11 de out de 2004

Ensaio da Tristeza

Pensando sobre aqueles que conheço realmente e virtualmente que trocaram de país, e sobre aqueles que na terrinha ficaram, é um pouco evidente como o exercício da felicidade em gringolândia merece mais atenção e esforço. Todo mundo sabe que não é fácil adaptar-se, ainda, muita gente põe os pés dos lados de cá com uma expectativa cor-de-rosa: se no Brasil há tantos problemas, primeiro mundo deve ser primeiro mundo justamente pela ausência de problemas.

Não é bem assim, e nem uma questão de problemas. Acho que a maioria das pessoas que vejo pelos lados de cá com maiores dificuldades na adaptação são aquelas que resistem em se desgarrar de tudo aquilo que foi referência durante a vida, muitos pré-julgamentos que carregam sobre o que é bom e o que é ruim.

É fácil entrar no esquema da reclamação: que se perde muito tempo com afazeres domésticos porque a ajuda é cara, que as pessoas não são muito receptivas, que eu faço unha e depilação eu mesma, que o povo é muito quadradinho, certinho, que eu, tendo grau universitário e pós devo ser tratada como "nata" e não como imigrante, que eu, que eu, que eu...

Ao meu ver, isso é somente o choque cultural e é muito fácil começar o esquema comparativo, que no Brasil é tudo muito melhor, porque aqui eu sou só uma imigrante. Ora, vejamos, sim, isso é fato, eu sou imigrante. E nessa palavra, ao meu ver, não há conotação pejorativa, se há na cabeça do interlocutor são outros quinhentos. Mas é por isso que muito expatriado acaba entrando no mode auto-loa, achando que tem muito mais qualidades do que as pessoas que o cercam, e ainda porque eles não sabem de todas as regalias das quais abdicou naquele país simplesmente fantástico para estar aqui. Fácil pensar assim e muita gente cai nessa cilada.

Difícil é enxergar o bom. Difícil é pensar que gringo, quando imigra para o nosso país, também passa pelas mesmas mazelas somente porque ele também tem suas qualidades e suas vantagens no seu país. Difícil é afastar aquela caixinha que não vemos, mas que está ali a delimitar a maneira como enxergamos as coisas. Difícil é ver além, dos lados, pelos lados. Difícil é buscar a felicidade.

Mas, vejo sim muita gente assim, com o espírito aberto, com a vontade de experimentar, de trocar, de tentar. E eu admiro muito essas pessoas, aprendo com elas sobre aquilo que me falta para ter o que tanto quero, a tal felicidade, busco nelas a vontade e o apoio quando esses me falham e tento aprender como lidar com o que sinto quando a saudade aperta.

Das tristes, eu também aprendo:

- que eu não quero tristeza pra mim,
- que eu preciso abrir minha cabecinha porque se não fizer, ficarei sucumbida à minha tristeza
- que no meu país as coisas não são melhores, são apenas diferentes, ou seja, que a comparação, na maioria das vezes, é pró-Brasil e anti-terra estrangeira, e isso é uma das piores ciladas
- que eu preciso ser humilde. Achar que sou melhor do que aqueles que me circundam porque eu tenho/tive isso ou aquilo no Brasil só me levará ao isolamento
- que ter bom humor para olhar para as próprias desgraças é fundamental para que eu não fique amarrada às mazelas
- que eu posso aprender, mesmo com aquilo ou aquelas pessoas que são o oposto do que quero para mim. Mesmo as tristes

Final das contas, acho que se aprende tanto dos diferentes quanto dos mais similares. O xis da questão está em querer aprender.


Blog: Duralex Sedilex

3 de out de 2004

Gente.... esse aqui tem ralo!!!


(da Série: crônicas de montreal - escrito em 26 de junho de 2003)

Epopéia de uma banheira

Para começar esta coletânea de crônicas, nada melhor que uma história antiga, que aconteceu em junho do ano passado, quando estava preparando-me para mudar de casa. A crônica na verdade é uma parte de um e-mail que enviei a um amigo que me tinha confiado as chaves de sua casa. Pois bem, dizia eu:

"...agora se prepara aí que te vou contar uma história... ou melhor, uma epopéia...

Faz uns dois meses a R. tentou limpar a banheira com um produto químico. Só que ela não leu a embalagem e deixou o negócio lá muito tempo, o que acabou manchando um pouco. Nada grave, só umas raias cinza clarinho...

Enfim... Tentamos de tudo pra limpar (até aquele CLR que passa na televisão - êta sociedade de propaganda) e nada. Já haviamos desistido de limpar completamente, embora tenhamos dado uma boa melhorada e estava tudo quase como antes.

Só que essa semana a banheira começa a entupir... No começo devagarinho até que parou completamente! Tentei catucar com um arame, e nada... Aí fui na RONA pra comprar um desentupidor (que eu aprendi que diz bouchon em francês e em inglês... bom, em inglês esqueci).

Mas voltando à história, lá chegando aceitei a sugestão de um vendedor que disse que para banheira "o bom mesmo" era um produto químico... Um ácido, você bota lá e o negócio detona tudo! Eu caí nessa e comprei o tal produto.

Ao chegar em casa, leio as instruções que dizem para colocar um copo do negócio, esperar cinco minutos e deixar a água correr por 15 minutos... Coloco o produto no ralo e escuto um barulho de coisa queimando! Aí a sujeira começa a voltar... Até aí tudo bem, pensei... Saí um pouco do banheiro pra não ficar respirando aquilo e quando volto... um verdadeiro filme de terror...

Lembra das manchas que eu tinha te falado antes. Pois é, o vapor do ácido entrou em reação com o que tinha do outro produto encrustado na banheira e queimou tudo. A banheira inteira estava marrom escuro. Tentei esfregar com a parte rugosa de uma esponja e nada do troço nem ameaçar limpar.

Nesse momento comecei a fazer as contas... $600 uma banheira nova, $400 pra eles instalarem, $200 de hotel pros novos moradores daqui até a banheira ser instalada... Enfim, na minha cabeça já se iam uns $1500 dólares escorrendo pelo ralo (e olha que o ralo continuava entupido)!

Aí chamo a R. e voltamos no Rona pra ver o que podemos fazer... A cabeça tentava se consolar: "eles vão ter um outro produto que vai limpar" ou "vai existir uma tinta de banheira pra gente pôr por cima", mas o bolso, mais realista, já sentia os golpes (quase mortais, na situação em que estamos, de bolsa pra atrasar - a minha não depositaram até agora).

Chegamos na RONA às 18:10 e pra melhorar tudo, eles fecham às 18 nas quartas...

Voltamos pra casa. Na volta, compramos uns "scrubbers" (uma esponja sem a esponja - só com aquele outro lado que a gente usa pra "ariar" panela na falta de bombril) com lugar pra segurar e facilitar a "esfregação"... Compramos também uns óculos (Speedo) de mergulho, pra tentar nos proteger dos vapores...

Pra te falar a verdade, nessa hora não tinha mais muita esperança... Já via o dinheirinho escorrendo pelo ralo (puto ralo, pro dinheiro ele NUNCA entope). Chegamos, esfregamos um pouco e nada... Eu desisto e vou buscar na internet quanto custa uma banheira nova, quase a ponto de sentar no chão e chorar sobre o leite, digo, o ácido derramado. A R. muda, acuada num canto...

Daqui a pouco escuto a R. gritando do banheiro... Vou ver e ela descobriu que com sabão Ariel e muita esfregação o marrom parecia que ia embora e começava a embranquecer (ela já havia tentado sabonete, shampoo, e sabe Deus o que mais). Eu assumo o comando do "scrubber" e não é que o sabão funciona
mesmo! Você tem que esfregar cada centímetro como se daquilo dependesse a sua vida, mas, depois de mais ou menos uns vinte segundos de trabalho, o negócio realmente esbranquecia!

Obviamente a R. já pensou em como ganhar dinheiro em cima disso: vendendo uma nova idéia publicitária para a Ariel. Começo da propaganda: imagem de uma banheira toda manchada e caras de terror. Aparece o Ariel. Umas leves esfregadas (obviamente, na propaganda, a gente não vai botar um cidadão de cueca, óculos de mergulho e camisa na cara...) e tchamn-tchamn a banheira branquinha de novo!

Bom, mas voltando a odisséia... Não, não acabou... Quando estamos todos felizes achando que com mais uma hora de esfregação o negócio vai estar limpo (na verdade, mais limpo que antes: um produto cancelou o outro e o sabão lavou os dois) ouvimos a campainha... Eu pensei, era só o que faltava...

Eu me tranco no banheiro e a R. vai atender. A casa uma bagunça com os preparativos da mudança. Era a vizinha de baixo perguntando se a gente estava tendo problemas com o banheiro, que na casa dela havia água escura inundando o banheiro desde o teto...

Nessa hora pensei: Como dizia a madre superiora do colégio Cristo Rei lá de Marília: Puta que Pariu... Saímos do forno pro microondas... Agora não vamos ter que pagar a banheira mas temos que pagar alguém pra quebrar a parede e ver onde o ácido queimou o cano!

Durante toda a conversa, eu trancado no banheiro, a R. na porta e a vizinha tentando ver o que estar acontecendo pelo fresta da porta. Essa mulher deve ter pensado que haviamos matado alguém e estávamos tentando nos livrar do corpo em pequenos pedaços pela privada... Era a única explicação plausível.

Dizemos que vamos falar com o admnistrador em breve, pra ganhar algum tempo. Minha idéia é limpar a banheira antes de que o cara venha, pra não sermos responsabilizados por ter posto produto químico nenhum... O problema é que falta ainda metade da banheira...

Meus braços nunca trabalharam tanto em tão pouco tempo... Houve um momento em que eu estava como o pintinho daquela piada antiga, aquele que fumou um cachimbão de maconha: "não estou sentindo nada...". Não sentia os braços, não sentia as pernas, não sentia nada...

Finalmente acabei, depois de uns cinquenta minutos e mais uma visita da vizinha. Nas suas palavras agora existe um rio... Eu fiquei cá, a cabeça torcendo que fosse aqueles riozinhos que secam durante oito meses ao ano da minha saudosa Paraíba, enquanto o bolso (fdp) só conseguia falar de Amazonas, Nilo e, na melhor das hípótese, São Francisco!

Enfim... chamamos o administrador. No caminho passamos na vizinha e vamos ver o tal rio... Na verdade, meia tigelinha de uma água marrom clarinho! Se o alívio não tivesse sido maior que a raiva, juro que diria umas tantas coisas. Mas, verdadeiramente, a alegria de ver que o Amazonas não passava de umas gotinhas foi superior! (Em tempo, esta água provavelmente havia escorrido do chão do banheiro, que estava todo molhado, ou seja, não tinha nada que ver com o meu ácido ou nada).

Finalmente, vem o administrador, que deve ter visto a banheira mais limpa da vida dele! Catuca e catuca o ralo e, finalmente, nos pergunta se poderíamos, por favor, ficar sem a banheira até o dia da mudança... A esta altura do campeonato já era melhor pra gente mesmo, do que ter um encanador em casa, fazendo mais sujeira do que aque já temos que limpar...

Bom, mas tudo isso pra dizer que ontem fomos tomar banho na tua casa... "


Blog: Comédias da Vida Gelada
Era uma vez... uma máquina de lavar roupas...

Eu não posso falar sobre como está sendo a minha vida aqui em Cracóvia sem antes contar uma história que se confunde um pouco com a minha, aqui na Polônia: a história da máquina de lavar roupas. Quando eu morava no Brasil, eu tinha uma máquina de lavar que eu gostava muito, apesar dela de vez em quando resolver sambar e passear pela minha área de serviço. Ao mudar para a Polônia fui viver num apart hotel e lá eu não tinha uma máquina só para mim. Eu tinha que mandar tudo para a lavanderia e pagar por isso os olhos da cara. O tempo passou e eu descobri que havia uma máquina de lavar roupas no apart e que poderia ser usada pelos moradores. Uma máquina turbinada, modernérrima, que lavava, secava e quase passava de tão boa que era. No início foi até difícil usá-la, mas o Valone e a Roberta conseguiram decifrar o manual e daí ficou uma pouco mais fácil. O problema é que todas as esposas do apart também descobriram e usar a tal máquina era quase um parto. Sem contar que havia ainda algumas esposas mal-amadas que arrancavam a nossa roupa ainda molhada da máquina e as jogavam no chão para poder colocar as delas. Mas pula esta parte, senão a história vai ficar muito grande... Durante os três meses que eu morei no apart, meu maior sonho era ter uma máquina só para mim. Chegava a imaginar a minha máquina no meu banheiro (sim, aqui as máquinas ficam no banheiro) e eu colocando as roupas dentro com toda a calma do mundo e depois as pegando cheirozinhas, sequinhas... Até que eu mudei para o apartamento da Wielicka e lá eu tinha uma máquina só para mim, mas não era aquela do apart, mas tudo bem, era melhor do que nada. Eu lavava as minhas roupas quando eu queria, colocava no varal, demora um século para secar, mas pelo menos eu tinha uma máquina no meu banheiro. Só que como todo mundo sabe, no último fim de semana, eu me mudei para Cracóvia. E todo mundo sabe também que eu estou adorando o novo apartamento que tem, como eu já falei, vista para o Castelo de Wawel. Mas o melhor de tudo mesmo é que agora eu tenho uma máquina de lavar roupas igualzinha àquela do apart só para mim. Vocês não imaginam a minha felicidade. Eu coloco as roupas quando eu quero e ela lava, seca e eu tiro quando eu quero pois não tem ninguém esperando para usar. Não é uma maravilha? Tudo bem, pode ser que alguém ache a minha história ridícula, mas eu não estou nem aí, pois agora eu tenho uma máquina de lavar turbinada, modernérrima, no meu banheiro, só para mim e isso é um detalhe que faz a maior diferença. Agora deixa eu ir lá, pois vou colocar mais umas roupinhas na máquina de lavar. rs... Beijinhos para todos!


Blog: Pierogi Brasileiro
peh na estrada e estrada no coracao

a cada nova mudanca aprendo um pouco mais sobre mim mesma e sobre as pessoas em geral. acho que meu vicio por coisas novas vem da necessidade de novos desafios e encontros mesmo. melhor assim, estou no lugar certo.

jah disse outras vezes que nao troco minha vida por nada, nao eh? mas nao comecem a ter inveja pois nem soh de plumas, paetes e novos destinos se faz uma boa vida. se eu nao tivesse ao meu lado uma pessoa maravilhosa tenho certeza de que nada disto valeria a pena. as pedras no caminho sao muitas e muito dificeis, novas a cada nova mudanca. tenho que ter um jogo de cintura e uma capacidade de adaptacao que estao acima de qualquer medida.

para os candidatos a colocar o peh na estrada um conselho, nao, um aviso : pensem bem antes, avaliem os riscos e o que voces estao procurando pois a caminhada eh dura. no meu caso vale a pena, mas isto eh especificamente no meu caso. jah tive oportunidade de encontrar com varias pessoas que nao encontraram a felicidade tendo um tipo de vida mambembe e estao tentando sair desta a qualquer preco. como tudo, tudinho nesta vida, cada um tem que buscar seu caminho. agora, se voce sente que eh este seu destino, nao deixe passar a menor oportunidade, eu nao deixaria.

aqui em dubai me descobri novamente. sinto-me diferente e, ao mesmo tempo, a mesma pessoa. o sol, o mundo arabe, alguns amigos, tudo isto tem tornado minha chegada neste lugar desconhecido um tanto... conhecida!

nossa mudanca chegarah apenas no final do mes, entao, ateh lah, estarei vindo algumas vezes aqui neste cafeh internet (este eh bem perfumadinho) para mandar noticias. ateh jah.


recorde mundial

a megalomania dos governantes deste emirado eh incrivel, e eles adoram quebrar recordes mundiais : a mais longa passarela suspensa, a maior bandeira, o maior predio (esta sendo contruido pela segunda vez, parece que na primeira tentaiva ele caiu), as maiores ilhas artificiais, o maior aeroporto... e assim vai.

os campos de obra sao imensos e interminaveis, eh realmente impressionante ver o movimento desta cidade. por isto nem me assusto mais quando abro o jornal na sessao de empregos e vejo mais da metade do espaco ocupada com ofertas para engenheiros (a outra metade tem ofertas para camareiros, garcons e recepcionistas em hoteis). estou no paraiso dos engenheiros e arquitetos, incluindo os arquitetos de interiores, pois eles adoram pensar os ambientes com tematicas diferentes.

aqui estah o hotel 7 estrelas em forma de vela de barco, um outro hotel em forma de onda, um shopping sob piramides e decoracao egipcia, um outro que imita veneza e os modernissimos predios de escritorios em volta da "creek".

dubai nao eh uma cidade que encanta aa primeira vista, mas impressiona.

o que dizer de uma cidade que tem o "the palm", ilhas contruidas em forma de um grande coqueiro no meio do oceano (mas perto da praia), a maior contrucao de ilhas jah feita pelo homem e que pode ser vista do espaco? e que estah contruindo mais de 50 ilhas artificiais, cobrindo 300 hectares de terras e que, vistas do ceu, terao a forma do mapa mundial? pois eh. todos nos podemos comprar uma pequena porcao deste paraiso que estah surgindo, neste pedaco do mundo que comeca a aparecer para o mundo aih fora. por uma pequena fortuna voce tambem pode ser vizinho de um sheik milionario qualquer ou de beckam, se voce tiver um pouco mais de sorte.

a primeira vista tudo isto parece estranho. mas o que disseram dos franceses quando comecaram a construir o castelo de versailles ou dos americanos com o empire state? o oriente medio estah construindo sua historia e nos temos a oportunidade de estar aqui fazendo parte dela.


Blog: Mambembe

24 de set de 2004

Dicas pra sobreviver fora do Brasil!


Esse post, eu escrevi ha' varios alguns meses la' no blog e as reacoes foram super interessantes. Muita gente me escreveu dizendo que tem tido uma postura muito negativa e que esse post ajudou a ver as coisas de outra forma. Por isso, resolvi reproduzir (e adaptar um pouquinho) aqui:

(...)

Viver fora do seu pais nao e tao facil. Mas eu acho que é muito importante ter não somente uma visão positiva, mas mesmo uma postura positiva, pra ser feliz.

Fiquei pensando no que eu diria pra alguém que mudou pra outro país, ou está pretendendo mudar, para que possa ser mais feliz. Acabou ficando uma lista muito grande, mas você pode ir lendo aos poucos, uma coisinha por dia... ah, e acrescente outras nos repliess, OK? lembrando sempre que essa é a minha perspectiva e não quer dizer que todo mundo deve seguir ou concordar comigo!

1. Não esqueça nunca de onde você veio, sua pátria fez de você o que você é, mas deixe isso guardadinho em algum lugar no seu coração, não fique falando ou pensando nisso o tempo todo e comparando os dois países. Agora você está começando vida nova e deve isso a você e à(s) pessoa(s) que está(ão) lhe acompanhando nessa jornada.

2. Em ambos países você vai encontrar coisas boas e ruins, a diferença é que estamos sempre mais acostumadas com as coisas ruins de onde viemos. Existe coisa pior que ver crianças nas ruas passando fome, pedindo dinheiro, cheirando cola? quem diria que alguém pode se acostumar com isso? mas nos acostumamos, não é?

3. Tente esquecer os estereótipos. Esses são apenas caricaturas, e estamos convivendo com pessoas reais. Nem sempre brasileiros são tão amigáveis e nem sempre os "gringos" são tão "frios". Gosto de lembrar uma festa que eu fui na Suécia há vários anos atrás. Aniversário de 70 anos (imagine), achei que ia ser um tédio mortal, mas nunca fui tão bem tratada e me diverti muito. Literalmente TODAS as pessoas da festa vieram falar comigo, se apresentaram, perguntaram sobre mim, foram extremamente gentis, pessoas de todas as idades. Cerca de um mês depois fui a uma festa, em São Paulo, na casa do meu irmão. Uma turma descolada, do "mangue beat" pernambucano em Sampa. Praticamente ninguém falou comigo. Não conhecia ninguém e ninguém fez questäo de se apresentar. Portanto, tudo é relativo.

4. Outro estereótipo que eu detesto é que só brasileiro sabe se divertir, que a vida aqui é monótona, que os shows não tem emoção. Já comentei aqui no blog um show que fui do Blur, banda pop britânica, que eu adoro. O show foi o melhor da minha vida. Todo mundo se divertiu muito, dançou horrores, gritou, se emocionou. Com uma diferença, não tinha bebida. Acabou o show, todos sairam ordeiros pras suas festas pós-show ou pra casa. Ninguém quebrou os pontos de ônibus ou fez bagunça nas ruas. Adoro isso! Talvez você não esteja tendo oportunidade, ainda, pra se divertir mas isso não significa que os "locais" estão tendo uma vidinha tão insípida assim!

5. Quando se quer falar que as pessoas da Europa são frias, se diz que eles entram no metrô e enfiam o livro na cara, não olham, nem falam com ninguém. Bem, pelo menos em Recife, não vejo ninguém puxando conversa em ônibus e quando fazem isso as pessoas já ficam com medo, pensando que é um assalto. Não vamos ter expectativas exageradas do povo daqui, né?

6. Que tal porcurar o lado positivo das pessoas do local? aqui eles são honestos, ordeiros, organizados... isso tudo pode ser bom... são "sovinas", "neutros ao extremo", "arrogantes"... então vamos tentar achar isso engraçado?? enfim, aprender a conviver com o que a gente tem, pode ser a regra de ouro da felicidade!

7. Não adianta reclamar do clima. Tá frio? tem que se agasalhar. Aqui, na Suécia, se diz que "não existe frio, mas gente mal agasalhada", Ok, é um certo exagero, aqui tem frio e muito. Mas, não há nada que se possa fazer em relação a isso, é o que digo sempre à Bia. Entäo, vamos tentar ver o lado positivo... você não vai ficar toda suada, pode usar uma linda maquiagem que não derrete e dura a noite toda, as roupas são lindas, a gente fica mais elegante. E o que eu adoro... diminui a ditadura do corpo perfeiro, ninguém tá vendo tudo mesmo, fica todo mundo mais ou menos na mesma "posição". Ah e eu adoro abusar de luvas e cachecóis lindinhos (e baratos!).

8. Quando sair de casa, olhe a cidade com olhos de turista, pense "gente, quantas pessoas não adorariam estar vendo essa cena, hoje, e eu estou aqui?" estou sempre descobrindo novas facetas da cidade, novas caras. Pego o metrô e me delicio vendo Gamla Stan, TODAS as vezes que passo por ela... estar num lugar lindo é um privilégio que, às vezes, a gente esquece. Eu já fazia isso em Olinda,
quando ia entrando na cidade eu pensava "e os gringos pagam uma nota pra ver minha cidade, que é tão linda e eu tenho de graça, todo dia!".

9. Valorizar essas pequenas coisas do lugar em que você vive é fundamental. Você não gosta da comida? sempre tem UMA coisinha pelo menos que você vai gostar. Ai, se delicie com ela, ao invés de ficar procurando feijão e goiabada nas lojas especiais. Não tenho quase nenhuma saudade da comida do Brasil. Esqueço que ela existe, por que não é mais uma opção pra mim e não dá pra se viver de ar, nem de nostalgia. Adoro kokosbola, adoro as verdurinhas congeladas, adoro cuscuz marroquino, amo iogurte de blueberry... queijo de coalho?? o que é isso?

10. Não deixe a saudade acabar com você. Mais uma vez, lembre-se que foi sua OPÇÃO... essa é a palavra chave. As pessoas que ficaram no Brasil e lhe amam querem ver você bem. Seja feliz e deixa a saudade, também, guardadinha lá no fundo do coração.

11. Evite viver em guetos. É muito legal encontrar brasileiros, trocar idéias (mas evite ficar só falando mal do país e das suas saudades do Brasil!), ouvir nossa música juntos, mas não se restrinja a isso. Tente estabelecer contatos com pessoas nativas do país e outros migrantes. Absorva novas culturas, isso é refrescante, revitalizante. Saber que existem culturas diferentes da sua e respeitá-las é o primeiro passo para a tolerância.

12. Aprenda o idioma local. Mas "take your time", faça-o quando você se decidir (também não vale esperar mais de um ano pra começar!), se puder se virar em outro idioma. É fundamental aprender o idioma, mas é melhor se você estiver com a mente aberta, e às vezes é necessário um tempo para adaptação.

13. Pense que, pelo menos no começo, você é um(a) turista com mais tempo pra conhecer a cidade... vá visitando tosos os museus, mas agora com muito mais tempo, um por dia, vá conhecendo todos os pontos turísticos, a cidade tem muito a oferecer e você tem tempo... e lembre que, muitas vezes isso pode custar pouco ou quase nada.

14. Não se deixe contaminar pelo mal humor de outras pessoas. Evite as longas conversas do tipo "eu odeio esse país por que...". Desmonte seu parceiro de papo mostrando tudo de bom que você encontrou aqui.

15. Lembre que você não está sozinha e seu mau humor vai contaminar os outros. A maioria de nós, pelo que percebi nos blogs, veio parar aqui por AMOR. Viemos por que quisemos, eles (ou elas) podiam ter mudado pro Brasil, mas, nesse momento, decidimos que a melhor opção é viver fora do Brasil. Então, respeite a pessoa que você ama, respeite sua cultura, suas tradições, seu país. Evite conflitos do tipo "se eu estivesse no Brasil seria diferente". Pode ser um atalho pro amor ir embora. Ah, e exija respeito com o Brasil também!

16. Use e abuse da Internet. Não apenas para matar as saudades do Brasil, saber notícias de lá, se comunicar com sua família... mas também para ir descobrindo sua nova pátria, visitando os sites de turismo da sua nova cidade, descobrindo o que tem para oferecer. Visite o site do Governo local, veja quais os direitos e deveres que você tem, como imigrante, conheça mais da cultura local.

17. Faça seu blog. Eles são uma delícia, você encontra grandes amigos e compartilha com outras pessoas as suas experiências.

18. Nossa música é a melhor do mundo, certo? sem dúvida, mas não custa experimentar novos tons. A palavra mágica para um imigrante é EXPERIMENTAR. De tudo, música, dança, comida, bebidas, tudo que estiver ao seu alcance.

19. Imigrante não é um palavrão. Entre 1800 e 1930, não menos que 1.5 milhão de suecos tornaram-se imigrantes na America do Norte. É tudo uma questão conjuntural. Quantos portugueses, italianos, espanhóis, ingleses, não acolhemos no Brasil? Ainda mais num mundo globalizado como esse, somos todos, cidadãos do mundo!

20. O mais importante de tudo... NUNCA, mas NUNCA mesmo se sinta inferior aos nativos do país. Você está lá por uma contingência da vida, não está lá pra se aproveitar do país deles. Está se sentindo discriminado, procure um órgão que defende o imigrante, que existe em quase todo luga... denuncie... a discriminação é velada? ignore, despreze... quando eu acho que alguém (geralmente os mais velhos) pode estar olhando pra mim com alguma discriminação sempre penso "coitado, nem imagina tudo de bom que eu tenho no meu país"... e lembre sempre que você tem um enorme valor e pode trazer grandes contribuições para o seu novo país. Lembre sempre que a França nunca teria sido campeão do mundo, se não fosse Zidane, que tem origem na Argélia.

E viva as diferenças!!!!


Blog: Síndrome de Estocolmo
Pessoas de gosto duvidoso como o meu deveriam ser proibidas de sair de casa quanto estão com preguiça. Fui comprar pão e levei muitos olhares de repreensão. E olha que o forte dos belgas passa longe do senso estilistico.

Resolvi me matricular no ultimo nivel da escola de holandês que frequentava antes. Meu curso de holandês normalmente termina no final desse mês, mas eu não queria perder o contato com professoras de holandês (pra tirar duvida nas horas de aperto) e também não queria perder a oportunidade de conhecer outros estrangeiros, o que eu considero a experiencia mais valiosa quando você frequenta aulas desse tipo.

Somos em quatro: uma freira encapuzada da Martinica, um senhor que tem cara de caminhão de japonês, mas eu acho que deve ser de algum país com final "ão", uma congolesa OTEMA e eu, claro. Falo que a congolesa é otima porque a freira e o homem são chatinhos. Não, não é só uma questão de referencial. A congolesa é realmente muito simpatica e engraçada.

E por falar nela, a coitada tomou um susto quando me perguntou de onde eu era: "o que? Brasil ? Mas você é tão branquinha!" Eu ri, claro, e complementei dizendo que a minha bela cor azul é resultado dos escassos raios solares que atingem esse planeta chamado Bélgica.

Pois que eu perguntei pra moçoila o que ela tinha pensado antes em relação a minha nacionalidade. Senti que ela ficou sem graça e acabou soltando um "russa". Mas eu sei que ela pensou que eu fosse de algum país arabe, mas por razões obvias preferiu "não me deixar chateada com a opinião". Claro que eu não ficaria chateada e essa nem seria a primeira vez. Na verdade, eu morro de curiosidade pra saber o que os belgas pensam quando me veem. Sera que eles concluem a mesma coisa? Eu não me acho com cara de nada, mas se eu tivesse que chegar a alguma conclusão, chutaria algo do tipo por conta dos meus zolhão.

Por que não inventaram ainda uma gravador de pensamentos? Dirigi da padaria até aqui pensando em milhares de coisas diferentes, encadeando um pensamento atrás do outro numa linha mais ou menos lógica. Chegando na frente do computador, fica dificil de relatar. Imagina que maravilha se pudessemos enfiar o dedo na narina esquerda e imprimir numa tira de papel de um centimetro as palavras-chave dos ultimos dez minutos de pensamento? Ou na narina direita e imprimir a ultima meia hora? Como diz mamãe, o homem vai a lua, mas não sabe ainda como comer uma manga sem se lambuzar... puff

Agora nessas aulas de holandês (que acontecem só uma vez por semana) estamos aprendendo um pouquinho de dialeto. Tsc tsc tsc.. Um exemplo :
Ik zou (eu gostaria) - holandês padrão
Em dialeto: k'sum.
Hummm... Então tá bom! Depois eles não entendem porque muitos estrangeiros não querem aprender uma língua que no dia a dia eles não tem como usar. Lembrando: você aprende holandês padrão na escola, mas na rua todos falam dialeto. E a cada 25km, o dialeto muda.

O Daan voltou da Grécia e me trouxe uma pasta de azeitona. Ah, que coisa maravilhosa! Também me trouxe sabonete de oliva, azeite e melancia. Acreditem! Ele trouxe uma melancia...hohoho. E digo pra vocês: essa é a primeira melancia que como aqui que tem gosto de melancia.

Coisas que me deixam feliz :
- lençóis de algodão limpinhos e cheirosos
- melancia geladinha
- sabonete. Adoro sabonete!
- Salada de alface, tomate, cenoura raladinha com muito azeite de oliva.

Então vocês já sabem que meu humor melhorou bastante nos ultimos dias.
E tenho dito!


Blog: Cala-te boca!
Meditaçao

Voce pode chamar de meditaçao o que bem entender, eu nao ligo.
Aqui nessa casa meditaçao eh sentar na varanda, com o rosto bem na direcao do sol, fechar os olhos e pensar que estamos na Praia do Flamengo. A areia amarelinha sob os pes, o ceu bem azul, o mar calminho de manha.

A gente tambem fica narrando um pro outro o que esta acontecendo ao redor:
- Olha la o pescador vem vindo com um vermelho enorme, e um polvo na outra mao.
- Vamos na agua? Quero aproveitar que a mare esta vazia e tomar banho nas piscinas naturais.
- Ah, mas eu tenho que terminar a minha agua de coco primeiro.
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Ou entao... Inverno comendo solto la fora, a gente acorda e pergunta ao outro:
- A que praia voce quer ir hoje?
- Ah, nao sei. Alguma coisa perto. Tem muito transito no caminho de Praia do Forte.
- Ta bom. Mas eu quero almoçar la no Yemanja depois da praia.
- Hum-hum. Vou ligar pra ver se minha mae quer ir com a gente.

Nao tem meditaçao melhor que essa nao, meu senhor.
Pode chamar todo mundo aqui de doido. Nos somos doidos sim... doidos de saudade.


Blog: Baianices

26 de mai de 2004

Dose para Leão

Fui contratada para trabalhar no posto de gasolina. É um posto completo, parada de caminhões, com restaurante, lanchonete, pizzaria e venda de artigos de primeira necessidade. Fica aberto vinte quatro horas. Bem na esquina das avenidas 62 com 126, do lado da agência do correio. Do outro lado, tem o Mc Donald’s e o banco "People"s . Na frente, a lavanderia e uma das oficinas mecânicas. É na avenida 62 que o xerife fica de tucaia para pegar os que excedem as 45 milhas. Tem vez que ele se esconde no posto, no meio dos caminhões que estão estacionados, o salafrário. Tudo isto, a três quilômetros de nossa casa.

Nem foi entrevistada. Cheguei, solicitei o formulário de pedido de emprego, preenchi e devolvi. Nem saí da loja e o gerente veio lá dos fundos para me conhecer e me dizer onde eu devia ir para os exames médicos e quando eu poderia começar. Salário? Eu me esqueci de perguntar qual era. Telefonei depois e fiquei sabendo. Tudo bem.

Tive que aprender a funcionar o caixa, as mil maquininhas de cartão de crédito, de débito, cartão de cliente que tem conta tipo 'pendura aí que depois eu pago', mais os cartões dos motoristas de caminhões e os cartões que devem funcionar nas bombas de combustíveis, mais aquela pingolinha enjoada que não passa de um chaveiro e que deve funcionar como um cartão mas sempre dá encrenca e mais e mais... Tudo bem.

Tive que aprender a preparar as pizzas do jeito deles, com as medidas certas, o número correto de fatias de presunto, a canequinha certa de molho, a temperatura correta do forno e o tempo exato de assar. Tudo bem.

Tive que varrer chão, limpar prateleiras, varrer estacionamento, levar o lixo para o container lá fora, destravar a merda do maquinário do lava-jato, preparar o sabão pro lava-jato, limpar, lavar, esfregar, de chão da loja a panelas na cozinha. Tudo bem.

Tive que lavar banheiros…misericórdia!…isto foi dose! O das mulheres não era tão miserável mas, o dos homens! Não vou entrar em detalhes porque é nojento demais. Mas, a gente bota dois pares de luvas e seja o que Deus quiser.

Tive que fazer lista de pedidos de compras, desempacotar as compras na chegada e colocá-las nas prateleiras, arrumar o frigorífico, guardar as caixas dos congelados nos freezers, fechar o caixa, organizar a papelada e calcular os números no final do meu expediente. E fazer café, desmontar a máquina de sorvete e lavar ela todinha, limpar as estufas dos salgados. Até aí, tudo bem, muito bem mesmo.

***

É verão e dos brabo! Eu, atrás do balcão, no caixa. Entra um homem de seus trinta e caquerada. Alto, loiro descabelado, branquelão. Vestido de bermudas de calça cortada, butinão esgarçado, camiseta branca imunda e suada. Ele vai ao banheiro. Na volta, passa pela máquina de café e se serve de um copão enorme. Acrescenta o creme e muito açúcar.

Quando estaciona na minha frente e põe o copo no balcão, eu vejo que as mãos dele estão absolutamente pretas de sujeira. Não era sujeira de óleo, terra, qualquer coisa reconhecível. Era craca mesmo, encardida nas linhas das palmas, era falta de água e sabão por uns doze dias meeeeesmo. A imundície ia até os cotovelos, mais ou menos.

- São um dólar e setenta centavos, digo.

Ele enfia a mão no bolso dianteiro, tira uma bola de notas amassadas e joga dois dólares no balcão. Nem dinheiro de pedinte da escadaria da igreja São José é tão mal tratado e embolado deste jeito.

Pego o dinheiro... está MOLHADO de SUOR!! "Ô.. meu bom Deus..." Os cabelos de meu cangote estão todinhos em pé, de tanto nojo. "O bolso da frente... suado deste jeito, a ponto de empapar o dinheiro... meeeeu Deus, tenho que lavar as mãos URGENTE... suor do saco do cara...ááiii que não vou conseguir despistar". Mas, tudo bem, despisto. Boto o dinheiro do lado de fora da gaveta para secar e devolvo o troco.

Quando olho de novo para ele, noto uma coisa estranha. O lábio inferior está estufado, muito estufado e tem uma coisa marrom aparecendo. É uma bolota de um treco marrom horrível, bem alí entre os dentes de baixo e o lábio.

Ele me diz alguma coisa que não entendo e peço para repetir.

- owf ...ar...omm...ountn...ommm...?
- Desculpa. Ainda não entendi. O senhor pode repetir, por favor?

Ele me faz um sinal de peraí com a mão preta, caminha até a porta, estica só a cara lá fora e dá uma cusparada de uns tres metros de distância, bem na frente da loja, bem lá no meio das pessoas que vinham entrando. Aquela coisa nojenta, parecendo bosta de gato, se espalha no estacionamento, junto com uma tinta marrom que deixa um rastro até o passeio.

Ainda estou com os olhos esbugalhados, tentando entender de que se trata, quando ele me pergunta, alto e claro "Qual a distância daqui até Mountain Home". A bolota do beiço tinha desaparecido. Mais tarde fico sabendo que era fumo de mascar.

Dou a informação e é a conta. Ao ouvir meu sotaque, ele arregala os olhos como se estivesse ouvindo uma marciana cantando em noite de lua cheia.

- De onde você é????? Você NÃO é daqui!!! De onde??
- Do Brasil. Respondo, já meio prevendo, como diria meu avô Gilberto, "lá vem bosta".
- Do Brazil? Verdade? É mesmo? Do "Brrezzill"?? Oh, meu Deus...

Continuo esperando...lá vem bosta, lá veem... Dito e feito:

- Imagine... deve ter sido um TREMENDO CHOQUE CULTURAL para você! Vir daquele lugarzinho tão pequeno para este primeiro mundo...Ohh, my! Tenho até pena de você, do TREMENDO CHOQUE CULTURAL que você deve estar passando por... E ele fica lá parado, esperando minha resposta...
- Próximo! Eu grito. Sorte minha que a fila estava grande.

Tudo bem-tudo bem, até certo ponto! Paciência tem limite!

Blog: NEGERIGELETSCHTEMPOIT

19 de mai de 2004

Peixe fora d'agua

"Quase toda a minha vida, eu fui uma estrangeira, condição que aceito por
não ter outra alternativa. Várias vezes vi-me obrigada a partir, rompendo
laços, deixando tudo para trás para recomeçar a vida em outro lugar".

(Isabel Allende, "Meu país reinventado")



Eu tinha encomendado esse livro e chegou agora há pouco na livraria da
editora onde trabalho. Fui lá buscar e, no caminho de volta para a minha
sala, vários pensamentos foram me passando pela cabeça.

É que ontem à noite eu reencontrei uma amiga carioca que eu não via há pelo
menos uns bons 4 ou 5 anos e de quem, na verdade, eu nunca fui muuuito
próxima. Sempre quis guardar contato porque das poucas vezes em que
conversamos nós falamos durante horas a fio. Ontem não foi diferente : nos
encontramos na saída do meu trabalho e fomos passear por Paris e jantar
crêpes. Das 7 da noite até às. 4 da manhã (!), a gente não parou de
conversar - e ficou ainda muito assunto pendente.

Um dos assuntos foi justamente a expansão de horizontes que acontece quando
se mora em outro país. Conhecer outras maneiras de vida, novos pontos de
vista, opiniões e práticas culturais até então desconhecidos é
enriquecedor - mas poderia ser apenas uma anedota para contar para os amigos
do antigo país. Tenho até hoje amigos no Brasil que não saem do
estereotipado « falaê, francês toma banho ou não toma, afinal ? », morrendo
de rir e se achando super por dentro dos hábitos franceses.

Claro, já é um primeiro passo ser capaz de ver que há uma diferença. Outra
coisa muito diferente é tentar entender essa diferença, não no contexto da
tua cultura mas sim inserida na cultura do outro. Franceses são rabugentos e
atendem mal no restaurante ? Sim e não. Para os parâmetros da cultura
brasileira, sim; no contexto cultural francês, não, eles estão sendo «
normais ».

Mas acho que o verdadeiro aprendizado quando moramos no exterior é
conhecermos nós mesmos. Primeiro, porque estar fora é trazer consigo, sem
perceber, todo o Brasil ; o que vai nos emocionar, o que vai nos dar
saudades, a maneira com que vamos começar a entender nosso novo país passa
pelo contexto cultural brasileiro. Mas, mais do que isso, para a maioria dos
estrangeiros nós incorporamos à primeira vista a imagem do "ser brasileiro";
transformamo-nos em uma caricatura, um estereótipo, não sou mais ' a
Flabb ', sou ' todas as brasileiras '. Na França os clichês falam de
futebol, mulatas inzoneiras sambando, bossa nova e cirurgia plástica ; devo
então decidir, a cada instante, se distancio-me ou se incorporo esses
clichês. Qualquer que seja a leitura da minha ' persona ' por estrangeiros,
o referencial passará sempre pelas informações que eles têm sobre meu país.
E, ao constatar a forma com que me vêem, é impossível eu não me questionar :
« sim, eu assisto jogos de futebol durante a Copa do Mundo, mas serei eu uma
brasileira típica ? O que fazer agora, reforço o estereótipo mostrando a
bandeira no peito, com orgulho, ou fujo totalmente e renego minhas raízes
culturais? ».

(Intermezzo - Nem tanto ao mar nem tanto à terra, Flabb, dir-me-ão vocês -
uia, estou cheia de mesóclises e afins, hoje. « Eu sou eu e pronto, não
tenho que agradar ninguém ». Ai meu jesuscristinho. Não estou falando de
mudar para se mostrar pra estrangeiro não. Estou falando da mudança na
percepção de auto-identidade de um brasileiro que vai morar fora - não, de
qualquer pessoa estrangeira, longe do seu país. Podemos continuar ?).

O segundo ponto desse processo de auto-conhecimento é algo que eu já tinha
pensado, mas não ligado ao fato de ser estrangeiro. Isso foi minha amiga que
disse ontem e achei interessantíssimo. Ela disse que, após viajar um mês
pela Europa e ter conhecido uma boa centena de pessoas de várias
nacionalidades, ela tinha aprendido muito sobre si mesma. A cada vez que
precisava se apresentar para alguém, ela percebia que não tinha mais os
referenciais que tinha no Rio - a linguagem não era mais a mesma. Uma frase
como ' Oi, eu sou a Fulana, prima do Sicrano, trabalho na empresa Mar do
Norte, moro em Copacabana, fiz a faculdade Diplomão ' só funciona se o
receptor, quem está ali do outro lado ouvindo, consegue decifrar ' o quê '
cada uma daquelas pistas quer dizer. Se você está se apresentando para um
polonês ou um marroquino, de quê adianta falar da faculdade Diplomão ? E aí
você tem que buscar outras coisas dentro de você, para se apresentar - e
percebe que não sabe bem como se definir de verdade.

Ver seu país de longe ; dar-se conta que seus hábitos, que eram até então a
norma de vida, podem ser considerados exóticos por outros ; ter que
pesquisar quem somos, de verdade, quando não podemos utilizar a muleta das
explicações fáceis ; construir uma identidade dentro de um novo ambiente,
posicionando-se em relação ao que pessoas que nunca me viram pensam de mim e
da minha nacionalidade ; tudo isso é um pouco como ser um passarinho que é
levado para o oceano (ou que resolve ir, ou que se apaixona por um peixe, ou
que está fugindo das águias) e precisa decidir se compra um escafandro e se
adapta, se ' voa ' por entre os corais mostrando com orgulho que é pássaro,
se continua reclamando que está difícil porque ' esses peixes são
esquisitos, respiram na água, eu hein ', e que principalmente precisa se
conhecer para poder dizer quem é indo além do ' eu morava no 3° galho à
esquerda da cerejeira. '

Em tempo: sou passarinho escafandrado e cumprimento feliz os peixinhos que
passam. Mas olho com um gosto pro céu azul...

Blog: Tonterias

16 de mai de 2004

AAAAHHHHHHHHH, CHEGUEI!!!!

Depois de 20h de viagem (Winnipeg - Toronto - São Paulo - Rio de Janeiro), estou de volta, pisando em solo tupiniquim.

Resolvi fazer um balanço das coisas boas e ruins que eu vivi e senti nesses últimos 6 meses. De vez em quando bate aquela sensação de tempo perdido e um certo desespero até, mas eu paro pra pensar em tudo que aprendi com essa experiência. E posso dizer com toda a certeza do mundo que valeu.

Aprendi que...

... morar em outro país, é uma experiência maravilhosa.
... meu inglês é uma porcaria.
... algumas daquelas pessoas que eu tanto considerei não se importam comigo.
... aquelas que nunca dei muita atenção, me consideram muito.
... tenho amigos de verdade e agora eu sei quem eles são.
... só se pode sair na neve se o sapato tiver solado de borracha.
... posso me virar bem sem a minha mãe por perto (mas não gostei não).
... tudo que eu achava que nunca ia fazer, nem é tão mal assim.
... a comida brasileira é indiscutivelmente maravilhosa.
... as guloseimas de lá são indiscutivelmente mais deliciosas.
... um monte de canadense acha que se fala espanhol no Brasil.
... mesmo com todos os problemas, o meu país é o melhor lugar para EU viver.
... lá eles escrevem o meu ANNA da forma correta sem eu ter que corrigir.
... morro de medo de patinar no gelo.
... morar com o Cris é ainda melhor do que eu podia imaginar.
... no Canadá não tem catupiry, guaraná nem farinha pra fazer farofa.
... só quem é maluco consegue viver num lugar onde 50% do ano a temperatura fica abaixo de zero.
... eu não devo bater muito bem da bola, pois escolhi logo a metade gelada.
... no Canadá, grande parte das pessoas são geladas como o clima.
... criando um blog a solidão é bastante amenizada.
... ter gatos é tão gostoso quanto ter cachorros.
... cuidar da minha própria casa é muito divertido.
... quero passar o resto da minha vida morando no meu país.
... eu não sou mais a mesma que antes.
... devo dar mais valor ainda para as coisas simples da vida.
... às vezes somos obrigados a amadurecer na marra e no final das contas, isso é muito bom.
... aprendi muito mais coisas que não consigo me recordar agora.
... ainda tenho muito o que aprender.

Agora, com licença que eu vou comer um camarão com catupiry...

Blog: ANNA PAULA Voce nao tem jeito mesmo

4 de mai de 2004

A Claudia mora na Finlandia (vao la' olhar no mapa!) e quando li este post lembrei do Rio e de Sao Paulo....

Estou super cansada, mas o ocorrido de agora eu fiquei com vontade de contar.

Fui visitar um casal de amigos ingleses, a Clare e o Matt, tava ótimo! O Matt fez um jantar delicioso, e ficamos naquelas conversas que vão engrenando uma na outra e não param nunca! Com mímicas, risadas e muito vinho.
Ficamos tão entretidos na conversa que eu esqueci dos horários dos ônibus (vocês sabem, não estou muito acostumada com essas coisas... Fico sempre achando que o Kadetinho preto ta na porta :). Dai fomos correndo olhar na internet se ainda tinha algum ônibus: o Matt disse - se vc sair correndo agora, entrar na Helsinginkatu e virar na segunda a direita voce pega o ultimo tram! (Os trams são uns negócios parecendo uns bondinhos só que com aparência hi-tech, depois eu acho uma foto.)

Ok! La fui eu em desparada!!! Quando cheguei no ponto esbaforida eu vi um tram e entrei. O motorista falou um troço em finlandes e eu com preguiça de explicar que não falava finlandes e blablabla, só fiz: Iô... iô... (é o "tá, tá" deles). De repente o tal do tram entra numa garagem cheia de outros trams e o motorista vai embora.
Desacreditei! Lá estava eu no ponto final dos trams, que eu não fazia a mínima idéia de onde era, pensando em como voltar pra casa. Pensei em pegar o celular e chamar um taxi, mas eu só tinha 5 euros em moedinhas na carteira. No mapinha que eu levo na bolsa, só tem a área central de Helsinki, não dava pra eu me achar nele... Sai andando, tentando usar o meu péssimo senso de direção.

Andei muito! Mas fui desfrutando... pensava no quanto era especial estar perdida, andando por ruas e lugares que eu nunca tinha passado antes, sem saber ao certo se estava no rumo, mas com a certeza de que nada de muito ruim poderia me acontecer. Andando e dobrando esquinas quase que aleatoriamente... por instinto, vontade ou curiosidade... não importava.
Num dado momento eu achei um ponto do tram 3B, ele só ia passar às 6:00hs da manhã, mas como eu sei que ele passa pelo centro, resolvi ir seguindo os trilhos. Passo acelerado prá me manter aquecida, entre o gorro e gola do casaco eu espiava os meus tênis pisando nos trilhos... andei mais um bom tempo assim... nem vi o que tinha ao meu redor, fiquei só seguindo os tais trilhos perdida num monte de pensamentos. Quando eu levantei o rosto, avistei um locker de bicicletas públicas! Ainda não tinha me dado conta de que elas poderiam me ajudar numa situação como essa! Catei uma moeda enfiei no locker e catei a bicicleta: UUUUHHHUUUU!!!
Foi muuito divertido! Eu tava meio altinha do vinho, e as vezes dava aquelas desequilibradas com a bicicleta que a gente faz um zig-zag, sabe? Maior aventura! A brincadeira de estar perdida ganhou outra velocidade! Agora o meu cabelo voava, num céu muito estranho que já queria clarear. As ruas vazias e eu querendo aproveitar prá tentar dar aqueles saltinhos na guia da calçada. Foi mesmo engraçado...
Logo eu me encontrei, larguei a bicicleta no locker mais perto aqui de casa e fiz o restinho a pé. Pronto. Cheguei.

Minhas bochechas estão congeladas e eu estou louca para esquentá-las no meu edredom fofinho!
Boa noite a todos.

Blog: devaneios no circulo polar
Voces sabiam que tem brasileiro até na Ucrania? Pois é, o Txai foi.


Qual a cor da sua alma?

Não sei a que raça pertenço (e por acaso algum brasileiro sabe?), nem nunca me importei com isso. Sei apenas que sou uma mistura de índio, branco e negro. Tenho olhos ligeiramente puxados, pele morena e cabelos lisos. Na minha última ida ao Brasil, fui a um almoço em família. Um de meus sobrinhos, que raramente me vê (sim, sou um tio relapso), apontou para mim e perguntou ao meu irmão (que, mesmo sendo meu irmão, é completamente branquelo):

- Pai, quem é aquele japonês?

Isso tudo vem a propósito de ser hoje o Dia Nacional da Consciência Negra. Sei que existe discriminação (mais social que racial) no Brasil, mas fico irritado quando leio declarações de pessoas que insistem em querer comparar a situação brasileira com a de outros países.

Alguns, até, afirmam que no Brasil o racismo é pior que o americano ou europeu, pois seria dissimulado.

Essas pessoas na verdade confundem discriminação racial com ódio racial. Ambas são manifestações vergonhosas da estupidez humana, mas a diferença entre elas é enorme.

Para quem quiser comparar, aí vão algumas experiências pelas quais já passei em minhas andanças por esse mundão de Deus. E que nunca me aconteceram, e creio que nunca me acontecerão, no Brasil.

Cena 1: Restaurante em Kiev. Estou tranquilamente sentado com um amigo e noto que um sujeito na mesa ao lado me olha de maneira agressiva. Não dou bola. Lá pelas tantas, o sujeito levanta, olha pra mim com a cara ainda mais feia, estica o braço e berra:

- Heil Hitler!!!

Se fosse um skinhead, provavelmente eu não me surpreenderia. Mas como se tratava de um sujeito de aparência comum e inofensiva, só consegui ficar boquiaberto. Até tentei dar um desconto, o cara devia estar bêbado e tal. Só que essa mesmíssima situação voltou a acontecer outras vezes, em outros lugares. Com o tempo, fui aprendendo a encarar esse tipo de coisa. Agora, quando isso acontece, reajo com sarcasmo: estico o braço e grito de volta:

- Khakhol Hitler!!!

Khakhol é a forma pejorativa que os russos usam para se referir aos ucranianos. Significa, numa tradução livre, "morto de fome").

Cena 2: Uma rua de Kiev. Minha amiga brasileira tem a pele bem clara, mas a irmã dela é mais moreninha. Um sujeito passa por elas, grunhe algo para a moreninha e dá-lhe uma certeira cusparada.

Cena 3: Supermercado. Enquanto faço compras, percebo que um sujeito uniformizado me segue onde quer que eu vá. No caixa, o tal sujeito posta-se à saída e me observa enquanto a caixa registra as minhas compras. Faço o pagamento e me preparo para sair, quando o tal sujeito me aborda e pede que eu mostre o ticket e o conteúdo da sacola e dos meus bolsos. Claro que mandei ele à merda, aos berros. Aí vem a gerente que, num inglês horroroso, me explica que aquele é um procedimento normal, já que na cidade há muitos ciganos e imigrantes asiáticos.

Ela me disse isso assim, com a maior naturalidade do mundo, como se me informasse as horas. O que eu respondi a ela acho melhor não reproduzir aqui. P. da vida, virei a sacola de compras de ponta cabeça e derramei tudo nos pés da loira, entreguei-lhe o ticket do caixa e exigi que ela checasse todos os itens. Diante de ovos quebrados e leite derramado por todo lado, ela ficou vermelhíssima, pediu desculpas, disse que não precisava checar nada, estava tudo certo, muito obrigada.

Eu insisti: só sairia dali depois que ela verificasse tudo, timtim por timtim. Ela então chamou um dos seguranças e os dois começaram o serviço. Quando terminaram, perguntei se estava tudo ok, disseram que sim, estava tudo certo. Aí eu pedi de volta o ticket e informei a ela que queria de volta a quantia que havia pago. E ela que enfiasse aqueles produtos onde bem lhe aprouvesse. Ela se recusou.

Para encerrar a conversa, disse a ela que ficasse com o dinheiro. Era minha contribuição ao processo ucraniano de saída das cavernas.

Essa cena repetiu-se mais algumas vezes em outros lugares (claro que no primeiro supermercado nunca mais pus os pés). Numa ocasião, quando vi que o segurança, como de hábito, estava me seguindo, fui até a seção de comida para cães, peguei um pacotinho de ração, fui até o caixa e paguei. Ao passar por ele, que já me esperava na saída, atirei-lhe a ração e gritei:

- Toma, totó. Padarok (um presentinho).

Sei que não foi uma atitude lá muito cristã, mas paciência tem limites.

Cena 4: Aeroporto de Roma. Na fila do serviço de imigração, umas duzentas pessoas. Europeus, japoneses, americanos. Só eu com a pele mais marronzinha. Adivinha quem foi o único abordado por um sujeito uniformizado, com pinta de guarda-costas de Mussolini? Eu, claro.

A simpática figura literalmente arrancou o passaporte de minhas mãos e começou a fazer perguntas, ali mesmo na fila. Terminado o interrogatório, me acompanhou a um guichê exclusivo, no qual não havia fila, como quem tenta me compensar pelo inconveniente. Aproveitei e perguntei por que apenas eu estava sendo objeto daquele procedimento, se na fila havia tantas outras pessoas. Ele respondeu que aquilo era apenas uma medida de segurança normal.

Respondi que, se aquilo era considerado normal na Itália, talvez fosse melhor eu voltar do aeroporto mesmo. Antes que me acontecessem coisas anormais.

Passei então ao setor da alfândega. Dezenas de pessoas passando com suas bagagens, numa boa. Adivinha, de novo, qual foi a única mala que eles pediram para revistar?

Então. Alguém aí acha mesmo que existe racismo no Brasil?

Viva Pindorama, meu povo!!!

Blog: Astaróóójna!!!

23 de abr de 2004

Mandado por e-mail pela Leila!


Nao me lembro nenhum mico meu, mas prometo que vou pensar. O que tenho para falar aconteceu com dois amigos.

Os dois sao paulistas e em sampa super baladeiros, foram estudar em Michigan para fazer a pos graduacao.

Um belo dia eles arrumam uma turma e foram viajar, estavam cansados de ver neve e foram para um resort com piscina aquecida.
Todo mundo alegre, muita bebedeira em volta da piscina quando eis que me aparece os dois com a boa e tradicional (tradicional no Brasil) SUNGA.
Sunguinha pequena, mostrando os dotes dos meninos, tudo de bom......tudo de bom no Guaruja ou Copacabana, mas aqui em USA, pelo menos onde eles foram e com um monte de americanos, quase morreram de vergonha.

Todos os garotos estavam com short comprido quase ateh o joelho e quando viram os dois entrarem foi uma risada soh.
Depois das risadas viemos saber que quem usava sunga eram "bichas", e os meninos que tinham a fama de "catadores" passaram a ser motivo de piada....
Tadinho dos meninos. Eu acho que eles nunca mais colocam uma sunga na vida...ahahahaha

21 de abr de 2004

Olha o ralo da Liza ai', gente!!!!



Junho 2000
Que delicia esse silêncio e verde!! Tudo é novidade e só de pensar que 24horas antes eu estava no meio do trânsito caótico de São Paulo e agora…posso fazer xixi vendo os bambis no campo que fica atras de casa! Como explicar essa sensação pros meus que ficaram lá? Só vivendo aqui! Coisas que antes eu só conhecia em livros ou cinema. Mas pelo jeito nós também temos coisas que eles nem imaginam! Ralos por exemplo!

Esse é um acessorio completamente desnecessário para os suecos, se bobear não tem nem chuveiro. Pelo em nosso apartamento tem chuveiro e ralo no box também, mas com uma parede de 25cm de altura em volta dele…o que transforma possibilidade de lavar o chão uma missão impossivel.

Nossa casa fica no campo rodeada por florestas, um lugar idílico não fosse pela sensação que tenho de estar vendo a bandeira verde-rosa da Mangueira cada vez que chego em casa. Por ser uma casa enorme o proprietario teve a ideia de dividi-la em 2. Na parte térrea mora ele e 3 gatos, no piso superior moramos nós. Até que funciona bem. E como a entrada é a mesma falta um pouco de privacidade já que do hall em comum se tem uma visão completa do nosso banheiro. Parece que todos os caminhos levam ao banheiro!

A casa foi construida em 1890 e claro sendo renovada e perdendo as caracteristicas originais a cada nova tentativa do proprietário que não faz mínima ideia que rosa nas paredes externas não combina com o vermelho nos batentes das portas, que o piso de plástico verde claro que ele colocou na cozinha, não faz o par ideal com as paredes cobertas de papel amarelo e bordô.

Tudo isso tem solução, mas o que fazer quanto à falta de ralo? Como é que eu vou conseguir tirar esse cheiro permanente de barriga de sapo que o banheiro fica depois de só passar um paninho safado pelo chão!

Como vou lavar esse banheiro? Agora tenho que encontrar um jeito de amansar a Benedita quando ela baixar em mim.



Julho
Chegou no limite! Tenho que lavar, sinto que estou sofrendo de sindrome de abstinência.

Deus! Encontrei um ralo fica ( estranho!) atrás do vaso sanitário. Bem, não é um ralo de verdade, é apenas um buraco no chão e como o local é escuro eu não consigo ver lá dentro. Mas certamente é um ralo! Senão pq haveria de ter um buraco logo ali!?

Estou em casa sozinha e então será perfeito. Posso jogar água de balde à vontade. Ninguém pra me olhar com cara de espanto. Rodo? nunca viram! Mas achei um que pode quebrar um galho. Um rodinho minúsculo que eles usam pra limpar os vidros das janelas.

Vai me dar uma baita dor no lombo de ficar abaixada nesse cabo curto, mas vai valer a pena!!

Armada de todos os apetrechos improvisados, lavei, esfreguei, aproveitei e lavei a janela que dá pro bosque, assim posso ver melhor os bambis enquanto estiver na santa paz do banheiro.


Pronto! feito, banheiro cheiroso e nem foi dificil pois a água descia que era uma beleza pelo ralinho! Por que é que eu não vi isso antes?

A noitinha batem à porta? Eu não entendo uma única palavra já que eles falam em sueco, mas pelo tom entendi que a coisa era meio brava!

Era o vizinho do andar térreo que ao chegar em casa encontrou tudo inundado! Pois era pra lá que o tal buraco-pseudoralo se dirigia!!!

Ora ora ora!? Pq alguem faria um buraco no chão do banheiro? qual a finalidade se não servir pra escoar água? Desconfio que em tempo passado esse buraco no chão servia pra espionar o quarto embaixo. Porque é exatamente ali debaixo do buraco que fica a cama do vizinho.

Bom, essa noite ele dormiu no sofa! e eu tapei o tal buraco pq não quero saber de ninguem escutando os barulhinhos da gente no banheiro!

Blog: Coisas escritas e nem sempre faladas...

20 de abr de 2004

Como o assunto de ralo começa a esgotar (ha ha ha) o 'sem ralo' inicia agora com alguns posts que falam da perplexidade tupiniquim diante da realidade diaria que enfrentamos no "primeiro mundo"... Nada melhor que começar com um post que a Julie achou da Denise Arcoverde, que mora na Suécia e nos faz recordar que nao sao so' ELES que sabem pouco de NOS... e, fazendo este blog, queremos somente nos divertir com as situaçoes que aparecem e mostrar a quem nunca saiu da terrinha (e talvez esteja pensando em se mandar...) aquilo que os livros nao dizem.



Estereótipos daqui e de lá!

Buenos Aires é a capital do Brasil? dá pra cruzar o país de trem? o Brasil fica na Asia? a gente vive na floresta amazônica? e por ai vai... Eu acho muito engraçado perceber como o resto do mundo é desinformado sobre nosso Brasil, tão grande.

Mas, pensa bem... o que é que você sabe, realmente, sobre a Rússia ou a China. Quantos brasileiros sabem qual a capital do Canadá? ou onde fica a Albânia? ou se tem praia na Alemanha?

Tem discriminação contra o Brasil? tem. Mas também tem, simplesmente, desinformação. Pura e simples. E ai não somos as únicas vítimas. Assim como não somos as únicas vítimas dos estereótipos criados, mundo afora.

Todo mundo que vive fora no Brasil já se irritou com a nossa imagem: samba, carnaval, futebol, pelé, miséria, criminalidade...

A gente fica com raiva mesmo, mas olha... "os espanhóis são barulhentos", "os italianos são conquistadores", "os franceses não gostam de banho", "os ingleses são pervertidos" e agora, "os árabes são terroristas"!... cada um com seu estereótipo... e os suecos?

Esses também não escapam. Li um texto super interessante, em um site sueco, que vou traduzir ai abaixo:

"Quando nós, suecos, viajamos pelo mundo, frequentemente encontramos pessoas que, à primeira vista, parecem não ter nenhuma idéia sobre o que é o nosso pais. Após algum tempo, percebemos, na verdade, que eles têm algumas firmes convicções sobre o que nós somos.
De uma forma geral, são as mesmas velhas e míticas imagens da Suécia: um país comunista habitado por ursos polares, louras (burras, mas gostosas), pessoas melancólicas, suicidas e bêbados. Parece até que esses clichês têm vida própria.

Então, é importante derrubá-los, um a um:

Suecos(as) são super abertos(as) sexualmente: Esse mito se originou principalmente em filmes suecos dos anos 50, 60 e 70 com cenas de nudez. Tem pouco a ver com a realidade. É verdade que os suecos têm uma postura mais relaxada em relação à nudez e ao sexo que a maioria dos povos. Contudo, isso não significa promiscuidade e, analisando as estatísticas sobre gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis, a Suécia está sempre como um dos países lá embaixo, na comparação internacional.

Socialismo: A Suécia é um país com economia de mercado democratizada, ainda que com redistribuição de renda bem maior que a maioria dos países.

Suicídio: Um mito fortíssimo e que não tem nenhuma relação com a realidade. Tudo começou como uma estratégia dos conservadores americanos, lançada nos anos 50, nos EUA como uma arma contra os liberais de esquerda que viam a Suécia como um modelo de política de "terceira via". A verdade é que, simplesmente, a Suécia foi o primeiro país a manter registros honestos sobre suicídios (ainda tabu no mundo católico, e em outros lugares). De fato, mais uma vez, nossos dados são baixos em comparação internacional

Ursos polares nas cidades: Não.

Belas louras: Sim. Burras? näo!

Clima frio Sim e não. O inverno sueco pode ser severo, mas considerando a nossa localização geográfica, tão ao norte, a Suécia pode ter até um bom clima, com um verão muito agradável.

Alto índice de alcoolismo: França e Portugal, por exemplo, consomem muito mais alcool per capita que a Suécia."

Portanto, não somos os únicos a reclamar. As pessoas têm uma tendência a "classificar" tudo, a arte, o trabalho, os países e até as pessoas. É uma forma de tentar comprender o desconhecido.
Se os suecos têm uma visão equivocada do Brasil, eu também já ouvi todos esses estereótipos sobre os suecos, antes de vir pra cá. E mais, que são frios, depressivos, que não sabem se divertir, que a vida aqui é monótona... e não é bem assim... Enfim, acho que a gente deve tentar esquecer os rótulos e entender as pessoas e os países, da forma complexa como eles são.

Blog: Sindrome de Estocolmo

19 de abr de 2004

Nada a ver com ralos, somente choque de culturas!




Surreal...

- "Trouxe um presente pra voce, é uma surpresa, uma coisa que voce nunca viu."
Abro o pacote, e fico esperando a surpresa.
- "Se chama "morango", e é uma fruta que tem aqui muito gostosa."
- "Ahnnnn....."
(minha sogra, logo depois que eu cheguei)

- "Voce vai pro Consulado em Milao de trem?"
- "Sim, depois pego o metro"
- "Toma cuidado e se segure bem quando comecar a andar, sabe, voce NUNCA VIU o metro e pode se machucar com o arranco."
(sempre minha sogra, cheia de cuidados)

- "Voce esta' gostando daqui?"
- "Sim, é um lugar tranquilo e cheio de verde, bla bla bla..."
- "Pois é, voce fez bem em vir pra ca' com a sua menina. Fico so' imaginando sua filha no Brasil no meio da rua, toda sujinha como aqueles meninos que vemos na televisao. Aqui pelo menos ela vai ser educada."
(velhinha na saida da missa)

- "Que linda caligrafia! Se ve logo que a senhora aprendeu a escrever aqui!"
(cliente quando entreguei o bilhete da roupa)

- "Ah, a senhora é brasileira?"
- "Sim."
- "Mas sua filha nao, né? "
- "Minha filha também."
- "Impossivel! Ela é tao branquinha..."
(cliente)

- "No Brasil, as mulheres transam no meio da rua."
(idiota, numa festa brasileira no meu bairro)

- "Eu ja' fui em Copacabana, mas no Rio nunca fui."
(cliente mentiroso ou ruim de geografia)

- "Que idéia eh essa que te veio, de casar com uma negra?"
- "Minha mulher nao é negra, é bege"
(dialogo entre o meu marido e um colega de infancia)

- "A senhora jah tomou ane%^$#_)(?"
- "Hein?" (eu nao tinha escutado mesmo)
- " A N E S T E S I A A A A !!!! (quase urlando). Voces, quando vem pra ca' deviam pelos menos aprender o italiano"
(médico, depois que eu ja' estava aqui ha um tempao e falava italiano melhor do que ele - a palavra 'anestesia' é igual nas duas linguas!)

- "Quantos quilometros sao daqui até o Brasil?"
- " Nao sei, sei que de Milao ao Rio sao 12 horas de viagem."
- " De carro?"
(cliente, que nao entendia porque eu nao ia pro Brasil num fim-de-semana)

- "Ah, agora eu sei porque voces sao assim! No Rio eu vi uma loja de bunda inflavel!"
(cliente, chegando de uma viagem ao Brasil. Essa eu so' entendi depois que eu fui no Brasil e vi os manequins de plastico inflavel nas lojas, ele deve ter visto um sem roupa e pensado que nos compramos nosso famoso bundao na loja).

- "Nao sabia que as casas no Brasil eram iguais as daqui, essa aqui tem até jardim!"
(meu cunhado, admirado com as fotos que eu fiz no Brasil)

Mico I
Quando cheguei aqui, nao pude ter logo o "permesso di soggiorno", que é o documento que praticamente te legaliza na Italia. Durante quase 3 anos vivemos como clandestinas e assim tivemos que fazer um seguro pra qualquer emergencia. Logo, no medico, so' pude ir quando ja estava regularizada. Aqui eu uso o INPS e, medico particular, so' mesmo em casos extremos ($$$$$$) e la' fui eu toda serelepe pro ginecologista, ja' que era hora de fazer o preventivo. Toda mulher sabe o saco que é um ginecologista novo e eu ja' tava tao acostumada com o meu no Brasil, que era o mesmo desde que eu era novinha (ihhhhh, quanto tempo). Nao conhecendo ninguém, fui no primeiro que tinha vaga e chegando la', depois das primeiras perguntas, ele pediu pra ir tirar a roupa pra fazer o exame. Pra ir no banheiro tinha que passar num corredor longo uns 6 metros com duas portas laterais que eu acho eram outros consultorios. Entrei e depois que tirei a roupa, nao achei nada pra me cobrir a nao ser um avental azul, daqueles de hospital, pendurado na parede. Cade os aventais descartaveis que eu tava acostumada? Sera que eu tinha que trazer de casa? Como fazia a atravessar aquele corredorzao pelada? Nao é possivel, mas so' podia ser aquele avental ali pendurado, ja' usado por nao sei quantas pessoas, enfim, um avental comunitario. Pegando pelas pontinhas vesti o treco pensando no meu Cabochard desperdiçado e fui enfrentar o exame. Quando cheguei na sala do médico, vi a enfermeira que deu uma risadinha que eu tolamente pensei que fosse pra mim. Percebi que o médico se comportava um pouco diferente de antes, como se estivesse sem-graca. No fim da consulta, eu ja tinha decidido de nao voltar mais com ele, pois percebi uma ma-vontade quando eu pedi pra examinar os seios, ate' perguntou se eu nao sabia fazer o auto-exame (com a cara de que o meu peito podia dar choque) e eu ja' meio chateada respondi que fazia sempre mas ja' que eu tava no medico, me sentiria mais tranquila com um exame profissional. Quando estava pra me vestir de novo, falei pra enfermeira: ta' um pouquinho sujo esse avental acho que é hora de trocar. Vi uma cara de surpresa.
Volto depois de 2 anos, dessa vez com uma doutora, que por sinal é minha cliente e vizinha e, antes de ir tirar a roupa, a enfermeira (outra) me diz:
- Olha, tira so a parte de baixo e vem assim mesmo, nao vai fazer como uma que veio aqui, vestiu o avental do médico e ainda teve coragem de dizer que tava sujo!
Abriu-se um buraco.

Blog: Farofa na Neve
la viuda de basquiat

céus estou com a dita cuja e tudo parece vagaroso, pesado como em câmera lenta.
queria pintar as paredes da cozinha de verde, extender o verde para a área de serviço e completar o resto com o meu dom para imitar basquiat. um pouco de desengordurante aqui, uns respingos de molho ali e muito aromatizador em folhas secas, mais umas hervas (o que é isso alice? pode me dizer? ervas não é, nem hierbas e nem adianta colocar a culpa na tpm porque não é, olha o grau da lesão, olha o grau) maravilhosas e um relógio vermelho. o relógio seria vermleho se a cozinha fosse verde, mas não é. é toda branquinha com uma faixinha bonitinha e discretinha e o relógio é de madeira escura.

e quando comecei nesse negócio de internet eu nem sabia quem era basquiat. depois descobri que ele fez as figurinhas mais representativas da pop art junto com o andy. figuras fodas de verdade.

e o livro é sobre a relação destrutiva e carinhosa, respeituosa e desesperada, oh sim, sim, há pessoas que conseguem tudo isso num relacionamento. eu estou falando do basquiat e da mulher dele, Suzanne, unidos por drogas, escândalos mas sem rock and roll, no lugar coloque muita tinta óleo, solvente e óleo de linhaça.

deve estar interessante, mas eu ainda não li. estou pesnando na cozinha, se é que isso é pensar, se é que hoje eu consigo pensar em algo. hoje eu deveria ficar quietinha, lendo um livro debaixo dos cobertores e dando vazão ao meu vício por chocolates.

aqui não existe rodo, não posso lavar a cozinha como deus manda e tampouco existe ralo para escorrer a água. ninguém imagina como é bizarra uma vida sem rodo, sem ralo, só com um esfregão e uma cestinha onde torcer o esfregão. ai como a vida em dias assim pode ser tãooo deprimente.

tenho que anotar isso, porque é algo muito grave.

Blog: Rascunhos de Alice
Desde quando me mudei sou a feliz embora temporária usuária de um banheiro provido de ralo! CLARO que o supracitado ralo não foi colocado ali com o objetivo de escoar a água de lavagem do banheiro. Simplesmente o chuveiro não é fechado em um box, fica no canto do banheiro. E o ralo do chuveiro virou o ralo do meu banheiro. Todo domingo de manhã me armo de balde, sabão em pó tabajara (ensinamento de mamã: sabão em pó bom pra lavar roupa, sabão em pó tabajara pra lavar o chão), removedor de calcário, Lysoform Bagno, pano de chão, Pato Purific, esponja, vassourinha de cerdas duras que eles usam pra passar pano no chão mas eu uso pra esfregar o chão mermo, rodinho pra limpar vidro que eu uso como rodo no chão mermo, já que em terra onde não tem ralo, rodo não existe e a gente tem que improvisar. Jogo água pra tudo que é lado, lavo e esfrego tudo – me sinto a Dona Teresa que tinha mania de limpeza, aquela do livrinho da Atica que todo mundo da minha geração leu na escola; d. Teresa, que lavava até o sal e o açúcar... Só não tiro as teias de aranha da janelinha lá do alto porque os Silvas – há tantas aranhas na roça quanto Silvas nos catálogos telefônicos brasileiros – servem pra comer os mosquitos, que também abundam. Deixo a porta aberta pro chão secar e pro cheirinho de limpo se espalhar pela casa e quem sabe inspirar os outros moradores a serem limpinhos também.

Outro do Blog: Pacamanca






Na chat...

- Oi Re
- Oi Sil
- Tudo bom?
- Blz. Ta frio ai?
- Uns –25 Celsius, e ai?
- Aqui ta uns –2. Eu nao aguento.
- Perai, telefone…

Vou atender o telefone… curiosos??? Era a minha aluna de espanhol marcando uma aula!!!

...........
...........
...........


- Noooooooooossa, e ai?
- Ai, que compramos aquelas vassouras cheia de pelo nas extremidades, pra secar
- …porque aqui NAO EXISTE RODO
- Acho que se eu abrisse uma fabrica de rodo aqui, ficaria milionaria...hehehehhe
- 'e ...nao existe um monte de coisas nesses "primeiros mundos"!
- Ai tb nao tem rodo?
- Nao!
- Uma catastrofe!!!
- Re, vamos montar uma fabrica!!!
- Tb nao tem prateleiras nos armarios
- eh, verdade...hehehehhe
- Eles sao burros
- Fui no Home Depot comprar umas madeiras…
- …eu mesma botei aqui no armario
- Vc comprou prateleiras?
- Eu nao sei colocar nao!
- …comprei pedacos de madeira, encapei com papel de parede,
- …fiz uns furos na parede, coloquei parafusos e
- coloquei as madeiras ja cortadas
- Ate que ta durando uns 8 meses
- O que tem em cima?
- …roupas, camisetas, sapatos… Qualquer dia eu abro o armario e cai tudo em cima de mim
- Que legal!!!
- Entao ta firme?
- Fala pro Ale fazer… eh facil
- …ele nao sabe, nem eu!
- Eles dao instrucoes no Home Depot …eu tb nao sabia
- Li as instrucoes passo a passo, comprei os parafusos certos
- 'e caro?
- Que nada… um pedaco de madeira custa uns 5 dolares
- Ahhh ...legal!
- Um rolo de papel de parede custa uns 20 dolares...
- Mas aqui as paredes sao “de papel”, vai cair o predio!!!
- Vc encapa a madeira, e ainda sobra papel pra encapar o armario da cozinha
- Vou ver isso!
- As paredes daqui sao super finas, nao sao de tijolo igual ao Brasil…
- Nao compre madeira grossa, muito pesada!
- Por isso sempre pega fogo facil...
- Compre madeira com 1cm de espessura
- Boa ideia, valeu!!!… tem varias coisas que esses americanos nao tem..
- …tambem achei isso por aqui…
- …nao tem farinha de mandioca aqui'
- eh…nem aqui…
- …nem blondor!
- …eu tb tentei procurar blondor...hehehehe
- Vamos fazer uma lista Re,
- …nem H2O2 cremosa...
- Vc diz um produto, eu digo outro!!!
- Isso!
- …ai, posso ate botar uma listinha no meu site
- Isso poe no site'!!! Vou lembrando e te escrevo
- …nao existe “Todinho”…
- risos
- s'o quick
- …requeijao
- …queijo minas
- …yakult
- …jaboticaba entao... nem se fala!
- Aqui tem Jaboticaba...risos
- Como???????? tem mesmo?
- Eu ja vi!!!
- …mas nao tem maracuja!!!
- Nao 'e blue berry nao?
…nao tem tambem suco de caju!!!
- Arg, eu ODEIO suco de caju!!!
- Nao, blueberry eh bem mais pequenininha…
- …Palmito
- …guarana
- O abacate daqui 'e muuuuuito pequeno, mas existe
- hehehhehe
- …pao de queijo
- …farinha de milho (s'o nas comidas mexicanas que encontramos)
- …farinha de rosca
- Nao lembro de mais nada!
- …ah, paozinho frances fresquinho, quentinho da padaria
- Isso!!!
- Ja te contei da historia dos feijoes?
- Nao!
- Outro dia minha sogra perguntou: "Sil, o que vc sente vontade de comer no Brasil?
- …ai eu respondi: "beans"
- Certo!!!
- …no fim de semana seguinte, ela fez os tais "beans"
- Feijoada?
- Re... qdo vi era uma SALADA DE VAGEM!!!
- aiiiiiiiiii….
- Ue? mas beans nao sao feijoes?
- Aqui, qdo vc diz beans, eh pura vagem!!!
- E como 'e feijao?
- Beans tambem, mas so vende enlatado
- Serio?
- Eh
- Aqui tem em saco
- Aqui nao existe
- Aqui nao tem ralo no banheiro
- Nao!!!...HEHEHEHEH… o que mais nao tem aqui...
- Mas mesmo assim eu lavo o banheiro " a moda brasileira"
- …passo a ducha na privada!!!
- …fica uma piscina…
- Ah, me lembrei de outra coisa… aqui chuveiro eh super raro…
- …canadense gosta de banheiras!
- Como????
- …mas fiz o Rich botar um chuveirinho pra mim!
- Nao tem ducha ai?
- Muito raro, so em academias, clubes
- …eh raro porque ninguem usa
- …mas banheira 'e nojento, vc entra sujo e a agua fica suja e nao vai trocando por limpa!
- Sofri no comeco, a casa nao tinha chuveiro
- Aiiii...

- No comeco, qdo ia dormir, tomava banho de banheira…no dia seguinte tomava uma ducha na Universidade
- Acho que a gente 'e mais limpinha …tem varias falhas no tal de “1o Mundo”
- …o banheiro nao tem janela
- Eh verdade!!! Nao tem nenhuma misera janelinha no banheiro!!!
- tem s'o exaustor …
- …nem exaustor aqui tem!!!
- Re, vc tem que ligar o carro na tomada de manha?
- Carro na tomada????
- Eh!
- …aqui como eh muito frio, todos os carros tem um fio que sai do capo e vc liga na tomada… pra esquentar o motor
- Mas o Canada 'e o 1 no mundo em qualidade de vida!!!....mas agora nao sei nao, vamos mudar o censo !!!
- Heheheh
- E vc liga o carro antes de sair de casa?
- Sim, ligo o carro na tomada por 20min... eh um saco!
- Hahahaha
- Silvia eu to rindo muito!!!

Blog: Diario de Bordo

28 de mar de 2004

Eu gosto da Itália, e acho que um dia vou acabar voltando. Acho um país muito divertido, cheio de pessoas divertidas. Só sair na rua e ver aqueles italianos todos vaidosíssimos, montadíssimos, cheios de gel, de óculos abelhão, de calça justa, de olhar Cepacol, sempre gesticulando muito, batendo papo até enquanto dirigem lambreta, a gente já tem vontade de rir. Eles sabem se divertir, mas, ao contrário dos espanhóis, que segundo testemunho de amigos que moram na Espanha não querem saber de dureza, os italianos trabalham muito. Mas brincam, sacaneiam uns aos outros, cantam, comem bem, bebem idem. Claro que ainda são terceiro mundo em muitos aspectos – nos banheiros sem ralo e na frequência com a qual se lavam, no serviço bancário que é neanderthalesco, no quesito atendimento ao cliente em qualquer loja/banco/agência dos correios, nos correios que funcionam malíssimo; claro que há muitos defeitos – as cenouras que são nojentamente adocicadas, o limão que não é verde mas aquele abominável amarelo, o pão sem sal de todo o centro da Itália, a mania de comer lentilhas com molho de tomate, a mania de fumar em tudo que é lugar, enfim. Mas pombas, o paraíso nao existe, e home is where the heart is. Ou não?

Blog: Pacamanca
O pessoal gosta e ainda muita gente me manda mail perguntando pelos posts do "manual do viajante". Resolvi postar novamente os temos que são usados no Brasil e em Portugal para que vejam como brasileiro em Portugal e vice-versa sofriiiiii.
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tema 3: Designação de moradias, objetos domésticos e acessórios

sítio = local
casa de banho = banheiro*(1)
sanita = vaso sanitário
autoclismo = descarga
duche = box
alcatifa = carpete
secretária = mesa (todas, menos aonde se come)
candeeiro =qualquer tipo de luminária e abajour
guarda-fatos = armário
lava-loiça = pia de cozinha
alguidar = bacia
consola = video game
morada = endereço
vivenda = casa
casa = apartamento
quinta = chácara, sítio, fazenda e similares*(2)
renda = pagamento de aluguel
aluguer = aluguel
betão = concreto
ficha = tomada
assoalhada = quantidade de cómodos de uma casa
rés do chão = térreo
T0 = quitinete
T1 = apartamento com 1 quarto
T2, T3, ... = ap. com 2, 3, ...quartos

*notas :
(1) não existe ralo nos banheiros.
(2) chárara = pequena quinta com alguma plantação ou criação de pequenos animais.
sítio = quinta de tamanho médio com plantação e criação de animais de pequeno e médio porte. Pode ser um haras também.
fazenda = grande quinta, podendo ter criação de gado e animais de grande porte. Pode ter ainda extensas plantações.

Blog: Nunca Diga Nunca
Ralo, um mistério cotidiano

Esperando minha sogra. Fiz ontem a torta da minha mãe, de galinha e vegetais, e servirei com arroz branco. Já fiz essa torta muitas vezes antes - até já falei dela aqui - e descobri que fica melhor se feita de véspera.

Ontem também dei uma limpada no chão da cozinha, com ajax em pó e esfregão. Ficou limpinho, mas o problema é que não tinha como secar a água com a qual lavei o chão no final. Não existem ralos em apartamentos. E não me lembro de ter visto um em casas, a não ser os do banheiro, claro.

Posso limpar o quanto eu quiser, com panos imaculadamente brancos, sem cheiro, colocar essência de baunilha no detergente etc. Toda vez que eu lavo a cozinha ela fica com cheiro de meia usada. Não tem jeito. Já acendi meu incenso de sândalo pra dar um help.

Como esse povo lava e seca seus apartamentos sem ter a sensacão de ter transformado o lugar numa grande cesta de roupa suja? Tem certas coisas que ainda são um grande mistério para mim aqui na Suécia.

Blog: Montanha Russa

27 de mar de 2004

Sábado de manhã

Presunto brasileiro cheira melhor que presunto americano, mas tem o mesmo gosto.

Pratos americanos também quebram (apesar de parecerem de plástico).

No banheiro tem uma banheira e um chuveiro sobre a banheira, se você usa o chuveiro não tem como não cair água fora da banheira, mas no banheiro não tem ralo, já imaginou a zona que fica após o banho né ? Não entendo esses americanos (ou será que é assim só em Porto Rico ?).

Blog: Interney






Lista de coisas para fazer em São Paulo e em Buenos Aires que definitivamente não tem como fazer em Lisboa:

São Paulo:

- Comer pastel de feira com caldo de cana, (Puta Merda como é bom pastel de feira! Aqui eles nem sabe o que é isto, pastel aqui são os nossos salgadinhos. Por exemplo: bolinho de bacalhau, é pastel de bacalhau. Já paguei o maior mico pedindo pastel de baca e veio um bolinho. Imaginem a minha cara de decepção)
- Comer pizza e sardela do Speranza,
- Comer feijoada da minha mãe,
- Comer sopa de ervilha da minha mãe,
- Comer torta mousse da minha mãe,
- Comer spaghetti a quatro formaggio no Paola Panino,
- Andar no Ibirapuera,
- Passear no shopping Morumbi,
- Comprar sabonete de Lush,
- Tomar uma cervejinha no Pirajá (Básico! Com bolinho de bacalhau, claro!)
- Tentar ir para Ubatuba,(com esta lista enorme eu acho difícil, mas vamos tentar)
- Samba de mesa, pagode, caipirinha de verdade, vinho chapinha ou sangue de boi (que brega!), sol, calor, poluição, trânsito, sentir o cheiro ruim do rio Tiête, poder lavar o banheiro e a água sair pelo ralo(aqui não existe ralo nos apartamentos)...

Blog: Diario
Faxina no Banheiro

Odeio lavar banheiro. Mas ainda bem que não sou a única. Talvez por isso existam tantos produtos direfentes para limpar.

Como já contei uma vez, aqui a maioria dos banheiros não têm janelas, alguns são cobertos de carpete até nas paredes .

E também não têm ralo no chão, o que significa nada de lavar com água nos pés.

Nossos banheiros não têm carpete -- graças! -- mas não têm
janela também, nem o maldito ralo.

Então tenho que limpar com uns sprays antigermes-antibactérias-antisujeiras, esfregar com uma esponja e enxugar com um pano. Alguns produtos não precisam de enxagüe, é só tacar e deixar, como é o limpador de chuveiro e torneiras.

Blog: A Vida Escrita a Mao

26 de mar de 2004

banheiro
Nao me conformo com os banheiros de Londres, pra comecar, o toilet eh separado do bathroom, no banheiro que soh tem a privada tem carpete (nojento neh?). Tambem nao existe bide aqui, nem aqueles chuveirinhos ao lado do vaso.
A banheira fica em outro banheiro. Digo banheira pq tambem nao existe chuveiro, ou melhor, sao rarissimos... Eh uma banheirona branca com um chuveirinho pequeno que eu sofro toda vez que preciso lavar o cabelo. Maior trampo!
A pia tem duas torneiras, uma quente e uma fria. A quente eh tao quente que queima e a fria congela. Fico pensando se eh tao dificil fazer uma conexao para misturar as duas aguas. Descobri depois que eh porque eles enchem a pia de agua pra lavar o rosto, nao lavam com agua corrente. Credo!
E tambem tomam banho de toalhinha... sei nao!!!

cozinha
Nao tenho muito o que reclamar pq sao todas equipadas, mas na cozinha nao tem ralo no chao, ou seja, pra lavar com balde, esfregar a parede nao dah... As geladeiras sao minusculas, precisa de umas 3 para todos da casa. Eles nao tem o costume de lavar assadeiras e quando a gente vai usar estah toda cheia de gordura endurecida. Arght!
efemérides
3 coisas que eu jamais me acostumarei aqui. Não vou, não vou e não vou!

1) Ausência de tanque;

2) Ausência de ralo;

3) Ar condicionado.

Tanque: São raríssimas as casas aqui que você pode encontrar um tanquinho. Na verdade vi somente 2. Um na casa da minha amiga em Minesotta e outro aqui em uma casa de alto padrão que estava em construção e eu fui xeretar. Tinha uma área de serviço bem grande e um tanquinho pequenininho, destes de apartamento no Brasil. Com tantas coisas lindas e maravilhosas na casa, o que mais me chamou atenção foi o tanquinho. Adoraria ter um daquele aqui no meu apartamento, pequeno que fosse... Até me preocupou a falta de ambição Rs.
Como fazer para lavar tênis? Três opções :
- Não lavar;
- Lavar na máquina de lavar roupas que deixa o tênis igual a um chapéu velho e não limpa bem;
- Ou lavar na banheira, que é a minha opção. Mas que me dá a maior "dor nas cadeira".

Ralo: Queridas donas de casa do Brasil. Aquela sensação gostosa de jogar um baldão de água no chão da cozinha ou do banheiro e escorregar nas bolinhas de sabão, vocês não terão aqui. Nãonaninãnão! Temos que usar papel toalha com os produtos de limpeza (que não tenho como negar a qualidade deles). Mas mesmo os produtos sendo bons, ainda fica aquela sensação de banho de gato.

Ar Condicionado: E o meu grande inimigo aqui. Aqui, o verão será meu Inverno! O uso do ar condicionado não tem limites. Pelo menos para mim, não é usado de forma que deixe o ambiente agradável. Eles botam o ar para congelar! E isto em todos os lugares, nos carros, nas casas, nas lojas, nos escritórios... O que mais me tornar indignada, é que as crianças assistem TV enroladas em cobertores em pleno verão, por causa do AC! Faz sentido?!? Aí, eu tenho a opção de andar com agasalho em pleno verão (que se não é igual ao do Brasil, é pior), ou fico com o corpo todo contraído de frio e aguento as dores de cabeça e pelo corpo todo. E onde fica o bom humor? Pobre William, que tem que ouvir e aguentar toda a minha rabugice.
La Civettina

25 de mar de 2004

Da serie: o que eu so faço na Italia

Secar o cabelo (Ah!!! como eu odeio!!)
Comer sandwish de omelete.
Colocar "descalcificante" pra lavar a roupa com a agua de roma que é cheia de calcio.
Comer salada de feijao (sem caldo)
Lavar e conseguir secar a agua do banheiro sem ralo (é isso mesmo...)

Blog: Ristorante Cinese (na Italia)






Desde a época estudante em 2000, notei que banheiro ingles nao tem ralo. Isso mesmo, nao tem ralo! Logo, lavar banheiro na Inglaterra?!!! Nao, nani na-nao!

Pois bem, a limpacao de banheiro deve se limitar a vasos, pia, chuveiro e/ou banheira e passar um paninho no chao. Nada de jogar aquela água e lavar com vontade.

Com essa, existem um milhao de produtos de limpeza (anti-germe, anti-fungo, anti-odor, anti-bactericida, anti-tudo) e a gente tem que se contentar em juntar um baldinho com agua e colocar um destes produtos, molhar o pano, torcer e passar no chao. Lavar - lavar mesmo que é bom, nao dá porque nao tem por onde escorrer a água. E se fizer, a água acaba saindo pela porta indo molhar o carpete porque eu já tentei e "si" dei mal (o cheiro de carpete molhado é pior que de cachorro molhado!).

Aliás, já vi banheiro que até papel de parede encarpetado tinha.

E para limpar? Bem... eu que nunca limpei a parede daquele banheiro!! E olha que a casa é suuuuuuper limpa! Dá para imaginar as casas daqueles ingleses porcoes?!!!

Blog: Bom Dia! Londres






Muita gente me pergunta porque A Cosmopolita... Que nome dificil... Aqui vai a explicacao.

Cosmopolita que dizer uma pessoa que se considera cidada do mundo. EU gostei dessa definicao porque eu amo conhecer outras culturas e outras linguas. Tambem adoro viajar, se tivesse mais dinheiro ja teria ido a outros paises. Mas agora chegou a hora de realmente ser uma cidada do mundo, agora que eu pude entrar em contato real com outra cultura. Posso dizer que esta sendo muito engracado... Alem das impressoes ja mencionadas nos posts anteriores, existem coisas tipicas de um povo que devemos aceitar com humor, de outra forma acabariamos ficando muito irritados. Tem coisas que a gente ve em filmes e ouve falar, mas quando vivemos isso, eh como se nao conhecessemos.

Por exemplo, o banheiro nao tem ralo, soh na banheira. Imagine que eu fui lava-lo ontem e taquei agua no chao, como eh o costume no Brasil. Depois eu penei tanto pra tirar toda a agua com o esfregao! E o medo de escorrer agua pro corredor por causa do carpete. Ainda no banheiro, toda vez que acende a luz, o exaustor liga, afinal nao tem janela no banheiro. E na cozinha, se nao ligar o exaustor eh capaz dos bombeiros chegaram em casa porque tem dois alarmes de incendio em casa, um pertinho da cozinha. Qualquer fumacinha ele dispara. E os bombeiros aqui chegam rapidinho... Se eles vierem varias vezes e nao for nada, pagamos multa... E o lixo entao! Quanto lixo se faz por dia nesse pais! Tudo vem dentro de plasticos e mais plasticos, caixas e mais caixas. Acho que em duas semanas fizemos o lixo de quatro semanas. E nos quartos? Nao tem gavetas nos armarios, eh tudo no cabide.

Eu estou adorando testar minha capacidade de adaptacao. Como dizem: Vivendo e aprendendo! As vezes eu me sinto como uma matuta, ou caipira como dizem os paulistas, como se nunca tivesse visto nada igual. Ainda mais fico comentando essas coisas no meu blog. Mas depois eu penso que vale a pena registrar meu sentimento verdadeiro. Pra que ter vergonha? Num eh verdade mesmo que eu estou mais matuta que tudo?! Hehehe!

Blog: A_Cosmopolita






Saí da loja e fui até a Body Shop comprar um creme para o corpo porque desde que cheguei aqui ando com a pele muito ressecada (é a água, muito calcárea). Já conhecia uma das vendedoras, Marisa, e conheci a outra vendedora brasileira que trabalha na loja. Fiquei lá uns 20 minutos, batendo papo, discutindo como limpar um banheiro que não tem ralo, enfim, um papo entre pessoas que vieram de um mesmo país e agora estão em outro e precisam ajustar-se as tecnicalidades do dia a dia. Comprei um creme para o corpo e um xampu mais cremoso, porque o cabelo também sofre um bocado e está caindo de montão... Mas as duas me garantiram que tudo isso aconteceu também com elas no começo. Então tá né...só espero não ficar careca... (

Blog: Diario de Lisboa
DESILUSAO...

Um dia vesti um short
desenrolei a mangueira
abri a água
e so depois de inundar a casa
descobri que não tinha ralo.

Blog: Farofa na Neve






MISSAO IMPOSSIVEL!

Bem, deixa eu ir que tenho uma missão muito importante agora... Lavar banheiro! Com paninhos e produtos, porque nem sei se todo mundo que vem aqui sabe que nesse país NÃO SE FAZ banheiro COM RALO!

UPDATE sobre o ralo...
Hahahaha, sobre o ralo do banheiro, um esclarecimento. A gente aqui, pelo menos nas casas que eu conheço, num tem ralo no banheiro, tipo pra lavar o chão. Ralo só no box e na banheira! Agora pensa bem meu stress por não poder jogar água no chão...

Blog: JUJUFROMUSA

24 de mar de 2004

O tema problematico da falta de ralo e outros choques de cultura... Boa leitura!