaurantes nao tem menu e quando tem nao tem os preços?
Porque para entrar numa praia voce é obrigado a pagar?
Porque nao existe varal de teto?
Porque Italiano pensa que diversao = entrar no mar num calor de 40°C?
Porque italiano insiste em perguntar se no Brasil existe TV a cores, computador, elevador, macarrao, carros, entre outras coisas absurdas?
Porque insistem em usar fax ou correios se ja existe email?
Porque tudo, mas tudo mesmo, fecha por duas semanas em agosto, transformando todos os lugares em cidade fantasmas?
Porque tudo fecha das 13hs ate as 14hs?
Porque depois das 14hs, tudo fecha as 20hs?

E Napoli?
Porque aqui nao tem farol?
Porque quando tem farol, eles estao desligados?
Porque napoletanos nao respeitam a contra mao?
Porque napoletanos pensam que sao os mais simpaticos do planeta?
Porque napoletanos gritam para chamar alguem?
Porque napoletanos nao usam o celular ou interfone para chamar alguem que mora no ultimo andar de um predio e gritam ate que a pessoa apareça na janela, nao importando o horario?Porque napoletano tem vergonha de entrar numa loja e nao comprar ou dizer que nao compra porque esta caro?
Porque napoletano ve uma cidade inteira se transformar em um lixao ao ceu aberto e nao faz nada para mudar?
Porque 9 entre 10 carros em napoli sao batidos?
Porque napoletano acha que tudo é estacionamento? Inclusive o portao de entrada e saida de carros e as calçadas.
Porque napoletano ainda nao aprendeu o que é faixa de pedestres?
Porque napoletano fala gritando e grita berrando?
Porque napoletano nao sabe usar a palavra "adesso" (em portugues = agora) e diz so em dialeto "mo"?

E porque raios vim parar aqui???


Blog: Made in Napoli

3 de mar de 2006

Era Glacial

Saudades;
Acabamos de sair do periodo glacial aqui na Italia e finalmente entramos no inverno. Aqui eles chamam de inverno o periodo de 22 (ou 23) de dezembro atè 22 (ou 23, eu nunca me lembro) de fevereiro, mas eu costumo dividi-lo em 2 periodos distintos: O Glacial, onde nao dà nem pra respirar fora de casa e o inverno, onde faz um puta frio mas se respira. Comecei a escrever este post antes do periodo glacial mas nao consegui terminar a tempo e como todo bom urso.... entrei em hibernaçao, portanto desculpem a ausencia. Faço um breve resumo de como foi esse periodo por aqui:Como sao bonitinhos aqueles filmes americanos em que o papai Noel chega num trenò rodeado de neve por todos os lados, as crianças que fazem bonecos de neve e colocam uma cenoura como nariz...ahhh que lindo!!E realmente è tudo lindo, desde que vocè esteja vendo o filme na televisao em um paìs como o Brasil onde 0ºC è sò um numero no visor digital dos freezers da Brahma que voce encontra nos butecos. Lindo um corno!Tà um puta frio aqui, minha rotina mudou completamente, agora tenho que acordar uns 20 minutos antes do normal sò pra me vestir......voces pensam que eu tò zuando?Bom, primeiro que quando vocè acorda as 6:30 da manha ainda è noite, pois aqui no inverno o Sol aparece somente durante 8 horas por dia, ou seja, claridade sò das 7:00 atè as 16:00, obviamente contando que seja um dia de cèu limpo senao a coisa pode ficar realmente dramàtica. Uma vez que voce abriu os olhos toca a pensar na melhor estrategia para sair debaixo das cobertas sofrendo o minimo possivel, pois durante a noite o aquecimento fica desligado por uma questao de economia, aì voce cria coragem e levanta de uma vez atirando as cobertas pra qualquer lado, no instante seguinte voce se arrepende e chega a conclusao que essa estrategia tambem nao funcionava mas nao se preocupe pois voce vai ter mais uns 4 meses pra tentar estratègias novas todas as manhas. Bom, depois desse instante de reflexao voce liga o mini aquecedor elètrico que por uma questao de sobrevivencia deve estar sempre a mao, na verdade nao ajuda muito, mas faz com que voce nao congele os orgaos ao tirar o moleton com o qual voce dormiu.Vestuario: cuecas;meia-calça (nao, voce nao entendeu errado, è isso mesmo, meia-calça pra homens, voce reluta um pouco no inicio mas depois acaba chegando à conclusao de que pode sempre dar uma de macho quando for pro Brasil, aqui nao rola);meias: preferencialmente de là e bem compridas atè quase o joelhocalças jeans ou de veludo;camiseta intima (algo que o brasileiro nao conhece, è tipo uma camiseta baby-look mas de um material mais quente;blusa de là, ou de qualquer outro material quente;cachecol (esse eu nao uso porque irrita a pele em contato com a barba, mas que ajuda ajuda);gorro;Jaqueta estufada com penas de ganso;Botas de couro ou de veludo forradas, e pronto, voce jà pode começar a tentar se mexer com uns 30 quilos a mais no corpo e as articulaçoes muito limitadas.Tudo bem, mas em casa tem aquecimento. O CACETE! O aquecimento tem mesmo, mas se voce usa-lo o numero de horas necessarias para manter a casa quente vai descobrir que a conta de agua e de luz eram sò um aperitivo pro governo, o prato principal è o gàs.Mas tem sempre a lareira, o bom e velho metodo usado desde o inicio dos tempos pra aquecer os homens e que ainda hoje è o que rola.Basta comprar a lenha de um camponès qualquer, o preço varia de 7 a 14 euros por 100 kilos (vale a pena pesquisar), eu costumo comprar uns 1500 kilos pra passar uns 2 meses. é bem mais barato que o gas mas dà um pouquinho de trabalho:1a. etapa: descarregar, chega o camponès com o seu 3 rodas com mais de 1 tonelada de lenha, ele vem sozinho ou com um ajudante e aì começa a brincadeira, pedaço a pedaço de lenha, de mao em mao pra empilhar em um lugar seco se sua preferencia, depois dos 10 primeiros pedaços grandes voce jà começa a sentir os beneficios do aquecimento, pois começa a suar como um porco e jà pode atè tirar a jaqueta, depois de 20 pedaços fora com o gorro......quando termina a descarga uns 90 minutos depois vocè jà està sò de camiseta e jurando que nascer denovo vai nascer no Brasil e ficar por là.Mas nao acaba aì!!! A lenha chega geralmente em pedaços muito grandes pra colocar na lareira de casa que geralmente è pequena, aì vc pega a serra eletrica e uuuhhhuuuu...começa a dar uma de louco, pelo menos nao tenho que usar o machado senao realmente me sentiria um primata (nao que esteja muito longe disso). A lenha nao pode ser armazenada dentro de casa, por 2 motivos, primeiro porque uma pilha de 3 metros de altura por 2 de largura nao entra na dispensa e no meio da sala nao fica legal, segundo porque teus moveis vao virar rota de pelegrinaçao de cupins. A soluçao è deixar a lenha fora de casa num lugar coberto, a' todos os dias voce chega do trampo cansado e antes de subir no ap. enche uma caixa com o maximo que puder aguentar nas costas ( no meu caso uns 3o kilos) e sobe as escadas com a caixa nas costas. Uma vez que vc entrou em casa e sigilou as portas e janelas pra nao entrar o frio aì vc começa a tentar acender o fogo rezando pra que a lenha esteja bem seca senao...bem senao è melhor nem pensar. Depois de uma hora o foco jà estarà bem aceso e vc terà um estoque de lenha pra a noite toda, aì voce se abraça com a lareira e espera na ter que se levantar nem pra pegar um copo d'aqua.E aì? Ainda acha o inverno bonitinho?


Blog: O Chamavam Brasiliano

17 de dez de 2005

Olha o ralo aí de novo...


– Um outro detalhe arquitetônico que me havia escapado são os ralos. Quer dizer, a ausência deles, já que as casas não os possuem. Portanto, nada de lavar banheiro ou cozinha, até porque água aqui custa caro e você irá provocar uma infiltração no teto do vizinho de baixo. Um esfregão, um balde, esponja e um dos milhares de produtos milagrosos da indústria da limpeza doméstica, resolvem.


Blog: Carta da Itália

11 de out de 2004

Ensaio da Tristeza

Pensando sobre aqueles que conheço realmente e virtualmente que trocaram de país, e sobre aqueles que na terrinha ficaram, é um pouco evidente como o exercício da felicidade em gringolândia merece mais atenção e esforço. Todo mundo sabe que não é fácil adaptar-se, ainda, muita gente põe os pés dos lados de cá com uma expectativa cor-de-rosa: se no Brasil há tantos problemas, primeiro mundo deve ser primeiro mundo justamente pela ausência de problemas.

Não é bem assim, e nem uma questão de problemas. Acho que a maioria das pessoas que vejo pelos lados de cá com maiores dificuldades na adaptação são aquelas que resistem em se desgarrar de tudo aquilo que foi referência durante a vida, muitos pré-julgamentos que carregam sobre o que é bom e o que é ruim.

É fácil entrar no esquema da reclamação: que se perde muito tempo com afazeres domésticos porque a ajuda é cara, que as pessoas não são muito receptivas, que eu faço unha e depilação eu mesma, que o povo é muito quadradinho, certinho, que eu, tendo grau universitário e pós devo ser tratada como "nata" e não como imigrante, que eu, que eu, que eu...

Ao meu ver, isso é somente o choque cultural e é muito fácil começar o esquema comparativo, que no Brasil é tudo muito melhor, porque aqui eu sou só uma imigrante. Ora, vejamos, sim, isso é fato, eu sou imigrante. E nessa palavra, ao meu ver, não há conotação pejorativa, se há na cabeça do interlocutor são outros quinhentos. Mas é por isso que muito expatriado acaba entrando no mode auto-loa, achando que tem muito mais qualidades do que as pessoas que o cercam, e ainda porque eles não sabem de todas as regalias das quais abdicou naquele país simplesmente fantástico para estar aqui. Fácil pensar assim e muita gente cai nessa cilada.

Difícil é enxergar o bom. Difícil é pensar que gringo, quando imigra para o nosso país, também passa pelas mesmas mazelas somente porque ele também tem suas qualidades e suas vantagens no seu país. Difícil é afastar aquela caixinha que não vemos, mas que está ali a delimitar a maneira como enxergamos as coisas. Difícil é ver além, dos lados, pelos lados. Difícil é buscar a felicidade.

Mas, vejo sim muita gente assim, com o espírito aberto, com a vontade de experimentar, de trocar, de tentar. E eu admiro muito essas pessoas, aprendo com elas sobre aquilo que me falta para ter o que tanto quero, a tal felicidade, busco nelas a vontade e o apoio quando esses me falham e tento aprender como lidar com o que sinto quando a saudade aperta.

Das tristes, eu também aprendo:

- que eu não quero tristeza pra mim,
- que eu preciso abrir minha cabecinha porque se não fizer, ficarei sucumbida à minha tristeza
- que no meu país as coisas não são melhores, são apenas diferentes, ou seja, que a comparação, na maioria das vezes, é pró-Brasil e anti-terra estrangeira, e isso é uma das piores ciladas
- que eu preciso ser humilde. Achar que sou melhor do que aqueles que me circundam porque eu tenho/tive isso ou aquilo no Brasil só me levará ao isolamento
- que ter bom humor para olhar para as próprias desgraças é fundamental para que eu não fique amarrada às mazelas
- que eu posso aprender, mesmo com aquilo ou aquelas pessoas que são o oposto do que quero para mim. Mesmo as tristes

Final das contas, acho que se aprende tanto dos diferentes quanto dos mais similares. O xis da questão está em querer aprender.


Blog: Duralex Sedilex

3 de out de 2004

Gente.... esse aqui tem ralo!!!


(da Série: crônicas de montreal - escrito em 26 de junho de 2003)

Epopéia de uma banheira

Para começar esta coletânea de crônicas, nada melhor que uma história antiga, que aconteceu em junho do ano passado, quando estava preparando-me para mudar de casa. A crônica na verdade é uma parte de um e-mail que enviei a um amigo que me tinha confiado as chaves de sua casa. Pois bem, dizia eu:

"...agora se prepara aí que te vou contar uma história... ou melhor, uma epopéia...

Faz uns dois meses a R. tentou limpar a banheira com um produto químico. Só que ela não leu a embalagem e deixou o negócio lá muito tempo, o que acabou manchando um pouco. Nada grave, só umas raias cinza clarinho...

Enfim... Tentamos de tudo pra limpar (até aquele CLR que passa na televisão - êta sociedade de propaganda) e nada. Já haviamos desistido de limpar completamente, embora tenhamos dado uma boa melhorada e estava tudo quase como antes.

Só que essa semana a banheira começa a entupir... No começo devagarinho até que parou completamente! Tentei catucar com um arame, e nada... Aí fui na RONA pra comprar um desentupidor (que eu aprendi que diz bouchon em francês e em inglês... bom, em inglês esqueci).

Mas voltando à história, lá chegando aceitei a sugestão de um vendedor que disse que para banheira "o bom mesmo" era um produto químico... Um ácido, você bota lá e o negócio detona tudo! Eu caí nessa e comprei o tal produto.

Ao chegar em casa, leio as instruções que dizem para colocar um copo do negócio, esperar cinco minutos e deixar a água correr por 15 minutos... Coloco o produto no ralo e escuto um barulho de coisa queimando! Aí a sujeira começa a voltar... Até aí tudo bem, pensei... Saí um pouco do banheiro pra não ficar respirando aquilo e quando volto... um verdadeiro filme de terror...

Lembra das manchas que eu tinha te falado antes. Pois é, o vapor do ácido entrou em reação com o que tinha do outro produto encrustado na banheira e queimou tudo. A banheira inteira estava marrom escuro. Tentei esfregar com a parte rugosa de uma esponja e nada do troço nem ameaçar limpar.

Nesse momento comecei a fazer as contas... $600 uma banheira nova, $400 pra eles instalarem, $200 de hotel pros novos moradores daqui até a banheira ser instalada... Enfim, na minha cabeça já se iam uns $1500 dólares escorrendo pelo ralo (e olha que o ralo continuava entupido)!

Aí chamo a R. e voltamos no Rona pra ver o que podemos fazer... A cabeça tentava se consolar: "eles vão ter um outro produto que vai limpar" ou "vai existir uma tinta de banheira pra gente pôr por cima", mas o bolso, mais realista, já sentia os golpes (quase mortais, na situação em que estamos, de bolsa pra atrasar - a minha não depositaram até agora).

Chegamos na RONA às 18:10 e pra melhorar tudo, eles fecham às 18 nas quartas...

Voltamos pra casa. Na volta, compramos uns "scrubbers" (uma esponja sem a esponja - só com aquele outro lado que a gente usa pra "ariar" panela na falta de bombril) com lugar pra segurar e facilitar a "esfregação"... Compramos também uns óculos (Speedo) de mergulho, pra tentar nos proteger dos vapores...

Pra te falar a verdade, nessa hora não tinha mais muita esperança... Já via o dinheirinho escorrendo pelo ralo (puto ralo, pro dinheiro ele NUNCA entope). Chegamos, esfregamos um pouco e nada... Eu desisto e vou buscar na internet quanto custa uma banheira nova, quase a ponto de sentar no chão e chorar sobre o leite, digo, o ácido derramado. A R. muda, acuada num canto...

Daqui a pouco escuto a R. gritando do banheiro... Vou ver e ela descobriu que com sabão Ariel e muita esfregação o marrom parecia que ia embora e começava a embranquecer (ela já havia tentado sabonete, shampoo, e sabe Deus o que mais). Eu assumo o comando do "scrubber" e não é que o sabão funciona
mesmo! Você tem que esfregar cada centímetro como se daquilo dependesse a sua vida, mas, depois de mais ou menos uns vinte segundos de trabalho, o negócio realmente esbranquecia!

Obviamente a R. já pensou em como ganhar dinheiro em cima disso: vendendo uma nova idéia publicitária para a Ariel. Começo da propaganda: imagem de uma banheira toda manchada e caras de terror. Aparece o Ariel. Umas leves esfregadas (obviamente, na propaganda, a gente não vai botar um cidadão de cueca, óculos de mergulho e camisa na cara...) e tchamn-tchamn a banheira branquinha de novo!

Bom, mas voltando a odisséia... Não, não acabou... Quando estamos todos felizes achando que com mais uma hora de esfregação o negócio vai estar limpo (na verdade, mais limpo que antes: um produto cancelou o outro e o sabão lavou os dois) ouvimos a campainha... Eu pensei, era só o que faltava...

Eu me tranco no banheiro e a R. vai atender. A casa uma bagunça com os preparativos da mudança. Era a vizinha de baixo perguntando se a gente estava tendo problemas com o banheiro, que na casa dela havia água escura inundando o banheiro desde o teto...

Nessa hora pensei: Como dizia a madre superiora do colégio Cristo Rei lá de Marília: Puta que Pariu... Saímos do forno pro microondas... Agora não vamos ter que pagar a banheira mas temos que pagar alguém pra quebrar a parede e ver onde o ácido queimou o cano!

Durante toda a conversa, eu trancado no banheiro, a R. na porta e a vizinha tentando ver o que estar acontecendo pelo fresta da porta. Essa mulher deve ter pensado que haviamos matado alguém e estávamos tentando nos livrar do corpo em pequenos pedaços pela privada... Era a única explicação plausível.

Dizemos que vamos falar com o admnistrador em breve, pra ganhar algum tempo. Minha idéia é limpar a banheira antes de que o cara venha, pra não sermos responsabilizados por ter posto produto químico nenhum... O problema é que falta ainda metade da banheira...

Meus braços nunca trabalharam tanto em tão pouco tempo... Houve um momento em que eu estava como o pintinho daquela piada antiga, aquele que fumou um cachimbão de maconha: "não estou sentindo nada...". Não sentia os braços, não sentia as pernas, não sentia nada...

Finalmente acabei, depois de uns cinquenta minutos e mais uma visita da vizinha. Nas suas palavras agora existe um rio... Eu fiquei cá, a cabeça torcendo que fosse aqueles riozinhos que secam durante oito meses ao ano da minha saudosa Paraíba, enquanto o bolso (fdp) só conseguia falar de Amazonas, Nilo e, na melhor das hípótese, São Francisco!

Enfim... chamamos o administrador. No caminho passamos na vizinha e vamos ver o tal rio... Na verdade, meia tigelinha de uma água marrom clarinho! Se o alívio não tivesse sido maior que a raiva, juro que diria umas tantas coisas. Mas, verdadeiramente, a alegria de ver que o Amazonas não passava de umas gotinhas foi superior! (Em tempo, esta água provavelmente havia escorrido do chão do banheiro, que estava todo molhado, ou seja, não tinha nada que ver com o meu ácido ou nada).

Finalmente, vem o administrador, que deve ter visto a banheira mais limpa da vida dele! Catuca e catuca o ralo e, finalmente, nos pergunta se poderíamos, por favor, ficar sem a banheira até o dia da mudança... A esta altura do campeonato já era melhor pra gente mesmo, do que ter um encanador em casa, fazendo mais sujeira do que aque já temos que limpar...

Bom, mas tudo isso pra dizer que ontem fomos tomar banho na tua casa... "


Blog: Comédias da Vida Gelada
Era uma vez... uma máquina de lavar roupas...

Eu não posso falar sobre como está sendo a minha vida aqui em Cracóvia sem antes contar uma história que se confunde um pouco com a minha, aqui na Polônia: a história da máquina de lavar roupas. Quando eu morava no Brasil, eu tinha uma máquina de lavar que eu gostava muito, apesar dela de vez em quando resolver sambar e passear pela minha área de serviço. Ao mudar para a Polônia fui viver num apart hotel e lá eu não tinha uma máquina só para mim. Eu tinha que mandar tudo para a lavanderia e pagar por isso os olhos da cara. O tempo passou e eu descobri que havia uma máquina de lavar roupas no apart e que poderia ser usada pelos moradores. Uma máquina turbinada, modernérrima, que lavava, secava e quase passava de tão boa que era. No início foi até difícil usá-la, mas o Valone e a Roberta conseguiram decifrar o manual e daí ficou uma pouco mais fácil. O problema é que todas as esposas do apart também descobriram e usar a tal máquina era quase um parto. Sem contar que havia ainda algumas esposas mal-amadas que arrancavam a nossa roupa ainda molhada da máquina e as jogavam no chão para poder colocar as delas. Mas pula esta parte, senão a história vai ficar muito grande... Durante os três meses que eu morei no apart, meu maior sonho era ter uma máquina só para mim. Chegava a imaginar a minha máquina no meu banheiro (sim, aqui as máquinas ficam no banheiro) e eu colocando as roupas dentro com toda a calma do mundo e depois as pegando cheirozinhas, sequinhas... Até que eu mudei para o apartamento da Wielicka e lá eu tinha uma máquina só para mim, mas não era aquela do apart, mas tudo bem, era melhor do que nada. Eu lavava as minhas roupas quando eu queria, colocava no varal, demora um século para secar, mas pelo menos eu tinha uma máquina no meu banheiro. Só que como todo mundo sabe, no último fim de semana, eu me mudei para Cracóvia. E todo mundo sabe também que eu estou adorando o novo apartamento que tem, como eu já falei, vista para o Castelo de Wawel. Mas o melhor de tudo mesmo é que agora eu tenho uma máquina de lavar roupas igualzinha àquela do apart só para mim. Vocês não imaginam a minha felicidade. Eu coloco as roupas quando eu quero e ela lava, seca e eu tiro quando eu quero pois não tem ninguém esperando para usar. Não é uma maravilha? Tudo bem, pode ser que alguém ache a minha história ridícula, mas eu não estou nem aí, pois agora eu tenho uma máquina de lavar turbinada, modernérrima, no meu banheiro, só para mim e isso é um detalhe que faz a maior diferença. Agora deixa eu ir lá, pois vou colocar mais umas roupinhas na máquina de lavar. rs... Beijinhos para todos!


Blog: Pierogi Brasileiro
peh na estrada e estrada no coracao

a cada nova mudanca aprendo um pouco mais sobre mim mesma e sobre as pessoas em geral. acho que meu vicio por coisas novas vem da necessidade de novos desafios e encontros mesmo. melhor assim, estou no lugar certo.

jah disse outras vezes que nao troco minha vida por nada, nao eh? mas nao comecem a ter inveja pois nem soh de plumas, paetes e novos destinos se faz uma boa vida. se eu nao tivesse ao meu lado uma pessoa maravilhosa tenho certeza de que nada disto valeria a pena. as pedras no caminho sao muitas e muito dificeis, novas a cada nova mudanca. tenho que ter um jogo de cintura e uma capacidade de adaptacao que estao acima de qualquer medida.

para os candidatos a colocar o peh na estrada um conselho, nao, um aviso : pensem bem antes, avaliem os riscos e o que voces estao procurando pois a caminhada eh dura. no meu caso vale a pena, mas isto eh especificamente no meu caso. jah tive oportunidade de encontrar com varias pessoas que nao encontraram a felicidade tendo um tipo de vida mambembe e estao tentando sair desta a qualquer preco. como tudo, tudinho nesta vida, cada um tem que buscar seu caminho. agora, se voce sente que eh este seu destino, nao deixe passar a menor oportunidade, eu nao deixaria.

aqui em dubai me descobri novamente. sinto-me diferente e, ao mesmo tempo, a mesma pessoa. o sol, o mundo arabe, alguns amigos, tudo isto tem tornado minha chegada neste lugar desconhecido um tanto... conhecida!

nossa mudanca chegarah apenas no final do mes, entao, ateh lah, estarei vindo algumas vezes aqui neste cafeh internet (este eh bem perfumadinho) para mandar noticias. ateh jah.


recorde mundial

a megalomania dos governantes deste emirado eh incrivel, e eles adoram quebrar recordes mundiais : a mais longa passarela suspensa, a maior bandeira, o maior predio (esta sendo contruido pela segunda vez, parece que na primeira tentaiva ele caiu), as maiores ilhas artificiais, o maior aeroporto... e assim vai.

os campos de obra sao imensos e interminaveis, eh realmente impressionante ver o movimento desta cidade. por isto nem me assusto mais quando abro o jornal na sessao de empregos e vejo mais da metade do espaco ocupada com ofertas para engenheiros (a outra metade tem ofertas para camareiros, garcons e recepcionistas em hoteis). estou no paraiso dos engenheiros e arquitetos, incluindo os arquitetos de interiores, pois eles adoram pensar os ambientes com tematicas diferentes.

aqui estah o hotel 7 estrelas em forma de vela de barco, um outro hotel em forma de onda, um shopping sob piramides e decoracao egipcia, um outro que imita veneza e os modernissimos predios de escritorios em volta da "creek".

dubai nao eh uma cidade que encanta aa primeira vista, mas impressiona.

o que dizer de uma cidade que tem o "the palm", ilhas contruidas em forma de um grande coqueiro no meio do oceano (mas perto da praia), a maior contrucao de ilhas jah feita pelo homem e que pode ser vista do espaco? e que estah contruindo mais de 50 ilhas artificiais, cobrindo 300 hectares de terras e que, vistas do ceu, terao a forma do mapa mundial? pois eh. todos nos podemos comprar uma pequena porcao deste paraiso que estah surgindo, neste pedaco do mundo que comeca a aparecer para o mundo aih fora. por uma pequena fortuna voce tambem pode ser vizinho de um sheik milionario qualquer ou de beckam, se voce tiver um pouco mais de sorte.

a primeira vista tudo isto parece estranho. mas o que disseram dos franceses quando comecaram a construir o castelo de versailles ou dos americanos com o empire state? o oriente medio estah construindo sua historia e nos temos a oportunidade de estar aqui fazendo parte dela.


Blog: Mambembe

24 de set de 2004

Dicas pra sobreviver fora do Brasil!


Esse post, eu escrevi ha' varios alguns meses la' no blog e as reacoes foram super interessantes. Muita gente me escreveu dizendo que tem tido uma postura muito negativa e que esse post ajudou a ver as coisas de outra forma. Por isso, resolvi reproduzir (e adaptar um pouquinho) aqui:

(...)

Viver fora do seu pais nao e tao facil. Mas eu acho que é muito importante ter não somente uma visão positiva, mas mesmo uma postura positiva, pra ser feliz.

Fiquei pensando no que eu diria pra alguém que mudou pra outro país, ou está pretendendo mudar, para que possa ser mais feliz. Acabou ficando uma lista muito grande, mas você pode ir lendo aos poucos, uma coisinha por dia... ah, e acrescente outras nos repliess, OK? lembrando sempre que essa é a minha perspectiva e não quer dizer que todo mundo deve seguir ou concordar comigo!

1. Não esqueça nunca de onde você veio, sua pátria fez de você o que você é, mas deixe isso guardadinho em algum lugar no seu coração, não fique falando ou pensando nisso o tempo todo e comparando os dois países. Agora você está começando vida nova e deve isso a você e à(s) pessoa(s) que está(ão) lhe acompanhando nessa jornada.

2. Em ambos países você vai encontrar coisas boas e ruins, a diferença é que estamos sempre mais acostumadas com as coisas ruins de onde viemos. Existe coisa pior que ver crianças nas ruas passando fome, pedindo dinheiro, cheirando cola? quem diria que alguém pode se acostumar com isso? mas nos acostumamos, não é?

3. Tente esquecer os estereótipos. Esses são apenas caricaturas, e estamos convivendo com pessoas reais. Nem sempre brasileiros são tão amigáveis e nem sempre os "gringos" são tão "frios". Gosto de lembrar uma festa que eu fui na Suécia há vários anos atrás. Aniversário de 70 anos (imagine), achei que ia ser um tédio mortal, mas nunca fui tão bem tratada e me diverti muito. Literalmente TODAS as pessoas da festa vieram falar comigo, se apresentaram, perguntaram sobre mim, foram extremamente gentis, pessoas de todas as idades. Cerca de um mês depois fui a uma festa, em São Paulo, na casa do meu irmão. Uma turma descolada, do "mangue beat" pernambucano em Sampa. Praticamente ninguém falou comigo. Não conhecia ninguém e ninguém fez questäo de se apresentar. Portanto, tudo é relativo.

4. Outro estereótipo que eu detesto é que só brasileiro sabe se divertir, que a vida aqui é monótona, que os shows não tem emoção. Já comentei aqui no blog um show que fui do Blur, banda pop britânica, que eu adoro. O show foi o melhor da minha vida. Todo mundo se divertiu muito, dançou horrores, gritou, se emocionou. Com uma diferença, não tinha bebida. Acabou o show, todos sairam ordeiros pras suas festas pós-show ou pra casa. Ninguém quebrou os pontos de ônibus ou fez bagunça nas ruas. Adoro isso! Talvez você não esteja tendo oportunidade, ainda, pra se divertir mas isso não significa que os "locais" estão tendo uma vidinha tão insípida assim!

5. Quando se quer falar que as pessoas da Europa são frias, se diz que eles entram no metrô e enfiam o livro na cara, não olham, nem falam com ninguém. Bem, pelo menos em Recife, não vejo ninguém puxando conversa em ônibus e quando fazem isso as pessoas já ficam com medo, pensando que é um assalto. Não vamos ter expectativas exageradas do povo daqui, né?

6. Que tal porcurar o lado positivo das pessoas do local? aqui eles são honestos, ordeiros, organizados... isso tudo pode ser bom... são "sovinas", "neutros ao extremo", "arrogantes"... então vamos tentar achar isso engraçado?? enfim, aprender a conviver com o que a gente tem, pode ser a regra de ouro da felicidade!

7. Não adianta reclamar do clima. Tá frio? tem que se agasalhar. Aqui, na Suécia, se diz que "não existe frio, mas gente mal agasalhada", Ok, é um certo exagero, aqui tem frio e muito. Mas, não há nada que se possa fazer em relação a isso, é o que digo sempre à Bia. Entäo, vamos tentar ver o lado positivo... você não vai ficar toda suada, pode usar uma linda maquiagem que não derrete e dura a noite toda, as roupas são lindas, a gente fica mais elegante. E o que eu adoro... diminui a ditadura do corpo perfeiro, ninguém tá vendo tudo mesmo, fica todo mundo mais ou menos na mesma "posição". Ah e eu adoro abusar de luvas e cachecóis lindinhos (e baratos!).

8. Quando sair de casa, olhe a cidade com olhos de turista, pense "gente, quantas pessoas não adorariam estar vendo essa cena, hoje, e eu estou aqui?" estou sempre descobrindo novas facetas da cidade, novas caras. Pego o metrô e me delicio vendo Gamla Stan, TODAS as vezes que passo por ela... estar num lugar lindo é um privilégio que, às vezes, a gente esquece. Eu já fazia isso em Olinda,
quando ia entrando na cidade eu pensava "e os gringos pagam uma nota pra ver minha cidade, que é tão linda e eu tenho de graça, todo dia!".

9. Valorizar essas pequenas coisas do lugar em que você vive é fundamental. Você não gosta da comida? sempre tem UMA coisinha pelo menos que você vai gostar. Ai, se delicie com ela, ao invés de ficar procurando feijão e goiabada nas lojas especiais. Não tenho quase nenhuma saudade da comida do Brasil. Esqueço que ela existe, por que não é mais uma opção pra mim e não dá pra se viver de ar, nem de nostalgia. Adoro kokosbola, adoro as verdurinhas congeladas, adoro cuscuz marroquino, amo iogurte de blueberry... queijo de coalho?? o que é isso?

10. Não deixe a saudade acabar com você. Mais uma vez, lembre-se que foi sua OPÇÃO... essa é a palavra chave. As pessoas que ficaram no Brasil e lhe amam querem ver você bem. Seja feliz e deixa a saudade, também, guardadinha lá no fundo do coração.

11. Evite viver em guetos. É muito legal encontrar brasileiros, trocar idéias (mas evite ficar só falando mal do país e das suas saudades do Brasil!), ouvir nossa música juntos, mas não se restrinja a isso. Tente estabelecer contatos com pessoas nativas do país e outros migrantes. Absorva novas culturas, isso é refrescante, revitalizante. Saber que existem culturas diferentes da sua e respeitá-las é o primeiro passo para a tolerância.

12. Aprenda o idioma local. Mas "take your time", faça-o quando você se decidir (também não vale esperar mais de um ano pra começar!), se puder se virar em outro idioma. É fundamental aprender o idioma, mas é melhor se você estiver com a mente aberta, e às vezes é necessário um tempo para adaptação.

13. Pense que, pelo menos no começo, você é um(a) turista com mais tempo pra conhecer a cidade... vá visitando tosos os museus, mas agora com muito mais tempo, um por dia, vá conhecendo todos os pontos turísticos, a cidade tem muito a oferecer e você tem tempo... e lembre que, muitas vezes isso pode custar pouco ou quase nada.

14. Não se deixe contaminar pelo mal humor de outras pessoas. Evite as longas conversas do tipo "eu odeio esse país por que...". Desmonte seu parceiro de papo mostrando tudo de bom que você encontrou aqui.

15. Lembre que você não está sozinha e seu mau humor vai contaminar os outros. A maioria de nós, pelo que percebi nos blogs, veio parar aqui por AMOR. Viemos por que quisemos, eles (ou elas) podiam ter mudado pro Brasil, mas, nesse momento, decidimos que a melhor opção é viver fora do Brasil. Então, respeite a pessoa que você ama, respeite sua cultura, suas tradições, seu país. Evite conflitos do tipo "se eu estivesse no Brasil seria diferente". Pode ser um atalho pro amor ir embora. Ah, e exija respeito com o Brasil também!

16. Use e abuse da Internet. Não apenas para matar as saudades do Brasil, saber notícias de lá, se comunicar com sua família... mas também para ir descobrindo sua nova pátria, visitando os sites de turismo da sua nova cidade, descobrindo o que tem para oferecer. Visite o site do Governo local, veja quais os direitos e deveres que você tem, como imigrante, conheça mais da cultura local.

17. Faça seu blog. Eles são uma delícia, você encontra grandes amigos e compartilha com outras pessoas as suas experiências.

18. Nossa música é a melhor do mundo, certo? sem dúvida, mas não custa experimentar novos tons. A palavra mágica para um imigrante é EXPERIMENTAR. De tudo, música, dança, comida, bebidas, tudo que estiver ao seu alcance.

19. Imigrante não é um palavrão. Entre 1800 e 1930, não menos que 1.5 milhão de suecos tornaram-se imigrantes na America do Norte. É tudo uma questão conjuntural. Quantos portugueses, italianos, espanhóis, ingleses, não acolhemos no Brasil? Ainda mais num mundo globalizado como esse, somos todos, cidadãos do mundo!

20. O mais importante de tudo... NUNCA, mas NUNCA mesmo se sinta inferior aos nativos do país. Você está lá por uma contingência da vida, não está lá pra se aproveitar do país deles. Está se sentindo discriminado, procure um órgão que defende o imigrante, que existe em quase todo luga... denuncie... a discriminação é velada? ignore, despreze... quando eu acho que alguém (geralmente os mais velhos) pode estar olhando pra mim com alguma discriminação sempre penso "coitado, nem imagina tudo de bom que eu tenho no meu país"... e lembre sempre que você tem um enorme valor e pode trazer grandes contribuições para o seu novo país. Lembre sempre que a França nunca teria sido campeão do mundo, se não fosse Zidane, que tem origem na Argélia.

E viva as diferenças!!!!


Blog: Síndrome de Estocolmo